As provocadoras opiniões de Raul Seixas sobre Kiss, Paralamas do Sucesso e Belchior
Por Gustavo Maiato
Postado em 07 de outubro de 2024
Raul Seixas sempre foi um mestre em criar polêmicas, e suas opiniões sobre outros artistas não ficavam de fora. Ao longo de sua carreira, ele expressou, de forma provocadora, suas opiniões sobre músicos como Belchior, Kiss e Paralamas do Sucesso, deixando clara sua visão crítica sobre o cenário musical.
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Um exemplo emblemático é a canção "Eu Também Vou Reclamar", lançada em 1976 no álbum "Há 10 Mil Anos Atrás". A música faz uma referência direta a Belchior, na época um cantor emergente do Ceará. No verso "Agora sou apenas um latino-americano", Raul cita ironicamente o clássico "Apenas um Rapaz Latino-Americano", de Belchior.
Outro trecho, "Eu vou tirar meu pé da estrada", faz alusão à canção "Velha Roupa Colorida". Apesar da "provocação", a relação entre os dois artistas não foi de hostilidade. "O Belchior não ficou chateado. Tanto que, depois, ele passou a usar a mesma banda do Raul. Eles não tiveram mágoas", relembra uma fonte próxima aos músicos.
Já em 1983, durante uma entrevista com Pedro Bial, Raul Seixas trouxe uma crítica inesperada à banda Kiss, que havia acabado de realizar sua primeira turnê no Brasil. Enquanto tomava um copo de leite durante a conversa, Raul comentou, de forma irônica, sobre a fama exagerada da banda americana.
"As más línguas dizem... são as más línguas tipo a do Kiss, né? Aquela língua enorme que vem para o Brasil não sei fazer o quê", disse Raul, em referência à imagem extravagante de Gene Simmons. Quando questionado por Bial se o Kiss realmente deveria ter vindo ao Brasil, Raul respondeu com sua habitual franqueza: "Nada. São muitos dólares envolvidos e é bobagem pura. Sei lá."
Mas as críticas mais notórias de Raul foram direcionadas ao Paralamas do Sucesso. Em 1986, em entrevista à revista Bizz, Raul se referiu à banda de Herbert Vianna de maneira irônica, chamando-a de "Para-choques do Fracasso". Embora tenha afirmado que gostava do grupo, Raul fez questão de criticar a falta de autenticidade do rock brasileiro da época.
"Eles não têm uma estrutura sólida, estão aceitando ir com a corrente, totalmente disponíveis. Foi o que aconteceu com os hippies, que, com o tempo, passaram até a comprar roupas 'hippies' nas lojas do Sistema", disse Raul, lançando uma crítica ao conformismo.
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