A música do Pink Floyd que Roger Waters não conseguia e David Gilmour não queria cantar
Por Bruce William
Postado em 02 de fevereiro de 2024
"Eu amo cantar. Passei tanto tempo da minha vida tentando melhorar meu canto quanto praticando guitarra", disse David Gilmour, em declaração resgatada pela Far Out, onde eles colocam que, conforme relatado pelo baterista Nick Mason, uma das razões que levou ao rompimento das relações entre Gilmour e Roger Waters foi que para o baixista, o ato de cantar não tem o mesmo peso que o de compor.
Tanto que Roger não se importava com a questão técnica de se cantar alguma música, colocando no papel o que vinha à mente na hora de compor, o que criava dificuldades em algumas delas, conforme Gilmour admitiu em uma ocasião em que confessou ter uma dificuldade muito grande para cantar uma canção, a ponto de mexerem em sua letra: "Eram tantas palavras que eu fisicamente não conseguia encaixá-las. Cortamos dois terços de suas palavras para que ela deixasse de ser impossível", disse Gilmour.

A Far Out mostra então que outra situação assim aconteceu quando a banda estava gravando o álbum "Wish You Were Here", durante uma sessão de estúdio em que Waters já estava com a voz desgastada por ter gravado "Shine On You Crazy Diamond" e era a vez de mandar "Have a Cigar", mas Gilmour se recusou categoricamente a oferecer o que ele sentia que seria uma performance abaixo da média se ele cuidasse dos vocais.
Então surgiu Roy Harper. O cantor folk estava gravando no mesmo prédio, e saiu para dar uma volta e se deparou com a confusão em torno de 'Have a Cigar' e perguntou se precisavam de ajuda. "Roger tentou cantá-la, e algumas pessoas não aprovaram a performance dele. Algumas pessoas então me pediram para tentar. Eu tentei, mas não me senti confortável", relembra Gilmour, em declaração para a Mojo.
Mas Gilmour esclarece que, ao contrário do que muitos pensam, ele não tinha nada contra as letras, neste caso específico: "Talvez a extensão e intensidade não fossem adequadas para a minha voz. Eu posso me lembrar claramente de Roy apoiado na parede do lado fora enquanto estávamos conversando dizendo 'Vamos lá, deixa eu tentar, deixa eu tentar', e todos pedíamos para ele ficar quieto. Mas como ele era amigo de Gilmour, acabou sendo autorizado a entrar e fazer sua tentativa. "A maioria de nós gostou da versão dele, embora eu não ache que Roger tenha gostado", disse Gilmour.
O fato é que independente de Roger ter ou não gostado, estava claro que Gilmour não queria e Roger não podia, e o tempo estava contra eles, então o resultado final é que o vocal de Roy acabou ficando eternizado no disco. Nas palavras da Far Out: "Na verdade, isso é uma maravilha que persiste por trás de muitos álbuns clássicos: o acaso sempre tem uma grande influência. Podemos pensar nos discos clássicos como obras-primas que foram geradas com suor, mas, na maioria das vezes, prazos, problemas e peculiaridades do destino desempenharam seu papel".
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