Rock and a hard place
Por Daniel Corrêa Sanes
Postado em 24 de fevereiro de 2004
Não é fácil ser roqueiro. Em nenhum lugar do mundo. Aliás, ninguém o é porque quer, mas porque está dentro de si a paixão por esse estilo apaixonante de música. Se fosse para escolhermos um tipo de som, era mais fácil ser pagodeiro, sertanejo, funkeiro... Afinal, por mais que estes estilos tenham seus detratores (muito prazer, sou um deles), não sofrem tanto preconceito quanto o rock’n’roll. E sabe por quê? Porque o rock contesta tudo o que a sociedade conservadora defende, não só musicalmente, mas em termos de valores, moda e comportamento.
Mas ao ler a sessão de cartas de revistas especializadas ou livros de assinaturas de sites, podemos perceber que curtir rock é ainda mais complicado para quem está distante dos grandes centros. Se morar no interior já é um "pouquinho" diferente de estar em Nova York, Londres ou São Paulo, o que dizer de quem resolve assumir sua paixão pelo rock’n’roll numa cidade pequena?
Tenho vinte e cinco anos, há quase dois sou jornalista e moro em Santa Vitória do Palmar – RS. Para quem nunca ouviu falar – muitos, provavelmente – é a penúltima cidade do Brasil (alguns quilômetros antes do Chuí, famoso pela conexão com o longínquo Oiapoque em uma expressão popular). Pois bem, amigos. Aqui não há loja de CDs de rock. Aliás, sequer há uma loja de discos decente. Shows? Rá, rá, rá... Façam-me rir! De quando em quando a mesma meia dúzia de gatos pingados se reúne, monta uma banda e toca para um público ínfimo, formado em parte por outros músicos que não estão tocando naquele momento. Rádios? Há uma, sim. Mas ela só toca trilha sonora de novela, "love songs" e o que de pior rola em programas tipo Faustão e Gugu.
Não bastasse isso, usar camiseta de banda é pedir para ser olhado com assombro pelas pessoas. Há quem chegue a evitar passar na mesma calçada em que um cabeludo vestido de preto. Será que essas pessoas acham que vão ser violentadas por algum servidor do demônio?
Como podem ver, se ser roqueiro (termo que soa meio pejorativo, mas deixa pra lá) já é difícil por causa do preconceito, imagine quando sequer se tem oportunidade de conhecer a boa música? Sem querer parecer pretensioso, me sinto privilegiado por poder ter viajado e estudado em outros lugares. Só dessa forma pude adquirir bons discos e ver alguns shows memoráveis. Lamento pelos que não têm essa chance.
Mesmo assim, é muito legal ver que, mesmo com todos esses obstáculos, o estilo está se espalhando até mesmo aqui, longe demais das capitais, como diria a "pseudodivindade" Humberto Gessinger. Apesar de o pessoal só ter oportunidade de conhecer megabandas como Metallica, Guns, Nirvana, Iron Maiden, Aerosmith, já é um começo...
O negócio é não esmorecer e tocar a bola pra frente: buscar informações, comprar CDs (ou gravar, se a grana for curta) e, quando der, juntar uns trocados e ir a um show. Não é mole, eu sei. Mas só dessa maneira podemos romper a barreira que nos separa dos grandes centros. E manter no topo um estilo que já está aí há 50 anos, enfrentando tudo e a todos sem nunca entregar os pontos.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O membro do Iron Maiden que "não aguenta mais e quer sair", segundo Regis Tadeu
A banda que Max Cavalera considerava a "versão brasileira do Iron Maiden"
Bruce Dickinson quer novo disco do Iron Maiden, Steve Harris não sabe, diz Nicko McBrain
Dez guitarristas que David Gilmour, do Pink Floyd, elogiou ao longo dos anos
Manager de Tony Iommi considerou letras de Jorn Lande "muito sombrias"
A reação dos filhos de James Hetfield quando o Metallica retomou suas masters
Fabio Lione publica desabafo irônico que supostamente mira sua ex-banda, o Angra
Jairo Guedz conta o que ouviu de Andreas Kisser sobre sua saída do Sepultura
Jairo Guedz sobre as regravações dos Cavalera: "A magia, para mim, está no original"
Pearl Jam segue à procura de novo baterista, revela Jeff Ament
Regis Tadeu aponta problema no show do Iron Maiden e explica atitude do atual baterista
O que pode ter arruinado passagem de Dio pelo Black Sabbath, segundo Geezer Butler
Por que o Iron Maiden é tão venerado pelos seus fãs?
Chuck Billy, do Testament, corta os cabelos compridos e mostra novo visual
O guitarrista que Neil Young considera praticamente infalível; "Ele é muito bom"
Eric Clapton responde quem considerava seu concorrente antes de Jimi Hendrix
A canção tão clássica do Deep Purple que todos sabem a letra e Ian Gillan ainda adora cantar
Avenged Sevenfold: Curiosidades sobre a banda que talvez você não saiba

Acender sinalizadores em shows é uma tremenda besteira
O rock e o heavy metal se misturam com a política, sim (e você provavelmente sabe disso)
A declaração de James Hetfield não surpreende, considerando de onde veio
Por que é importante que artistas se posicionem politicamente
O fã não é nenhum idiota, e merece mais respeito
Rock in Rio quer o nome do rock, mas não seu compromisso
Heavy Metal: Bem vinda, Nova Geração da Velha Escola



