'Não somos nostálgicos', diz Halford
Por Thiago Coutinho
Fonte: Revolver Magazine
Postado em 18 de fevereiro de 2005
Em recente entrevista à revista Revolver, o vocalista Rob Halford e os guitarristas Glenn Tipton e KK. Dowing, do recém-reunido JUDAS PRIEST, falaram a respeito do novo trabalho do grupo e do retorno da formação original da banda. Halford assegurou ainda que a banda não quer apenas viver dos clássicos editados em décadas passadas. "O Judas Priest nunca será uma banda nostálgica", bradou o cantor.
Veja os principais excertos do bate-papo logo abaixo:
Revolver — "Angel of Retribution" é um título bem metal.
Rob Halford — Precisava ser assim. Eu disse aos caras: ‘temos que acabar com essa experiência de apenas uma palavra: ‘Painkiller’, ‘Demolition’, ‘Jugulator’". Eu acho importante recapturar aquele senso poético dos outros álbuns, como 'Sad Wings of Destiny', 'Screaming for Vengeance', 'Defenders of the Faith'.
Revolver — Foi você quem trouxe o anjo de 'Sad Wings of Destiny' para a arte deste álbum, certo?
Rob Halford — Não somos uma banda política, mas o título do novo álbum é também um referência ao estado do mundo contemporâneo. Há muitos castigos merecidos e severos por aí, como o caso Enron [N. do T.: empresa energética responsável pelo maior escândalo contábil do mundo], ou tantos outros escândalos contábeis ou mesmo da Igreja Romana Católica. As pessoas estão finalmente mais cientes de suas ações.
Revolver — Vocês também deixaram uma série de referências aos outros álbuns nas letras das músicas novas, não é?
Glen Tipton — Há uma série de visitas aos outros trabalhos, porque sentimos que este era um álbum de reunião, achamos que seria um exemplo perfeito de tudo que fizemos em nossa carreira.
Rob Halford — Queríamos olhar para trás e nos lembrarmos de onde viemos. ‘Deal with the Devil’, por exemplo, fala sobre quando ensaiávamos no Holy’s Joe, que era uma sala de ensaio bem pequena de uma escola primária na rua de uma igreja, e o reverendo local se chamava Joe. O apelido dele era Holy Joe e ele estava sempre bêbado com o vinho da consagração. Esses eram aqueles dias.
Revolver — Quando vocês se dirigem ao passado desta maneira, não temem que sejam tachados de nostálgicos?
Rob Halford — O Judas Priest nunca será uma banda nostálgica. Isso tudo faz parte da nossa longevidade. Nunca ficaremos acomodados com o nosso sucesso.
K.K. Dowing — Isso tudo é mais para acostumar as pessoas a algo que elas costumavam amar. No final dos anos 80, as pessoas não queriam mais aquelas ‘bandas de cabelos longos’, roupas espalhafatosas ou teatrais — ainda que todas essas coisas tenham sido divertidas, aliás. Então, com este álbum quisemos dizer, ‘É legal para você fazer isso. Você cresceu com esta música. Ela estava tocando quando você ficou bêbado pela primeira vez. A primeira garota com quem você transou no banco traseiro do seu carro. Isso ainda é parte de você’.
Revolver — A faixa "Worth Fighting For" é uma balada power clássica, que fala sobre uma relação que não funciona. Se vocês gravarem um vídeo para ela, mostrariam uma relação entre um homem e uma mulher?
Rob Halford — Se fosse comigo, eu mostraria uma relação entre dois garotos.
Revolver — Você faria isso?
Rob Halford — Sim, porque eu sou homossexual. Então, há um debate. Talvez devêssemos fazer uma série de vídeos. Deveríamos mostrar um garoto e uma garota, garotos e garotos, garotas e garotas, negros e brancos, católicos e protestantes. Deveríamos falar sobre todos esses casos. Não sei. Talvez seja melhor mantermos o curso normal das coisas."
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