A primeira banda de rock progressivo segundo Neil Peart: "Foi uma bomba atômica explodindo"
Por André Garcia
Postado em 28 de março de 2025
Quando o assunto é rock progressivo, muitos apontam como os maiores representantes do gênero nomes como o Yes, Genesis ou Pink Floyd. Há muitos os que consideram o Rush também, por conta do trabalho que eles fizeram na sequência "Caress of Steel" (1975), "2112" (1976), "A Farewell to Kings" (1977) e "Hemispheres" (1978).
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Mesmo os álbuns seguintes, "Permanent Waves" (1980) e "Moving Pictures" (1982) não sendo mais progressivo, ainda há muito de prog neles, só que em porções menores, mais concisas.
Conforme publicado pela Rock and Roll Garage no documentário Beware of Mr. Baker, o eterno baterista do Rush Neil Peart cravou que considerava o Cream como a primeira banda progressiva do mundo.
"O Cream pode ser considerado a primeira banda progressiva. Eles estavam se libertando das limitações do pop. A conquista mais notável de Ginger Baker que deve ser reconhecida é o primeiro solo de bateria de rock. Eu, como um garoto de 15 anos na época, pensei: 'Isso! Isso! Esse é o baterista de rock que eu quero ser!'"
"Quando uma bomba atômica explodiu daquele jeito [uma revolução no rock inglês na segunda metade dos anos 60] para mim foi o Cream que realmente representou [aquele momento]. Eles dominaram tudo. Eles estavam realmente na vanguarda de uma revolução total no rock. É difícil discordar de que ele [Ginger Baker] foi pioneiro como baterista de rock. Não havia contexto para ele, não havia um arquétipo: ele é o arquétipo!"
O Cream foi formado por Eric Clapton, Ginger Baker e Jack Bruce, e durou só de 1966 a 68. Nesse tempo eles ficaram mundialmente famosos por sua mistura de blues, psicodelia e rock pesado, com longas sessões de improviso onde muitas vezes todos os três solavam ao mesmo tempo. Como disse Neil, Cream foi um dos grandes responsáveis por ter mandado para o ar a estrutura musical que havia se tornado padrão graças aos Beatles. Essa mudança de paradigma representou uma grande liberdade criativa para bandas como Jimi Hendrix, Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath. Do Cream em diante, tudo era possível.
Em entrevista para a Rolling Stone em 2009, Peart tornou a exaltar Baker como uma de suas maiores influências:
"Sua forma de tocar era revolucionária — extrovertida, primitiva e inovadora. Ele definiu o padrão de bateria de rock. Eu [quando estava começando] sem dúvida imitava a abordagem de Ginger em relação ao ritmo: seu som pesado, linear e percussivo era muito inovador. Todos os que vieram depois se basearam nesse alicerce. Desde então, todo baterista de rock foi influenciado de alguma forma por Ginger. Mesmo aqueles que nem sabem disso."
Ao longo dos 40 anos em que integrou o Rush Neil Peart escreveu seu nome na história do rock como um dos mais técnicos e perfeccionistas dos bateristas.
Ao vivo ele sempre fez questão de manter suas apresentações no mais alto nível — até mesmo em sua última turnê, em 2015, quando sua condição física já estava comprometida por problemas como artrite e dores crônicas nos ombros. Coisas decorrentes do desgaste físico de quem passou 40 anos batendo em tambores com baquetas por horas.
Conforme já publicado aqui no Whiplash.Net, em entrevista para a Classic Rock Alex Lifeson relembrou:
"Até teve um momento em que acho que Neil estava disposto a estender a turnê [final do Rush] e fazer mais alguns shows, mas aí ele teve uma infecção dolorosa em um dos pés. Em um determinado momento, ele mal conseguia andar até o palco. Arrumaram um carrinho de golfe para levar ele até o palco. E mesmo assim ele fazia um show de três horas, na mesma intensidade em que tocava em todos os outros shows. Foi incrível, mas acho que esse foi o ponto em que ele decidiu que a turnê só continuaria até o último show em Los Angeles."
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