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Não é dinheiro que move Roger Waters, mas como entra a rodo ele manda ver e enche os bolsos

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Postado em 07 de junho de 2025

Durante boa parte dos anos 1970, o Pink Floyd criou um universo visual e sonoro que arrebatava multidões, mas também deixava Roger Waters cada vez mais desconfortável. Para ele, as apresentações em grandes estádios deixaram de ser sobre música e passaram a ser apenas sobre dinheiro. E não foi por acaso que ele começou a se desgastar com o público muito antes de sair da banda.

A virada aconteceu de forma clara durante a turnê de "The Wall". O disco era conceitual, exigia atenção do começo ao fim, mas boa parte do público parecia mais interessada em ouvir "Money" ou outras faixas mais conhecidas. Waters se irritava com a falta de conexão e chegou a incorporar no show uma série de críticas aos próprios fãs, acusando-os de não entenderem o que estava sendo dito no palco.

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Foto: Divulgação - Sony
Foto: Divulgação - Sony

Essa distância entre artista e plateia não surgiu do nada. Desde os tempos de Syd Barrett, apesar do teor psicodélico, o Pink Floyd era conhecido por seu caráter introspectivo. Quando Waters assumiu a liderança criativa, intensificou ainda mais o viés político e filosófico das letras. Mas, à medida que o grupo ganhava proporções gigantescas, o impacto real das mensagens parecia se diluir no espetáculo.

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Waters deixou claro, anos depois, que se sentia completamente desiludido com o formato dos megashows. "Cheguei à conclusão de que eles não têm nada a ver com música ou comunicação ou qualquer uma das coisas que me interessam — são apenas sobre dinheiro", disse em entrevista de 1988, resgatada pela Far Out. Essa frustração o acompanhou em boa parte da carreira solo, mesmo quando voltou a lotar estádios com suas próprias turnês milionárias.

Ao contrário do que se esperaria de alguém cansado do estrelato, ele não recuou — apenas dobrou a aposta. Em suas apresentações posteriores, mensagens políticas são parte central do espetáculo. Foi assim quando remontou "The Wall" após a queda do Muro de Berlim e, mais tarde, ao usar imagens de Donald Trump durante performances de músicas do "Animals".

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Para alguns, esse posicionamento tira o foco da música. Mas Waters nunca fez questão de agradar. Ele acredita que a arte precisa provocar, incomodar e fazer pensar. E se algumas pessoas saírem do show irritadas, mas refletindo sobre o que viram, para ele já terá valido a pena.

Mesmo com todas as críticas, Waters segue usando os palcos como plataforma de expressão. Pode ser que nem todo mundo preste atenção nas mensagens, mas para ele isso não importa. O que importa é que elas estão lá — firmes, afiadas e, principalmente, verdadeiras. E o dinheiro, claro, continua entrando a rodo.

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Sobre Bruce William

Quando Socram chegou no Whiplash.net era tudo mato, JPA lhe entregou uma foice e disse "go ahead!". Usou vários nomes, chegou a hora do "verdadeiro". Nunca teve pretensão de se dizer jornalista, no máximo historiador do rock, já que é formado na área. Continua apaixonado por uma Fuchsbau, que fica mais linda a cada dia que passa ♥. Na foto com a Melody, que já virou estrelinha...
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