Neil Peart não conseguiria tocar as músicas do AC/DC como Phil Rudd, diz Nuno Bettencourt
Por Bruce William
Postado em 05 de fevereiro de 2024
Tocar de forma técnica e com emoção são abordagens contrastantes na música. A execução técnica destaca a precisão, velocidade e domínio das habilidades teóricas e técnicas do instrumento, sendo prevalente em gêneros como Heavy Metal e Jazz. Por outro lado, tocar com emoção, ou "feeling", enfatiza a expressividade e a conexão emocional com a música, com ênfase na transmissão de emoções e interpretação pessoal. Embora algumas vezes vistas como opostas, muitos músicos buscam um equilíbrio entre técnica e emoção, reconhecendo que ambos os elementos podem coexistir para criar performances musicalmente ricas e envolventes. O equilíbrio escolhido muitas vezes reflete as preferências individuais do músico e o contexto musical em que estão atuando.

Dentre os músicos que conseguiram atingir este equilíbrio está Neil Peart, que entrou para a história como um dos maiores e mais influentes bateristas na história da música, com uma técnica exímia, criatividade inigualável e precisão notável, que fizeram dele uma figura ímpar no mundo do instrumento. Ao longo de sua longa carreira de décadas, Peart cativou os fãs e colegas de profissão com sua habilidade única de fundir complexidade técnica com sensibilidade musical, exibindo uma competência técnica unânime. Sua contribuição para o Rush, tanto como baterista quanto letrista, fez com que a banda atingisse um patamar inigualável de fama e respeito.
E em uma entrevista para o Q1043 New York, resgatada pela Rock Celebrities, Nuno Bettencourt, guitarrista do Extreme e que também toca na banda da cantora Rihanna, discutiu as qualidades das canções simples do Rock, e citou como exemplo músicas do AC/DC com Phil Rudd na bateria, afirmando que Neil Peart, baterista do Rush, não conseguiria tocá-las da mesma forma que Phil.
Nuno começou explicando que existe uma complexidade única por trás de artistas que são considerados "simples", e usou como exemplo o AC/DC: "Você pode ouvir quatro ou cinco vezes uma canção curta e sempre descobrir algo novo nela, e isso me impacta de forma diferente hoje, pois essa é a verdadeira essência da arte do rock and roll. Quando eu era mais novo assisti o AC/DC ao vivo e pensei: 'Oh, Meu Deus. Não é o fato de eles estarem tocando três ou quatro acordes em toda a música, mas os espaços que eles vão deixando, principalmente por tocarem em arenas, onde há muito espaço".
Em seguida, Nuno explica a importância do uso destes espaços e neste ponto ele coloca Neil Peart na jogada: "É o poder dentro destes espaços que impulsiona tudo. E o baterista Phil Rudd não é o Neil Peart, só que Neil Peart provavelmente não conseguiria tocar aquele groove como Phil Rudd faz".
Sabendo que poderia ser mal compreendido, Nuno esclarece então que sua fala não é uma crítica à habilidade de Peart, mas sim um comentário sobre estilos diferentes, explicando: "Sempre me meto em apuros quando digo essas coisas. Como o que eu disse sobre o Slash tocando coisas da Rihanna, as pessoas acham que estou dizendo que o Slash não conseguiria tocar o que eu toquei com a Rihanna", se referindo a uma situação acontecido em meados de 2023, quando ele citou Slash, Richard Fortus se doeu e retrucou e levou uma chapoletada de volta. "As pessoas pensam que estou dizendo agora que o Neil não poderia tocar uma música do AC/DC. Não. Isso não é o que estou dizendo. O que estou dizendo é que se você perguntar aos dois artistas ou até mesmo perguntar a um Slash ou a um Neil Peart sobre um músico mais simples... Eu posso tocar um solo do Angus Young - eu posso aprender exatamente como é. Mas você acha que consigo tocar do mesmo jeito que ele, inserindo a personalidade dele? Mas nem em toda a minha vida"..
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