Dez anos sem David Bowie; 10 músicas que ajudam a mapear o tamanho da obra
Por Bruce William
Postado em 10 de janeiro de 2026
Em 8 de janeiro de 2016, David Bowie lançou "Blackstar." Dois dias depois, em 10 de janeiro, ele morreu. A coincidência de datas virou um marco inevitável para quem acompanha a trajetória dele - e, agora, completando dez anos, voltam também as tentativas de resumir um catálogo que atravessou personagens, estéticas e décadas sem parecer repetição.
David Bowie - Mais Novidades
A Far Out retomou esse ponto ao publicar uma lista com dez canções que, segundo a proposta do texto, ainda serão lembradas daqui a um século. A seleção funciona menos como "ranking" e mais como um recorte que passa por fases bem distintas, indo do Bowie de 1969 ao Bowie de 2016, com paradas obrigatórias em períodos como Ziggy Stardust e a fase de Berlim.
O começo é quase inevitável: "Space Oddity" aparece como a porta de entrada para a ideia de Bowie criando um personagem e contando uma história inteira dentro de uma canção. E isso ecoa mais tarde na própria lista, quando "Ashes to Ashes" volta ao universo do Major Tom e "Blackstar" fecha o arco com o peso de uma obra final lançada poucos dias antes da morte.
Do recorte do "Ziggy Stardust", a lista coloca lado a lado "Starman" e "Five Years", que conversam pela atmosfera do álbum: uma faixa aponta para o apocalipse no horizonte; a outra se firma como mensagem de esperança via rádio, no meio do pânico. O baterista Woody Woodmansey, falando de "Starman", definiu a música como "o conceito de esperança... 'não estamos sozinhos'... e 'eles' entram em contato com as crianças, não com os adultos... 'deixe as crianças dançarem': música e rock and roll!", lembrando ainda que, para ele, foi ali que a coisa "virou a chave" em termos de alcance popular do Bowie daquele momento.
A fase de Berlim entra com "Heroes", e aqui há uma informação objetiva que sempre volta quando a música é discutida: Bowie já contou que a imagem dos "amantes junto ao Muro" nasceu de algo que ele viu de perto. "Agora eu posso falar. Eu não podia na época. Eu sempre disse que eram dois amantes perto do Muro de Berlim que deram a ideia. Na verdade, eram Tony Visconti e a namorada dele... o Tony era casado na época", disse Bowie, acrescentando que pediu permissão para revelar isso. É uma lembrança que ajuda a entender como ele misturava ficção e vida real sem precisar explicar demais.
A lista também puxa para o lado "ofício" do compositor, com "Moonage Daydream" (outra do "Ziggy Stardust"), "Changes" e "Life on Mars?". No caso de "Moonage Daydream", o próprio Bowie contou que roubou uma solução instrumental de outra música: "Foi uma combinação do sax barítono e do piccolo no solo, e eu pensei: 'olha aí uma coisa ótima para colocar numa música de rock' (risos)... Eu roubei isso e coloquei depois em 'Moonage Daydream'." É o tipo de comentário que desmonta a aura e, ao mesmo tempo, mostra método: referência, apropriação, ajuste.
Em "All the Young Dudes", a lembrança é direta: é um daqueles casos em que Bowie não "puxou para si" a faixa primeiro, porque a música se tornou conhecida na voz do Mott the Hoople - e o fato básico é que ele escreveu e produziu o single. Sobre o sentido da letra, ele foi explícito: "'All the Young Dudes' é uma música sobre essas notícias. Não é um hino à juventude, como as pessoas pensavam. É completamente o oposto."
Fechando o recorte, "Blackstar" aparece como o ponto em que o catálogo encontra, sem rodeios, a ideia de despedida - não como "explicação", mas como obra. Dez anos depois, listas como essa continuam surgindo por um motivo simples: não existe um único Bowie para resumir, e qualquer tentativa de síntese precisa escolher um caminho. Esse, pelo menos, vai do primeiro grande personagem ao último álbum lançado em vida, no intervalo curto entre 8 e 10 de janeiro de 2016.
1969 - "Space Oddity"
1971 - "Changes"
1971 - "Life on Mars?"
1972 - "All the Young Dudes" (Mott the Hoople; escrita/produzida por Bowie)
1972 - "Five Years"
1972 - "Moonage Daydream"
1972 - "Starman"
1977 - "Heroes"
1980 - "Ashes to Ashes"
2016 - "Blackstar"
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Os 50 artistas de rock e metal mais ouvidos de todos os tempos no Spotify
Os oito discos essenciais do thrash alemão, segundo a Ultimate Guitar
Neil Peart, David Gilmour e Sid Wilson não concordam sobre o maior baterista do mundo
As 5 maiores bandas da história do heavy metal, em lista da Forbes
O jovem guitarrista inovador que fez Eric Clapton lembrar da primeira vez que viu Prince
O clássico do Queen que Rick Rubin tentou estragar de propósito; "Era uma gravação perfeita"
O que James Hetfield pensa de cantores que dublam nos próprios shows
A canção que mudou a vida de Jimi Hendrix e completou 60 anos de gravação
O tempo que Lemmy Kilmister levou para escrever "Mama, I'm Coming Home"
O pedido que Steve Harris negou a Nicko McBrain no primeiro show com o Maiden
Ed Motta diz que não é muito fã do Rush por conta da voz de Geddy Lee
Falta de dedicação teria afastado o baterista Nick Menza do Slayer, segundo Kerry King
O único membro do Metallica que saiu por conta própria, segundo Lars Ulrich
A canção de dois adolescentes que impediu "Bohemian Rhapsody" de chegar ao topo das paradas
O que Stewart Copeland ganhava quando as mulheres suspiravam por Sting

A canção que fracassou nas paradas mas ajudou a derrubar o Muro de Berlim
"Blackstar", de David Bowie, é incluída em lista das músicas mais tristes do século XXI
O jardineiro que largou o emprego e, dois dias depois, estava tocando com David Bowie
A melhor música de glam rock de cada ano dos anos 1970, segundo a Loudwire
Hall Of Shame: as melhores músicas ruins da história do Metal
O melhor disco do Sepultura, segundo a Metal Hammer


