O grande problema que atinge o metal nacional, segundo Edu Falaschi - e como superá-lo
Por Gustavo Maiato
Postado em 22 de abril de 2025
Edu Falaschi, ex-vocalista do Angra e Almah, acredita que o principal desafio do metal brasileiro atualmente é a falta de estrutura para bandas novas criarem uma carreira de verdade. Em entrevista ao canal Futeboteco, o músico criticou a dependência da internet e o excesso de covers nas casas de show.
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"Hoje é tudo muito YouTube, muito internet. O cara monta um canal, faz vídeo de cover, ganha um monte de seguidor, mas não tem uma carreira real. Não tem identidade. O cara não vende ingresso pra show, não sobe num palco com estrutura, não sabe nem como se portar ali em cima", disse.
Segundo Falaschi, que já criticou a cena do metal nacional anteriormente, o imediatismo da internet vem substituindo a vivência na estrada. "Você ir pra estrada, tocar em boteco, conquistar fã na unha, isso te dá uma bagagem que ninguém tira. É um tijolinho por vez. Não tem como começar tocando pra mil pessoas. Tem que começar de baixo."
Ele compara esse processo com o futebol. "Você começa jogando num time pequeno, vai crescendo, passa por outros até chegar num clube grande. Isso é importante. Você chega lá com experiência. Não dá pra sair do zero e ir direto pro topo."
Outro ponto levantado por Falaschi é o impacto do fim das gravadoras no cenário musical. "A internet derrubou as gravadoras. Isso é fato. E com isso acabou o lance do tour suporte, que era quando a gravadora bancava a turnê. Dava lá uma grana e falava: vai fazer a turnê. Hoje isso não existe mais."
Para ele, as gravadoras tinham papel fundamental na formação das bandas. "Elas bancavam tudo. O estúdio, o tempo de composição, o disco. Os caras ficavam meses criando música, sem se preocupar com outra coisa. Hoje ninguém consegue fazer isso."
A crítica também se estende ao circuito de shows em São Paulo. "Você sai à noite e 99% é cover. Quando a banda toca uma música própria, é a hora que o pessoal vai pegar cerveja. Aí o cara pensa: melhor tocar cover mesmo. É um caminho perigoso. Vai chegar uma hora em que ninguém mais vai querer compor."
Mesmo com as dificuldades, Falaschi vê iniciativas surgindo. Ele cita o Black Pantera como um exemplo de banda que cresceu na internet, sem apoio de gravadora. Mas faz uma ressalva: "Ter seguidor não é o mesmo que ter público. O cara pode ter um milhão de seguidores, mas não lota show."
Para tentar mudar esse cenário, Falaschi passou a convidar bandas novas para abrir seus shows. Na turnê Temple of Shadows in Concert, que celebra os 20 anos do disco, ele tem levado grupos como Noturnall e Auro Control. "Eles estão tendo o que eu não tive no começo: palco com estrutura, público, ônibus de turnê. É importante colocar esses caras nesse ambiente."
O músico reforça que é preciso voltar a incentivar a criação. "Eu incentivo as bandas a criarem música nova, a irem pra estrada. A gente precisa disso pra ter uma cena de verdade. Senão vai virar só vídeo bonito no quarto, com luz, ventilador e dublagem."
Para Falaschi, o problema é complexo e sem resposta única. Mas o caminho passa por sair do virtual e encarar o palco. "É legal ter seguidor, claro. Mas não adianta nada se isso não vira carreira. Tem que compor, tocar, viajar, errar, acertar. É assim que se constrói uma história."
Confira a entrevista completa abaixo.
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