Downward Path: Um exemplo de resistência no underground
Por Ricardo Santos
Fonte: Humberto Finatti
Postado em 20 de novembro de 2017
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Alguém em sã consciência consegue imaginar ou vislumbrar que um grupo de rock alternativo e que ainda por cima trafega por e possui influências de estilos ainda mais subterrâneos (como gothic rock, electro goth, industrial e darkwave), consiga se manter em atividade por quase duas décadas em um país como o Brasil, onde o cenário rock (seja ele de nomes populares ou de bandas que trafegam no circuito independente) sofre cada vez mais com todo tipo de problema (falta de bons espaços para se apresentar ao vivo, de apoio da mídia e de selos que se disponham a investir no trabalho dos músicos) e também com a crise econômica cruel que assola o país no final de 2016?
Pois esse grupo existe e vai completar 21 anos de atividades em fevereiro de 2018. Trata-se do THE DOWNWARD PATH, trio formado pela vocalista e tecladista Vivian Eisenacher, pela baixista e tecladista Arianne Damianovici e pelo vocalista, guitarrista, multi-instrumentista e compositor Ricardo Santos. Um conjunto que já possui uma longa folha de serviços prestados ao underground rock paulistano e nacional e que, por isso mesmo, já possui um fiel séquito de fãs dentre os que apreciam as nuances sonoras mais alternativas e obscuras do cenário rock’n’roll brasileiro.
A história do grupo começa na verdade em 1995 quando o então adolescente Ricardo Santos resolveu montar junto com amigos próximos sua primeira banda. Que tocava covers de nomes célebres do rock e do pós-punk inglês dos anos 80’ que eram a paixão dos garotos: THE CURE, BAUHAUS, THE SMITHS, DEPECHE MODE, OMD. Não demorou muito e a turma começou a compor material próprio por volta de 1996. Foi quando ela ampliou seu leque de influências (passando a abarcar eflúvios sonoros de nomes como COCTEAU TWINS, COLLECTION D'ARNELL ANDREA E SIOUXSIE & THE BANSHEES) e tentou estabilizar um line up onde todos tivessem paixão pelos mesmos nomes da música alternativa. No entanto, o que viria a se tornar o DOWNWARD PATH sofreu várias alterações em sua formação e entrou em uma pausa nos seus trabalhos, que durou até 2001. Foi quando Ricardo também partiu para montar outros projetos (como o IN AURORAM) e resolveu se dedicar com afinco ao trabalho de composição e como músico.
Esse empenho acabou renovando as forças criativas do músico além de render uma trajetória que ao longo da última década e meia produziu ótimo material de estúdio e também levou a banda a participar de vários festivais (como o já clássico WoodGothic Festival, em São Thomé Das Letras, Minas Gerais, Wave Festival em São Paulo, CWB Gothic Festival em Curitiba entre outros) e a tocar com lendas do rock BR dos 80’, como o vocalista, guitarrista e fundador do grupo CABINE C E TITÃS, o poeta CIRO PESSOA, além de dividir palcos com ícones como TRISOMIE 21 (FR), CHIRON/IKON (AUS) E VOMITO NEGRO (BEL) e bandas já icônicas no cenário nacional como 3LEGIA, DAS PROJEKT, SCARLET LEAVES, INDIVIDUAL INDUSTRY, PLASTIQUE NOIR, MODUS OPERANDI, etc. Nesse mesmo período a banda ainda grava com PAUL DEVINE (SIIIII, NICEVILLE UK) E DEMONA BAST. Além disso, as canções registradas em estúdio pelo quarteto começaram a circular em coletâneas de prestígio, como a já conhecidíssima série "De Profundis", organizada pelo literato, poeta e produtor Morpheus Afinnitto e lançada pelo selo paulistano Baratos Afins, (um dos mais conhecidos da cena independente nacional e que já existe há mais de trinta anos), "God is Goth" (Wave Records, um dos poucos selos que ainda resistem no underground nacional) além de vários remixes feitos para bandas como 3 COLD MEN, DOMINION, INDIVIDUAL INDUSTRY, entre vários outros.
Mas mesmo todo esse empenho, uma reconhecida qualidade sonora e essa trajetória já eivada de momentos preciosos (com grandes apresentações ao vivo e grandes músicas circulando em plataformas físicas e digitais) não são suficientes para manter uma banda em evidencia, por melhor que ela seja. E Ricardo Santos sabe muito bem disso. Tanto que, aos quase vinte anos de existência do DOWNWARD PATH, o músico segue mais ativo do que nunca junto aos seus companheiros de banda, além de também participar da formação do celebre grupo electro brasileiro H.A.R.R.Y. & THE ADDICT (onde tocava ao lado da lenda e gênio JOHNNY HANSEN), do CLUBE DA MIRAGEM (RJ) e manter projetos pessoais como o STELLA TACITA, VON RICHTHOFEN e A LIFETIME OF TRIALS. A banda planeja para 2018 o lançamento de seu primeiro registro oficial pelo selo Wave Records e fazer o máximo de apresentações ao vivo possíveis.
É uma tarefa árdua e que exige entrega e amor, trafegar pelo rock alternativo no Brasil. Mas o Downward Path sabe muito bem disso e segue firme em sua trajetória, sempre conquistando e impressionando novos públicos e admiradores, dada a excelência de sua obra musical. Sendo que essa obra, com merecimento, já está eternizada no indie rock nacional.
Texto: Humberto Finatti, jornalista musical há 30 anos, com passagens pelas revistas IstoÉ, Bizz, Interview e Rolling Stone e pelos jornais Folha De S. Paulo e O Estado De S. Paulo. Atualmente edita o blog Zap’n’roll, um dos 4 mais acessados da web BR na área de cultura pop e rock alternativo.
Facebook:
https://www.facebook.com/thedownwardpath/
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