O refrão de hit dos Beatles que letra é resposta a críticas que receberam de Frank Sinatra
Por Gustavo Maiato
Postado em 13 de março de 2025
Sempre que um artista grande surge com um som inovador e que arrebata os jovens, as gerações passadas tendem a não curtir e até mesmo a criticar. O lendário Frank Sinatra não passou impune por essa regra e no ano de 1966 trocou farpas com o Quarteto de Liverpool.
Conforme resgatado pela Far Out, o comunicado à imprensa na época espinafrava o grupo de Lennon e McCartney, rotulando-os de "jovens de cabelos compridos". "Diga-me que você já ouviu todos os sons que existem", entoava o maior cantor jovem do mundo em sua resposta enigmática, 'e seu pássaro pode cantar. Mas você não pode me ouvir. Você não pode me ouvir’".

A mensagem chegou até os Beatles enquanto eles estavam no estúdio da EMI, e John Lennon não deixou barato. Inspirado pela provocação, Lennon escreveu And Your Bird Can Sing, incluindo no refrão uma resposta direta ao comentário: "You tell me that you’ve heard every sound there is / And your bird can swing / But you can’t hear me / You can’t hear me." ("Você me diz que já ouviu todos os sons que existem / E seu pássaro pode cantar / Mas você não consegue me ouvir / Você não consegue me ouvir.").
Além disso, a letra da música também ironiza a imagem de Sinatra como o homem que "pode ter tudo o que deseja". Os Beatles cantam: "Tell me that you’ve got everything you want / And your bird can sing / She don’t get me / You don’t get me." ("Diga-me que você tem tudo o que quer / E seu pássaro pode cantar / Ela não me entende / Você não me entende."), sugerindo que, apesar de todo o sucesso de Sinatra, ele não compreendia a revolução cultural que os Beatles estavam liderando.
Ironicamente, anos depois, Sinatra se tornaria um admirador da banda e chegou a elogiar "Something", de George Harrison, chamando-a de "uma das melhores músicas de amor já escritas nos últimos 50 ou 100 anos".
Beatles e Frank Sinatra
As histórias envolvendo os Beatles e Frank Sinatra não param por aí. Isso porque uma música feita por Paul McCartney foi rejeitada pelo astro de "New York, New York".
A história foi relembrada pelo próprio McCartney na biografia Many Years From Now, escrita por Barry Miles. Segundo ele, a música em questão se chamava "Suicide" e foi composta no início de sua carreira, com Sinatra em mente. Anos depois, enquanto estava no estúdio Abbey Road com os Beatles, Paul recebeu uma ligação inesperada.
"Todo mundo ficou tipo, 'Oooh! Frank Sinatra está no telefone!' Quantas pessoas já receberam uma ligação dessas? Ele me pediu uma música, então eu peguei 'Suicide', fiz uma demo e mandei para ele."
No entanto, a reação do ícone da música foi muito diferente do que McCartney esperava.
"Aparentemente, ele achou que eu estava tirando sarro. Longe de mim! Ouvi dizer que ele perguntou a alguém de seu pessoal: ‘Esse cara está de sacanagem com a minha cara?’ Minha parceria com Sinatra terminou em uma tremenda mancada. Acho que ele não entendeu que aquilo era uma brincadeira."
Paul explicou que a música não tinha nada a ver com suicídio literal, mas sim com uma metáfora sobre um relacionamento tóxico: "Era apenas uma brincadeira com a palavra 'suicídio', não uma menção a suicídio literal, físico. Se uma garota deixa um cara pisar nela, é como se ela estivesse cometendo um certo tipo de suicídio. Acho que ele até devolveu a demo. Olhando em retrospecto, fico até aliviado que ele tenha feito isso, não era uma boa música. Foi só uma ideia de adolescente."
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