De Volta em Preto: Os 30 Anos de Back in Black
Por Rafael Correa
Fonte: Rock Pensante
Postado em 29 de julho de 2010
Em 25 de julho de 1980, há exatos 30 anos e alguns dias, era lançado o sétimo álbum do AC/DC. Até aí, nada demais. No entanto, após a morte de Bon Scott em 19 de fevereiro daquele mesmo ano, muitos duvidavam que a banda lançasse algum material novo, ainda mais em momento próximo ao falecimento de seu vocalista. Ok, mesmo assim, nada disso é muito surpreendente. Na verdade, a grandiosidade de "Back in Black" reside, principalmente, nas circustâncias havidas ao seu entorno (que o puxavam para baixo de todas maneiras possíveis) e na grande vitória que álbum representa. Afinal, este é o disco de rock mais vendido da história e o segundo mais vendido em todos os tempos, dentre todas as vertentes musicais, perdendo apenas para "Thriller", de Michael Jackson.
Em 1979, o AC/DC estava no auge de sua força. Com o sucesso de "Highway to Hell", lançado julho do mesmo ano, e a consolidação da banda como nome forte do rock n' roll, o grupo firmava o pé e ocupava um espaço cada vez maior no cenário musical internacional. O AC/DC não era mais uma banda da Austrália: era uma banda do mundo, pertencente a ele e com a missão da sacudí-lo o quão possível fosse. Quando Bon Scott partiu sozinho em um carro estacionado no frio de Londres, devastado e longe de ser (ou aceitar a ser) o símbolo que representava, era como se estivesse à deriva, e a sensação que se tinha sobre a banda era que o AC/DC seguiria pelo mesmo caminho e acabaria por silenciar seu trabalho com um trágico fim.

Todavia, seja pelo destino ou por alguma outra razão que em grande parte das vezes transcende a nossa compreensão, essa não foi a postura adotada por Malcolm e Angus Young. Com a benção da família de Bon, o AC/DC seguiu em frente para dar sequência à sua obra e mudar a história do rock. Ao escolher o antigo vocalista da banda Geordie para assumir a função insubstituível de Bon Scott, a banda se refugiou sob o Sol das Bahamas para gravar o novo disco no Compass Point Studios, em Nassau. O local era um verdadeiro paraíso, e o estúdio já havia recebido lendas como Ringo Starr e Alice Cooper e, em menos de dois anos, seria a nova casa na qual o Iron Maiden gravaria seus álbuns essenciais. Mas, ainda assim, Brian Johnson sentia-se inseguro sob a sombra de Bon Scott.
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Talvez essa seja a maior razão para que "Back in Black" seja recheado por pérolas. Era como se a desgraça que a banda havia abarcado tivesse, de certo modo, lhe dado uma força criativa que dificilmente seria revista. Afinal, todas as canções do álbum apresentam uma característica especial, desde aquelas que tornaram-se hinos e ainda encontram-se presentes nos set lists dos dias de hoje, até o restante do disco. O curioso é que, em diversos momentos, mesmo com a voz de Brian Johnson nos guiando, parece que nos é possível e permitido sentir a presença de Bon. Isso fica mais evidente em "Let Me Put My Love into You", canção próxima aos moldes de Scott e que funcionou perfeitamente em "Back in Black". "Shoot to Thrill" e "Rock and Roll Ain't Noise Polution" também evidenciam o brilhantismo do grupo em lapidar quase que inconscientemente as suas canções, assim como em "Shake a Leg". As demais, como "Hells Bells", "Give the Dog a Bone", "You Shook Me All Night long" e a própria faixa-título dispensam comentários: são um verdadeiro legado da banda para a humanidade.

Olhando para a história do grupo, também é possível perceber que o AC/DC é uma das poucas bandas que não se preocupam em singrar por novos mares em busca de novas sonoridades. Sua música é uma espécie de patrimônio do qual a banda é incapaz de se desfazer. É fato: há quase 40 anos o AC/DC utiliza a mesma fórmula sem ser repetitivo ou vazio, fazendo e produzindo o que tem de melhor, uma música direta, objetiva e capaz de sacudir até o mais denso efermo. Sobre este fato, "Back in Black" representa uma espécie de coroação, como a amostra da força da banda que, em seu pior momento, foi capaz de brindar o mundo com um dos melhores discos de rock da história, capaz de ser agradável até nos ruídos que dividem as canções em seu formato original, em vinil. É o rock n' roll em sublimação, captado no ar e transformado em arte, como há muito não é feito.

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