Heavy Metal: o papel do visual no gênero

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Por João Marcelo
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"A imagem visual possui uma grande importância no Heavy Metal". Foi a partir desta frase, publicada no site Wikipedia na página que faz referencia ao gênero, que despertou a minha curiosidade de analisar se a aparência e as características físicas realmente tem importância nessa vertente da música.

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Ao analisarmos superficialmente as pessoas que estão envolvidas com o Rock/Metal, a primeira característica visual que percebemos é a adoção de cabelos compridos. Esse costume foi herdado do movimento hippie pelas primeiras bandas surgidas no início da década de setenta, que começaram a definir a base do que seria chamado posteriormente de Heavy Metal, aspecto logo copiado pelos fãs para ficarem parecidos com seus ídolos e se identificarem como parte de um mesmo núcleo, como algo que pudesse diferenciá-los dos cidadãos moralistas, os "caretas", que achavam essa prática rebelde e subversiva.

Logo em seguida percebemos uma forte tendência para a utilização de jaquetas de couro e a preferência pela cor preta, fator fortemente baseado nas vestimentas de grupos como BLACK SABBATH e JUDAS PRIEST, esse último acrescentando tachas, correntes e tudo que satisfizesse a vontade de seu front-man ROB HALFORD.

O jeans azul é outra marca registrada no aspecto físico condizente a imagem padrão do "uniforme" clássico dos fãs de Heavy Metal. Popularizada por grupos como MOTÖRHEAD & GIRLSCHOOL, a prática definiu a utilização dessa peça de roupa como padrão, tanto para o público feminino como masculino.

Dentre os diversos aspectos que caracterizam as dezenas de subgêneros existentes no Metal, abordei apenas os mais utilizados para ilustrar o tema e me permitir voltar ao questionamento inicial do texto. O que surgiu como uma prática de rebeldia com o aspecto visual vigente da época acabou se tornando um padrão a ser seguido, um uniforme muitas vezes necessário para ser aceito entre os grupos de "headbangers". Se durante a década de 1980 o ato de utilizar cabelo comprido aqui em nosso país era mal visto e tratado como ato de delinqüência juvenil, atualmente é aceito e enquadrado no rótulo "Moda Metal", não quer dizer mais nada, não representa mais nenhum tipo de oposição e sim um modelo a ser copiado. Partindo para o segundo ponto, a utilização de jaquetas de couro e a preferência pela cor preta. Analisem que essa prática foi popularizada na Europa, um continente frio e nevado, e não na América do Sul, composta por países tropicais. O ato de usar uma jaqueta de couro em um país como o Brasil só mostra a figura caricata que é o metalhead sul-americano tentando se enquadrar no molde europeu, que não condiz de forma alguma à sua realidade. A utilização exclusiva ou majoritária da cor preta se encaixa no mesmo aspecto, já que uma superfície preta não reflete nenhuma cor, absorvendo todas as luzes e transformando-as em calor, algo totalmente contraditório para um país onde a temperatura chega a 40º. O jeans azul que marcou o vestuário dos headbangers no século XX atualmente também não quer dizer absolutamente nada. Uma peça jeans utilizada por um integrante de um grupo de Hard Rock provavelmente é comprada na mesma loja onde visita artistas como LUAN SANTANA e GUSTAVO LIMA.

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O objetivo dessa reflexão foi para lembrar a todos que o princípio do Heavy Metal é a liberdade, a rebeldia, o ato de ir contra aquilo que se enquadra em um padrão. Ninguém precisa vestir um uniforme para ser aceito como parte de um grupo, você NAO precisa vestir preto, ter cabelo comprido, usar jaqueta de couro, fazer cara de mal, usar patches, tachas, bottons, correntes ou o que seja para ser um headbanger, termo que define um fã de Metal, alguém que ouve, pesquisa, critica e debate sobre esse gênero musical. Para encerrar, uma frase de BRUCE DICKINSON: "Alguém poderia dizer, 'certo, eu quero entrar no estilo de vida Maiden', então ele vai até uma loja de Rock, compra todas as camisetas, toda a memorabilia e sai parecendo uma Drag Queen do Metal, mas isso não faz com que você entre no estilo de vida Maiden... Você pode ir trabalhar de terno, mas, na sua cabeça você pode estar murmurando músicas do Iron Maiden, e isso é demais... Quão subversivo isso é? Eu acho isso incrível."




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Sobre João Marcelo

Professor, formando em História e apaixonado por música desde os 10 anos de idade. Escreve para o blog Headbanger Rage (headbangerage) e envia matérias/entrevistas/resenhas para o Whiplash quando tem tempo.

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