Mais um capítulo na guerra Tarja x Nightwish?

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Por Rafael Carnovale
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Quem vem acompanhando a enxurrada de fatos que cercam a demissão da cantora lírica Tarja Turunen da banda finlandesa Nightwish com certeza pode estar externando dois tipos distintos de reação: ou se mostra abalado, afinal a banda perde sua cantora, sua voz, e uma pessoa que saiu do anonimato para se fixar na hitstória do heavy metal, ou o espanto de ver que apenas, e tão somente a saída de um integrante de mais uma banda qualquer ganha ares de novela mexicana, com discussões, acusações de preconceito, ofensas, ironias e até mesmo choro... SIM! Choro... afinal, Tarja deu uma coletiva aonde chorou ao falar sobre o caso.

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Inicialmente venho a propor aos leitores um desafio: tentem assistir uma novela mexicana: não vou citar nomes nem emissoras, por motivos éticos, mas não é difícil de se achar, pois geralmente ocupam os horários das 13:00 as 17:00 horas de segunda a sexta feira, e vejam como as histórias são semelhantes: excesso de conflitos, momentos de crise e êxtase (com alternância em décimos de segundo) e sempre um vilão e um mocinho (ou vilã e mocinha, tanto faz). Com isso tudo, o que quero dizer é que este episódio só vem a macular a brilhante carreira destes finlandeses, que lançaram em 1997 seu primeiro CD, “Angels Fall First”.

Vamos voltar no tempo e recapitular alguns pontos desta tragicômica história (se continuar assim vai bater as doideiras de Timo Tolkki e Stratovarius):

Tarja entra na banda.

A banda lança “Angels Fall First” e desponta como um dos nomes promissores do metal com vocais femininos.

Tarja ainda era uma garota “cheinha”, mas mostrava um potencial vocal impressionante.

A banda segue na ativa e lança “Oceanborn”, um dos seus melhores trabalhos.

Tarja já aparece mais “sexy” nas fotos, com alguns quilos a menos e com um realce muito interessante em seus atributos.

A banda segue lançando bons CD´s: “Wishmaster” e o EP/CD “Over The Hills and Far Away”, além do DVD “From Wishes to Eternity”.

Tocam no Brasil em 2000. Apesar da fama, que os fez lotar o Via Funchal, ainda podiam se dar ao luxo de passear livremente na Galeria do Rock em São Paulo.

Surgem as primeiras fagulhas entre Tarja e Tuomas Holopainén, ou pelo menos as primeiras que são trazidas a imprensa. Tarja estaria querendo dar mais tempo a seus estudos de canto lírico e música erudita, e declarava abertamente não ser uma fã de heavy metal.

Ainda assim a banda lança em 2002 “Century Child”, um dos CD´s mais controversos de sua carreira. Aclamado por muitos, mas considerado por outros um ponto fraco.

Tocam no Brasil no mesmo ano. Agora já possuem uma reputação de “superstars”, apesar de ainda poderem ter uma certa tranqüilidade. Os boatos que Tarja deixaria a banda após a turnê crescem, embora todos os lados neguem o fato. No final de 2003 chega ao mercado o DVD “End of Innocence”, com uma retrospectiva da carreira da banda, e trechos de shows.

A banda dá uma parada de quase 2 anos, aonde Tarja se dedica a seus estudos e inicia o projeto “Noches Escandinavas” (que tocaria no Brasil em 2004), interpretando com outros cantores músicas eruditas.

Nesse meio-tempo, ela está casada com Marcelo Cabúli, empresário argentino, que segundo é relatado, teria transformado a integrante do Nightwish em uma DIVA, dando-lhe um “status” bem superior ao concebido a seus colegas de banda.

Em 2004 lançam “Once”. A mídia aclama o CD, realmente muito bom, e a banda ganha enfim ares de super-grupo, com apresentações lotadas no Brasil no mesmo ano e aparições como “headliner” em vários festivais.

Boatos dão conta que Tarja não viajava mais com os outros membros do Nightwish, e que a mesma se considerava uma “convidada de luxo”.

A banda promete um grande DVD para 2005, e depois férias prolongadas.

Tocam de novo no Brasil, como “co-headliners” do “Live and Louder Rock Fest”. Um grande show, mas nota-se claramente que as diferenças entre Tarja e Nightwish chegam ao palco: distanciamento, pouco diálogo e Marco Heitala (baixo) assumindo de vez o posto de “frontman”.

A banda grava na Finlândia o DVD “End of na Era” e logo depois demite a vocalista.

O resto é de conhecimento do público.

Esse pequeno resumo mostra que as diferenças entre a banda e sua vocalista já vinham acontecendo, em pequena escala. Mas ao contrário do Ramones, que não deixava suas diferenças irem para o palco, ou do Metallica, que contratou um especialista para lidar com isso, o Nightwish não foi capaz de administrar tal fato, e a culpa foi espalhada para várias pessoas, incluindo:

Tarja a super-estrela e Marcelo, o empresário ambicioso

Tuomas, o mentor invejoso, que não aceitava que sua cantora tinha mais ascenção na mídia que ele mesmo, que criou todo o conceito do Nightwish.

Marco, Emppu e Jukka, os omissos.

No meio disto tudo, a coletânea “Highest Hopes” é lançada, com 16 músicas que abrangem toda a carreira do Nightwish. Para quem não tem nada da banda, ou que começou a ouvir o conjunto após a exaustiva exposição que “Once” recebeu da mídia, é um prato cheio para conhecer um pouco a história deste quintento. Para quem já acompanha, de nada serve, apenas para completar a coleção.

O CD apenas reforça uma tese que mantenho há anos: como o Nightwish era bom... não que “Wish I Had an Angel” e “Nemo”, ou as mais antigas “Wishmaster”, “Bless the Child”, “Dead to the World” (cantada em sua maioria por Marco e uma das favoritas deste que vos escreve” sejam ruins. Mas particularmente considero o Nightwish de “Stargazers”, “The Kinslayer”, “Elevenpath”, “Deep Silent Complete” e “Sacrament of Wilderness” uma banda muito mais interessante e cativante. Não há tantos exageros, flertes com o comercialismo, apesar das músicas continuarem bem intrincadas. Não havia um compromisso com vendas, ou sucesso.

Quem curte coisas novas irá gostar da versão “2005” para “Sleeping Sun” ou para “High Hopes” (do Pink Floyd), que aqui ganhou uma roupagem deprê e bem gótica, estilo com o qual o Nightwish foi associado no início de sua carreira. No mais, apenas mais um capítulo desta ridícula, exagerada e estúpida história criada por Tuomas e Tarja, que vai inclusive virar livro em 2006! Pasmem... imagine você, em sua livraria preferida, pegando ao mesmo tempo um livro relevante como “O Segredo dos Presidentes” (Geneton Morais Neto) e algo do tipo “Porque Tarja Saiu”, de Tuomas Holopainén. Entra no “hall” da fama dos ridículos, com certeza.

Finalizando gostaria de propor duas comparações:

Na primeira vamos comparar esta história aos acontecimentos com o Stratovarius em 2003,2004 e em 2005. A banda passava por um momento de transição: ficava eternamente ligada ao estilo de seus últimos CD´s, e parecia perder sua criatividade (“Elements I e II” em quase nada diferem de “Infinity”, que em quase nada difere de “Destiny”, que em nada difere do clássico “Visions”). Timo Tolkki demite Timo Kotipelto por desavenças (o mentor manda embora o vocalista), a banda chega a anunciar uma nova formação (com uma suposta vocalista chamada MISS K), merda voa para tudo quanto é lado de ambas as partes, Timo sofre acidentes, atentados e é internado com problemas mentais, recobra a serenidade, chama Kotipelto de volta e a banda lança um novo CD... tudo isso em apenas um ano e meio.

Na segunda vamos dar uma viajada e comparar o drama do Nightwish a uma história que a princípio nada tem a ver: a morte do Super Homem nas revistas em quadrinhos: O super-herói (pioneiro das histórias e um dos símbolos do poder norte-americano) vivia uma fase de crise: suas histórias estavam se repetindo e o mesmo havia sido superado pelas histórias mais dramáticas de personagens como “Sandman” e “X-Men”. A idéia de um homem de aço, que voava e lutava contra vilões previsíveis acabou por criar outros heróis que seguiram o princípio de que a criatura acaba sobrepondo-se a seu criador. A solução? Mata-lo! Sim... uma série de histórias foram criadas, e desembocaram numa luta contra o mortal vilão Apocalypse, que culminou na morte de ambos. Os quadrinhos ficaram de luto... a América também... mas eis que tempos depois uma seqüência de histórias traz de volta o super-herói, desta vez com uma revisão completa da ideologia da DC Comics, que distribuía suas revistas. E hoje o mesmo não é apenas mais um herói, e sim parte de um contexto de heróis (que incluem Batman, Mulher Maravilha e outros) que se mantém unido e forte. E as revistas voltaram a vender.

O que quero dizer com isso tudo? Que Tarja está mais para o Super Homem ou para Timo Kotipelto do que parece... vamos aguardar os acontecimentos... mas nessa situação tenho 80% (os 20% restantes ficam pela esperança de que eu esteja errado) de que tudo isso acabe como as CPI´s brasileiras: numa grande, pomposa e (principalmente) finlandesa PIZZA!

Malhem-me... mas este é o meu ponto de vista... sei que os fãs recém convertidos ao Nightwish (que carinhosamente chamo de “Fraldinhas Turunen”) irão me execrar... mas o tempo dirá se Tuomas está sendo justo... ou apenas mais um oportunista dentre tantos que dominam o mundo da música. E o pobre Marcelo... será que isso dá divórcio? (Risos).

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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