A música do Led Zeppelin que Page gravou sem fazer ideia de como tocaria aquilo ao vivo
Por Bruce William
Postado em 10 de maio de 2025
Jimmy Page sempre teve uma visão clara do que queria ao entrar em estúdio. Diferente de muitos guitarristas que precisavam testar ideias por horas, ele normalmente sabia o que fazer, principalmente quando estava ao lado de John Bonham. A química entre os dois era tão forte que, mesmo sem o baixo de John Paul Jones, os riffs já ganhavam peso e direção.
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Na época do "Physical Graffiti", essa confiança estava em alta. Page explorava arranjos mais densos, camadas rítmicas sobrepostas e riffs complexos, sem medo de exagerar. Faixas como "Kashmir", "Ten Years Gone" e "In My Time of Dying" mostram um guitarrista que dominava completamente o estúdio. Mas isso também criava um dilema: como levar tudo isso para o palco?
Ao gravar "Achilles Last Stand" para o disco "Presence", em 1976, Page sabia que estava indo além do que seria fácil reproduzir ao vivo. Com várias guitarras sobrepostas e passagens intricadas, ele não pensou na performance ao vivo, apenas empilhou tudo que achou que poderia funcionar. "Eu estava colocando ali tudo que conseguia pensar", disse durante conversa com a Classic Rock. "Nem cogitei como faríamos aquilo ao vivo."
A canção tem pouco mais de dez minutos e mistura velocidade, peso e arranjos detalhados. No estúdio, parecia o som de uma banda mitológica. Ao vivo, era outra história. Mesmo tendo sido tocada nos shows de Knebworth em 1979, Page admitiu nunca ter se sentido totalmente confortável com ela no palco, relembra a Far Out.
A base sustentada pelo baixo de oito cordas de John Paul Jones ajudava a manter tudo no lugar. A partir dali, Page escolhia em tempo real quais partes da música iria tocar, priorizando o que tivesse mais impacto naquele momento. Era um jogo constante de escolhas, já que não dava para tocar todos os overdubs ao mesmo tempo.
Essa forma de tocar também trazia um elemento de surpresa. Como o arranjo permitia certa liberdade, a execução de "Achilles Last Stand" nunca era exatamente igual. O público podia se perguntar: "Qual trecho virá agora?", e nem mesmo os membros da banda tinham certeza absoluta.
Jimmy Page sempre tratou o estúdio como um laboratório. E quando suas criações escapavam do controle, o palco se tornava um desafio técnico e criativo. "Achilles Last Stand" talvez seja o maior símbolo disso: uma faixa que exigia mais do que qualquer outra e que, mesmo com ensaio e talento, não se deixava domar com facilidade.
No fim das contas, a grandiosidade da gravação se tornou justamente o obstáculo — e também a graça — das performances ao vivo. O que poderia ser um problema virou recurso: Page se adaptava, improvisava e fazia da complexidade uma arma de impacto direto no público.
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