Jimmy Page explica porque o ABBA pode ser comparado ao Led Zeppelin e vice-versa
Por Bruce William
Postado em 06 de setembro de 2025
Jimmy Page sempre defendeu que o legado do Led Zeppelin não se limitava ao peso das guitarras ou à imagem de rockstars indomáveis. Para ele, o diferencial da banda estava em nunca se repetir, em mudar de direção a cada álbum e improvisar noite após noite nos palcos. "O legado do Led Zeppelin, com os quatro músicos, é um manual para jovens músicos. É maravilhoso", disse em entrevista ao Metro.co.uk.

Na época, questionado sobre o futuro do grupo, o guitarrista foi categórico: "Acho que o futuro do Led Zeppelin é o passado. Porque o passado... você não pode discutir com ele." Foi nesse ponto que surgiu uma comparação inusitada, usada por Page para reforçar sua ideia: o ABBA. Muito distante do universo sonoro do Zeppelin, o quarteto sueco é visto pelo guitarrista como exemplo de perfeição pop. "É como o ABBA. Você não pode discutir com o que eles fizeram. É tão bom. Foi tudo muito bem construído. E o nível de musicalidade... é um manual para músicos. É isso. Muito bom."
A declaração não passa despercebida porque, para muitos puristas do rock, hits como "Dancing Queen" ou "SOS" eram o oposto do que se esperava de música de qualidade nos anos 1970. Na época, os roqueiros não podiam assumir que gostavam do ABBA.
Bono, do U2, chegava a esconder que gostava de ABBA para parecer "macho". Page, no entanto, reconheceu que, mesmo sem riffs de guitarra ou longos improvisos, o grupo soube explorar recursos criativos com inteligência. Um dos pontos que ele destacou foi a ousadia rítmica. Em um cenário dominado pelo compasso 4/4, ABBA introduziu mudanças sutis de tempo em canções como "Chiquitita" e "SOS", quebrando a previsibilidade e surpreendendo o ouvinte.
Segundo a análise retomada pela Far Out Magazine, essa era a verdadeira "superforça" do quarteto: oferecer algo inesperado dentro de um formato que parecia padronizado. Se o Zeppelin explorava afinações alternativas e composições épicas, ABBA encontrava sua inovação na construção precisa das melodias pop.
Para Page, no fim das contas, tanto ele quanto os suecos compartilhavam a mesma premissa: entregar ao público algo que fugisse do óbvio. "Os fãs devem sempre esperar o inesperado", resumiu o guitarrista, colocando lado a lado duas bandas que, embora opostas no som, buscavam o mesmo impacto artístico.
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