O dia que Carlos Santana pediu para regravar hit do Skank e Samuel Rosa ficou em choque
Por Gustavo Maiato
Postado em 10 de julho de 2023
O guitarrista mexicano Carlos Santana regravou o clássico "Saideira", do Skank, para seu álbum "Corazón", lançado em 2014. Em entrevista ao Sonoros, Samuel Rosa se recordou dessa ocasião.
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"Eu sempre dei muito valor a essas duas grandes gratificações na música. Uma delas é quando uma música sua se torna popular e é cantada por todos, mesmo que tenha começado apenas como uma ideia no seu quartinho, com um violão. De repente, você está no meio de tudo, e todo mundo está cantando aquilo. É algo incrível.
A outra gratificação é quando um grande ídolo reconhece o seu trabalho. Lembro-me do dia em que recebi um telefonema aqui em São Paulo, e a gravadora me disse: "Carlos Santana quer gravar 'Saideira' com você cantando. Você aceita?" Fiquei quase em choque", disse.
Confira o hit:
Na mesma ocasião, Samuel Rosa fez questão de deixar claro que não se sente um "inventor" de nada na música.
"Quero deixar claro que eu não sou um inventor. Há pessoas que já fizeram coisas antes de mim. Você mencionou que ninguém fez algo parecido antes, e é difícil encontrar algo assim. Mas há alguns artistas que chegaram a uma síntese musical muito única, uma expressão que não é derivativa.
Às vezes, as pessoas dizem: "Isso é muito derivativo", mas a verdade é que a música vai se moldando e se transformando ao longo do tempo. Na música pop, você sabe quantas expressões e sequências harmônicas são repetidas, mas são transformadas e parecem algo completamente diferente. No entanto, não é algo totalmente novo, é apenas uma variação daquilo que já existe".
Samuel Rosa também explicou durante o bate papo alguns dos vários motivos que levaram o Skank a encerrar as atividades em 2023.
"Uma banda só deve existir enquanto ela produz música e acredita naquilo que está produzindo. Não dá para ver o Keith Richards tomando tombo no palco como foi o caso dos Rolling Stones, não acho isso bonito. Desculpa, mas não acho bonito o que isso tem. Ou então ter que parar o show do Kiss porque o cara está passando mal com um calor de Manaus.
Há um tempo em que a banda, ao se perpetuar, começa perigosamente a jogar contra o patrimônio, a sabotar aquilo que ela construiu. E eu não quero que o Skank passe por isso, que o Skank faça um reencontro assim como os Titãs estão fazendo, que eu acho louvável, acho bonito fazer isso, legal.
Ah, vamos fazer 20 shows pontuais depois de 15 anos, uma comemoração. Eu acho bonito essa celebração, mas daí você ficar deixar de ser um polo produtivo de música. O Skank fez isso durante muito tempo, mas é notório olhar que isso foi minguando nos últimos anos, para ser simplesmente os caras que defendem suas próprias músicas".
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