Roy Z fala sobre novo álbum de Bruce Dickinson
Por Thiago Coutinho
Fonte: Well Being Network
Postado em 05 de julho de 2005
Em uma longa entrevista concedida ao site The Bruce Dickinson Well Being Network, o guitarrista e produtor ROY Z falou sobre o novo álbum do vocalista Bruce Dickinson, "Tyranny of Souls". Entre diversos aspectos técnicos (afinação das guitarras, estúdios etc.), Roy falou a respeito da ausência de Adrian Smith no álbum e do processo de composição do trabalho. Clique aqui para ler o bate-papo na íntegra ou confira os principais excertos logo abaixo:
TBWBN — Na última vez que falei com você, há quase quatro anos, nós havíamos discutido a respeito do próximo trabalho após o ‘Chemical Wedding’ e você disse que queria fazer uma extensão deste álbum, como se fosse uma nova fase. Você acredita que alcançou isso?
Roy Z — Sim, é particularmente uma extensão do ‘Chemical Wedding’ e do ‘Accident of Birth’. Acho que é um encontro, um cruzamento entre os dois projetos. Originalmente, nós escrevemos muito material logo depois que lançamos o ‘Chemical Wedding’. Mas não usamos muito do que escrevemos neste período.
TBWBN — Eu senti que você desenvolveu um lado bem ‘Chemical Wedding’ mas ao mesmo tempo retornou bastante ao som de ‘Accident of Birth’. Sem abaixar o tom das guitarras e tal.
Roy Z — Nada de abaixar para A ou B foi algo que resolvi mudar no último minuto. Abaixar o tom é normal hoje em dia. Mas elevá-los não é normal hoje em dia no heavy metal.
TBWBN — Acho que o álbum soa demais. Para mim ficou algo como um som dos anos 80 atualizado, se é que você me entende. Ele tem um som claro, não é um álbum com uma sonoridade suja.
Roy Z — Acho que agora que as pessoas têm esses CD e DVDs players caríssimos, elas querem um som mais claro. Nós apenas procuramos pelo som mais claro que poderíamos colocar neste projeto. O Bruce não esteve conosco enquanto procurávamos por este som. Então, eu apenas procurei por aquilo que sei que ele gosta. Eu não diria "anos oitenta"... mas ele realmente adora as produções que o Martin Birch fazia [N. do T.: antigo produtor do Maiden].
TBWBN — Foi isso que eu quis dizer ao mencionar a "sonoridade dos anos 80".
Roy Z — Eu estava pensando em algo como Heaven and Hell (Black Sabbath), Number of the Beast (Iron Maiden) e Holy Diver (Dio).
TBWBN — Exatamente, era este o meu ponto.
Roy Z — Lega... parabéns, Mathias [risos].
TBWBN — Este álbum foi escrito por um longo período. Quando eu falei com você, em 2001, você disse que já havia seis demos prontas. Esse tempo todo afetou o resultado final de alguma maneira?
Roy Z — Todas aquelas músicas que escrevemos, usamos ‘Broken’ e ‘Silver Wings’ para a coletânea ‘Best of’. Nós ainda temos algum material daquele período, mas as que acabamos usando foram ‘Believil’ e ‘Tyranny of Souls’. Essas foram demos que escrevemos naquela época e que apareceram agora no álbum. Algumas das outras faixas simplesmente não faziam mais parte.
TBWBN — Quando então vocês dois começaram a trabalhar no álbum que estamos ouvindo hoje? Tirando essas duas faixas.
Roy Z — Acho que foi mais ou menos em novembro de 2003.
TBWBN — Então não foi há tanto tempo assim.
Roy Z — Não foi, foi algo mais ou menos assim: o Bruce chegou e me disse, ‘vamos escrever muito de material’. Então ele pegou oito das vinte músicas que eu lhe mandei. E ele disse ainda: ‘quer usar ‘Believil’, ‘Tyranny of Souls’ e uma faixa chamada ‘Eternal’", que também era para estar no álbum, mas no último minuto nós decidimos que ela não iria para o álbum, mas sim mas para algum lado B do single ou uma faixa-bônus [N. do T.: na verdade, a faixa foi usada como bônus na edição japonesa do álbum].
TBWBN — O álbum é, se comparado com outros atualmente, muito curto, apenas 44 minutos. Essa foi uma decisão consciente de vocês dois ou foi algo que apenas saiu assim?
Roy Z — Eu sei, mais ou menos da perspectiva do Bruce, a duração que ele queria que este álbum tivesse. Muitas pessoas estão fazendo álbuns curtos e mais agradáveis. Qualidade sobre qualidade era o nosso objetivo. Para mim isso foi fácil, pois eram apenas dez canções, ao invés de treze ou quatorze. Isso tornou o trabalho bem mais fácil. Eu também acho que as pessoas se atentam apenas a dez faixas, as faixas extras são apenas para preencher o espaço, você me entende?
TBWBN — Acho que isso foi muito bom, pois a maioria dos CDs hoje em dia são muito longos, acho que nesses álbum há muito material que deveria estar nos lados B de singles.
Roy Z — Acho que uma banda que começou a seguir esta onda foi o The Darkness. Eles fizeram um álbum bem curto. O System of a Down também. O álbum deles tem apenas 33 minutos. Isso começou com o The Darkness e agora as pessoas estão fazendo álbuns mais curtos.
TBWBN — Acho que quando a tecnologia dos CDs chegou, as pessoas estão fazendo álbuns duplos sem realmente saber disso. Os álbuns que vieram depois de 1992 e 1993 eram bem longos. Havia muito material bônus que não era bom o suficiente. Mas, por outro lado, isso era positivo. Por conta disso, as pessoas podiam ter o seu "próprio" álbum. Ouvir as faixas que normalmente não estariam lá. Mas, de um modo geral, a qualidade das gravações foi decaindo.
Roy Z — Eu gosto de álbuns como o ‘The Number of the Beast’. Quando ele acaba, você quer mais e mais e começa a tocar o disco novamente. Eu amo isso.
TBWBN — Isso mesmo. Continuando, onde o álbum foi gravado?
Roy Z — Foi gravado em três estúdios. Um chamado Castle Oaks, em Calabasas. O outr em San Diego, em um estúdio chamado Signature Sound e o restante na minha sala de jantar.
TBWBN — Mas vocês não podiam cantar com muita comida no estômago, podiam? [risos]
Roy Z — Não, você não podia fazer isso, mas era mais fácil quando você precisava de alguma cerveja [risos].
TBWBN — Imagino. Agora, a respeito dos outros dois estúdios que você mencionou, o que vocês gravaram nele? O baixo, a bateria? Ou vocês gravaram mais desse material em casa?
Roy Z — A maior parte dos vocais, guitarras e overdubs... devo dizer que a maior parte disso foi gravado em minha sala de jantar. A bateria simplesmente não poderia ser feita assim. Não é nada demais gravar em casa. Você apenas não está usando rios de dinheiro para usar apenas um canal na mesa de som. Por que alugar um estúdio inteiro, uma mesa de som quando você está usando apenas um canal ou dois quando se está fazendo os overdubs e tal?
TBWBN — Você não teve problemas como seus vizinhos com o som das guitarras e tal? [risos]
Roy Z — Não. Felizmente, sou capaz de captar um ótimo som sem utilizar um volume muito alto. Eu não vivo em uma dessas comunidades com vizinhos ao lado. Quer dizer, há um bom espaço entre nós.
TBWBN — O álbum foi gravado em um longo ou curto espaço de tempo? Você disse que começaram a gravar o álbum em meados de 2003. Vocês começaram a gravar o álbum logo em seguida ou usaram muito tempo para gravar o álbum?
Roy Z — Eu sempre gravo as minhas partes em dois ou três takes. Na maioria das vezes no primeiro take. Devido a minha experiência através dos anos, aprendi que os primeiros takes são sempre os mais excitantes. Fiz minhas guitarras antes de quaisquer partes serem gravadas! Fiz 99% dos meus solos assim. Eu nem percebi que estava gravado, pois em minha cabeça eu ainda ia gravar outros takes. Mas quando gravei outros takes, notei que eles não tinham a mesma energia, a mesma vibração. O mesmo acontece com o Bruce. Ele geralmente grava uns quatro takes, e daí nós escolhemos o melhor dos quatro. Ele é muito profissional, muito consistente. Ele vai direto ao ponto.
TBWBN — Vocês não tinham uma banda para gravar desta vez, não é?
Roy Z — Nós tínhamos o baterista Dave Moreno. Ele é demais. Alguém com quem trabalho a todo tempo agora. Ele está na minha banda. Ele e eu desenvolvemos uma espécie de telepatia em que ele sabe exatamente o que vou lhe pedir e começa a tocar. Então, ele é bem rápido. Ele sabe o que tocar exatamente em cada uma das canções. Ele tem muita experiência como músico de estúdio aqui em Los Angeles, era o cara perfeito para nós.
TBWBN — Onde vocês o encontraram?
Roy Z — Ele é meu amigo desde que tínhamos 13 ou 14 anos.
TBWBN — Sobre os outros músicos, Juan Perez que tocou baixo.
Roy Z — Juan é um talento incrível. Ele pode tocar qualquer coisa. Salsa, barroco, qualquer coisa. É um cara super talento. Ele teve um projeto muito legal com o Dave Lombardo [N. do T.: baterista do Slayer]. Chamava-se Clegg Muzzel. Ele está muito por dentro de riffs pesados e eu o escolhi devido a essa energia pesada, eu pensei que ele podia trazer um pouco da energia do Slayer para nós. E ele fez um trabalho muito bom.
TBWBN — Em que faixas ele tocou?
Roy Z — ‘Abduction’ e ‘Soul Intruders’.
TBWBN — E quanto ao Ray ‘The Geezer’ Burke’?
Roy Z — A primeira vez que o vi eu não sabia. Ele mandou uma fita e uma foto. Ele faria uma audição para uma banda que eu tocava, chamada Warrior. Enquanto eu crescia, essa era minha banda local preferida.
TBWBN — E o tecladista, o tal do Mistheria?
Roy Z — Ele também é um maldito mistério para mim, eu nunca encontrei o cara. Fantástico, muito profissional. Apenas nos correspondemos via internet. Já tive o prazer de trabalhar com ele em outros projetos e ele sempre entrega tudo a tempo. Mandamos sugestões de sons que ele deveria tocar e ele nos enviava por e-mail exatamente o que queríamos. Ele nos mandava umas vinte e três versões de cada música e Bruce escolhia as que gostava.
TBWBN — Ele fez um bom trabalho neste álbum do Bruce. Na verdade, nem sou muito fã desses caras que tocam à velocidade da luz. Ele não toca assim em ‘Tyranny of Souls’.
Roy Z — Você tem apenas que dizer a ele o que quer. Ele pode fazer qualquer coisa. Ele toca esse material mais atmosférico muito bem. Para mim, ele foi muito importante para este álbum.
TBWBN — Quais as faixas que estariam no projeto ‘The Trinity’ e acabaram neste álbum? [N. do T.: este projeto contaria com Bruce, o vocalista do Queensryche, Geoff Tate, e vocalista Rob Halford, do Judas Priest]
Roy Z — Que me lembre, ‘Tyranny of Souls’ é uma delas. Você pode ouvir exatamente o Bruce, o Tate e o Halford nesta música. E talvez ‘Believil’ e ‘Eternal’.
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