Para Nicko McBrain, volta de Bruce Dickinson ao Iron Maiden estava "nos planos de Deus"
Por João Renato Alves
Postado em 05 de maio de 2026
Não é novidade para ninguém que, apesar de contar com alguns admiradores, a fase do Iron Maiden com Blaze Bayley nos vocais encontrou muita resistência junto aos fãs. Em entrevista à Kerrang!, Nicko McBrain reconheceu que o momento não foi dos mais inspirados, ressalta a dificuldade do cantor em substituir Bruce Dickinson, alguém com características muito diferentes.
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"Bruce era mais soprano do que barítono, que é onde eu acho que Blaze se encaixa. Então, houve um problema. Os fãs não o aceitavam. Estávamos tocando em teatros pequenos e em alguns clubes na Flórida. Mas o ponto é: isso nunca diminuiu o espírito da banda. Em certos shows, Blaze teve dificuldades e os fãs meio que pensaram: 'Ah, isso não é o Iron Maiden no seu melhor', mas ainda éramos o Iron Maiden, apenas de forma diferente. A essência não havia mudado nem um pouco."
O ex-baterista lembra que acolheu o então novato da melhor forma possível. "Eu adorava o Blaze. Fui como um pai para ele, dizia: 'Vou te proteger quando sairmos em turnê'. Passamos muito tempo juntos. No final tive minhas dúvidas, digamos assim, sobre algumas das apresentações enquanto nos preparávamos para a turnê 'Virtual XI', que está documentada no filme. Mas nunca perdemos a essência, especialmente com o Steve (Harris, baixista) no comando. Ele nunca vacilou, apoiou Blaze incondicionalmente, assim como todos nós. Mas aí começaram a aparecer rachaduras. 'Temos que mudar isso ou não vamos sobreviver'. Então o Bruce obviamente voltou e nós sabemos o que aconteceu depois."
Ainda assim, McBrain precisou vencer as próprias convicções para aceitar o antigo vocalista como colega novamente. Quando Dickinson ainda fazia seus shows de despedida, anos antes, o instrumentista não hesitou ao atacá-lo na imprensa, criticando sua decisão de abandonar a banda.
"Senti-me traído quando, no meio da turnê 'Fear Of The Dark', ele anunciou que ia embora. Quando houve seu retorno, pensei: 'Preciso resolver isso'. Havia dúvidas sobre as motivações dele para voltar. Mas depois daquele primeiro encontro em Brighton, tudo se resolveu. Estávamos no pub, eu o abracei e disse: 'Olha, cara, é ótimo, fico feliz que você voltou, mas escuta, não posso mudar o que sinto e o que eu disse sobre isso. Eu te amo, mas é assim que me sinto'. Ele simplesmente respondeu: 'Eu não mudaria nada, Nicko, também te amo'. Foi a última vez que conversamos sobre isso até hoje."
Questionado sobre o que isso diria sobre ele e Bruce, Nicko respondeu: "Isso me mostra a sinceridade e a verdade no coração. Como falei, eu precisava dizer isso para Bruce porque queria que ele soubesse que nem tudo seria 'Ah, é, você sabe o que eu disse? Bobagem'. Era algo que estava na minha mente. Acho que tudo foi plano de Deus. Não do Rod (Smallwood, empresário de longa data do grupo), porque quem poderia ter planejado isso a não ser Deus dizendo: 'Certo, vocês vão ter um novo vocalista, depois vão trazer o antigo de volta, e ele vai trazer o Adrian (Smith, guitarrista) com ele, e então vocês vão gravar esses discos.' Lançamos 'Brave New World', que foi o início do nosso retorno às mega turnês em estádios, o que nos recolocou no mapa. O retorno de Bruce e Adrian completou a banda."
Em novembro, o Iron Maiden será celebrado no Rock and Roll Hall of Fame. Com Simon Dawson na bateria, a banda estará em turnê pela Austrália e não poderá comparecer à cerimônia. É esperado que Nicko, afastado devido a problemas de saúde, possa estar presente para representá-los.
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