Jimmy Page sobre o "Presence": "Não se faz músicas como aquelas caindo de bêbado"
Por André Garcia
Postado em 26 de janeiro de 2023
O ano de 1975 foi complicado para o Led Zeppelin. Seis meses após lançar "Physical Graffiti", Robert Plant sofreu um acidente de carro que o deixou gravemente ferido no braço e na perna. Com aquilo, a turnê que promoveria o disco foi drasticamente reduzida, e a banda se viu obrigada a voltar ao estúdio antes mesmo da virada do ano.
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Dessa forma, entre novembro e dezembro foi gravado seu sétimo (e penúltimo) álbum de estúdio, "Presence". Em meio a tanta turbulência, coube ao guitarrista e líder chamar a responsabilidade. Com isso, o resultado acabou sendo o álbum com maior controle criativo e influência dele desde o primeiro.
Em entrevista para a Classic Rock, Jimmy Page comentou a produção do álbum.
Classic Rock: Muitos presumem que "Presence" seja seu álbum favorito [do Led Zeppelin].
Jimmy Page: Não sei por que eles acham que seja meu álbum favorito. Não tenho nenhum álbum favorito, porque todos significam coisas diferentes para a jornada do Led Zeppelin. O 'Presence' foi produzido em circunstâncias de verdadeiro estresse: Robert estava com a perna engessada, e não sabíamos qual seria o resultado de tudo aquilo na época.
CR: É um álbum muito sombrio, muito intenso.
JP: Aquele levou três semanas para gravar e fazer overdubs [gravações adicionais]. Fizemos no Musicland Studios, em Munique, e, depois de nós, os Rolling Stones. Liguei para eles e pedi alguns dias a mais, como eles ainda estavam ocupados experimentando várias guitarras, permitiram. As faixas estavam prontas, e os vocais de Robert estavam prontos, o que eu ia fazer era o que normalmente fazia (e ainda faço): overdubs e a produção. Lá estávamos eu e o engenheiro Keith Harwood — quem levantasse primeiro, acordava o outro e íamos direto para o estúdio fazer sobreposições de guitarra. A mixagem foi a mesma coisa.
Jagger estava hospedado no mesmo hotel, [então] fui lá para agradecer por ter nos deixado usar o estúdio em seu tempo vago. Ele perguntou "O que vocês fizeram?" Eu respondi "Gravei um álbum, quer ouvir alguma coisa?" Coloquei 'Nobody's Fault But Mine', que ele meio que já conhecia como um blues, e ele ficou bem surpreso."
Embora fazer um álbum em três semanas fosse uma exceção, nunca trabalhei devagar, nem ninguém. Fomos todos muito rápidos e direto ao ponto. Se estivéssemos gravando alguma coisa e não estivesse rolando, parávamos com aquela música e passávamos para outra, não adianta insistir. Isso é algo que levei comigo dos dias de músico de estúdio: você sabe quando a faísca está lá, e você sabe quando ela não está, não adianta insistir, principalmente se você tem outras músicas para fazer."
CR: Quando "Presence" saiu, todo mundo pensou que aquela era a direção que o Led Zeppelin seguiria no futuro…
JP: Sim. Por exemplo, "Tea For One" é excepcional! Foi na mosca, gravada em uns dois takes. O vocal de Robert está fabuloso. Ele fez aquilo [sentado] com a perna engessada, muito longe de casa.
CR: Você não estava mais para lá do que pra cá nas gravações de "Presence"?
JP: Eu estava ligado [risos]! Eu estava seriamente focado. Não se faz músicas como aquelas em tão pouco tempo caindo de bêbado pela rua. Você tem que estar 100% focado.
Embora tenha vendido 3 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos, "Presence" foi o álbum menos vendido do Led Zeppelin, e recebeu críticas mistas. Entre suas 7 faixas destacam-se "Achilles Last Stand" e "Nobody's Fault but Mine".
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