O álbum do Metallica que deveria salvar o thrash metal, mas acabou dando strike no gênero
Por Bruce William
Postado em 29 de junho de 2025
Poucos anos antes, o Metallica encerrava a década de 1980 com um grito de guerra. "I've outgrown that fucking lullaby!" ("Cresci e deixei essa maldita canção de ninar pra trás!"), esbraveja James Hetfield em "Dyer's Eve", faixa final do álbum "...And Justice for All" (1988). Era a prova de que a banda ainda estava no auge da velocidade e da agressividade, pronta para manter o trono do thrash metal.
Então, em 1991, quando lançaram seu disco seguinte, a expectativa era de algo ainda mais intenso, relembra a Louder. O que veio, no entanto, foi um álbum homônimo de capa preta que logo ganharia o apelido de "Black Album". Lançado em 12 de agosto de 1991, o disco virou febre instantânea. Fãs formaram filas em frente a lojas de discos, esperando por uma sequência natural de "Master of Puppets". Mas bastou apertar o play em "Enter Sandman" para perceber que algo havia mudado. As músicas ainda eram pesadas, mas o ritmo desacelerara.

"Sad But True", "Holier Than Thou", "The Unforgiven"... todas mid-tempo. A brutalidade característica do thrash havia sumido. Mesmo "Through the Never", que começava promissora, logo se acomodava no compasso mais lento. O álbum era bom, sem dúvida, mas aquela fúria acelerada havia sido deixada para trás.
A transição já estava em curso. Nos anos anteriores, o metal era dividido entre glam e thrash, e o público já mostrava sinais de saturação. Quando "Nevermind" (Nirvana) e "Blood Sugar Sex Magik" (RHCP) foram lançados no mesmo dia - 24 de setembro de 1991 - a maré virou de vez. Grunge e funk-metal dominaram a cena, com canções mais introspectivas ou dançantes, mas quase nunca velozes.
Pantera ainda segurava a bandeira da agressividade com faixas como "Fucking Hostile", enquanto o Machine Head surgia com "Burn My Eyes "(1994), trazendo lampejos de thrash em meio ao groove metal. Mas eram exceções. Megadeth, Anthrax e Testament suavizaram o som. Sepultura foi para o groove. Kreator flertou com o gótico. Só o Slayer se recusou a desacelerar.
O cenário se desfigurou. Bandas como Exodus, Dark Angel e Nuclear Assault desapareceram ou perderam espaço. O espaço deixado pelo thrash foi ocupado por outros estilos pesados, como o death metal - com Cannibal Corpse, Morbid Angel, Entombed - e o black metal escandinavo, que explodiu com nomes como Mayhem e Emperor. O nu metal também apareceu, com Korn, Slipknot e Limp Bizkit dominando a cena na segunda metade da década.
Mesmo assim, o thrash não morreu - apenas encolheu. No fim dos anos 90, o estilo começou a reagir. Bandas como The Haunted, Testament, Exodus e Sodom voltaram a soar como antes. E até o Metallica, com "Death Magnetic" (2008), tentou recuperar parte da pegada que abandonara no "Black Album". Não era mais 1986, mas pelo menos não era 1991.
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