Forastieri: um adeus digno a David Bowie
Por Claudinei José de Oliveira
Fonte: R7
Postado em 16 de janeiro de 2016
Assim como aconteceu com Lemmy, há bem poucos dias atrás, a morte de David Bowie despertou uma enxurrada de "homenagens" na Internet, todas merecidas, porém, nem todas à altura do homenageado. É que a presença da morte torna o momento inadequado para reflexão, pois as chances da mente descambar para o sentimentalismo são imensas e o raciocínio guiando pelo sentimentalismo tende, fortemente, ao patético.
Qualquer pessoa com um mínimo de discernimento sobre cultura pop há de reconhecer o imenso legado do "camaleão", para o bem e para o mal. Como sabiamente apontando pelo jornalista André Forastieri, admirador confesso da obra de Bowie, no seu texto de despedida, ele "(...) É tudo que todo mundo depois dele quis ser. E frequentemente foi: de Madonna e Michael Jackson a Lady Gaga e Lana Del Rey e quem você quiser."
Malandro que só, Forastieri sabe muito bem serem grandes as chances de nossa última homenagem a uma pessoa querida soar piegas e, assim, recorreu a um texto de uns três meses atrás, no qual, sob o título de "Bowie Já Vai Tarde", comentava a notícia, dada pelo promotor de turnês do artista, de que ele não realizaria mais shows.
Assim sendo, antes de uma homenagem de despedida, podemos ler uma eficaz reflexão sobre a condição da música atual, onde o desafio e a originalidade, tão caros à condição artística do "camaleão", foram substituídos por uma segurança conservadora mais afeita aos museus e parques temáticos. Nas palavras do próprio Forastieri:
"David Bowie nunca mais excursionará. Ótimo. O rock já é uma gerontocracia. Podemos dispensar outro brontossauro engambelando tiozinhos e sobrinhos em arapucas corporativas, parques temáticos para rebeldes de araque. Choram os fãs? Os admiradores batem palmas e torcem para que Bowie nunca mais pise em um palco."
Enquanto muita gente chora as pitangas diante do inclemente passar do tempo, querendo que seus ídolos, da carne e osso se arrastem, mesmo que feito zumbis, tocando eternamente aquela mesma música sobre a face do Planeta, Forastieri rema contra a corrente:
"Bowie não precisa arrastar a carcaça pelos palcos do mundo para pagar as contas, que bom. A mostra de suas roupas e badulaques, que passou por São Paulo, já foi show suficiente. E suas "tours" legendárias estão aí na internet para quem quiser se deslumbrar, pela primeira vez, para sempre, e cada um com sua favorita. "Serious Moonlight", a mais solar, já viu?"
Apesar de sensato, o texto deixa entrever que mesmo seu autor, como fã, está preso a um momento histórico relevante na obra do artista. O fã "merece o silêncio" de seu artista preferido. Caso contrário, que o artista toque, então, sempre aquela mesma velha música, cuja letra sabemos de cor e salteado, ficando "Fácil, extremamente fácil, pra você e eu e todo mundo cantar juntos"...
O texto completo pode ser lido no link abaixo.
http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2016/01/11/o-longo-furioso-adeus-de-david-bowie/
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