Mike Portnoy comemora o Rush seguir em frente, na contramão de bandas como Slayer e Sepultura
Por Bruce William
Postado em 23 de abril de 2026
O retorno do Rush aos palcos ainda é um assunto delicado para muitos fãs. Neil Peart morreu em 2020, e a ideia de ver Geddy Lee e Alex Lifeson tocando músicas da banda com outra pessoa na bateria parecia, durante muito tempo, algo improvável. Mesmo assim, os dois decidiram celebrar a história do grupo na turnê Fifty Something, com Anika Nilles assumindo a bateria e uma proposta de homenagear o legado construído ao longo de mais de cinco décadas.
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Mike Portnoy, baterista do Dream Theater, está entre os músicos que veem essa volta com entusiasmo. Em entrevista à rádio chilena Sonar FM, transcrita pelo Blabbermouth, ele foi perguntado se pretende assistir a algum show da nova turnê do Rush. A resposta foi imediata. "Com certeza. Mal posso esperar para ver. Estou tão curioso para saber como vai ser. Eles são uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos", disse.
A ligação de Portnoy com o Rush vai além da admiração de fã. Ele também teve contato pessoal com Neil Peart nos últimos anos de vida do baterista canadense, algo que sempre tratou com respeito. Na mesma entrevista, lembrou essa relação ao comentar a volta da banda. "Tive a honra de me tornar amigo de Neil Peart nos últimos 10, 15 anos de sua vida. E, sim, estou muito feliz que eles vão fazer isso de novo. E absolutamente planejo ir ver os shows e apoiá-los."
O ponto mais interessante da fala veio quando Portnoy comentou o cenário atual das bandas clássicas. Para ele, o retorno do Rush tem importância justamente porque muitos nomes fundamentais estão parando, já encerraram atividades ou caminham para isso. "Para os fãs é importante, porque todas as bandas clássicas estão indo embora", afirmou.
Foi aí que ele colocou o Rush em sentido contrário ao de grupos como Sepultura, Megadeth e Slayer. "O Rush felizmente está voltando, mas um ano atrás, se estivéssemos tendo essa discussão, diríamos que não há Rush, não há Van Halen, não há mais Black Sabbath, o Slayer se aposentou, o Megadeth está se aposentando, o Sepultura está se aposentando. Então, sim, precisamos que nossos heróis continuem tocando se puderem, se forem capazes."
Portnoy usou a banda brasileira como exemplo de um movimento mais amplo: grupos históricos chegando ao encerramento, seja por idade, desgaste, morte de integrantes ou simplesmente por decisão de parar enquanto ainda conseguem fazer isso de forma digna. E no caso do Rush, a situação é diferente porque o grupo já parecia encerrado desde a morte de Peart. A volta de Geddy Lee e Alex Lifeson não apaga essa ausência, nem tenta fingir que a formação clássica continua intacta. O que Portnoy parece celebrar é outra coisa: a chance de ver aquelas músicas respirando novamente no palco, com os integrantes restantes ainda em condições de tocar e com uma homenagem explícita ao baterista que ajudou a definir a identidade da banda.
A turnê Fifty Something não deve acabar com as discussões entre fãs. Haverá quem aceite a ideia como celebração, e haverá quem prefira manter o Rush fechado na memória da última formação. Portnoy, pelo menos, deixou claro de que lado está: em uma época em que tantas bandas estão se despedindo, ele prefere ver Geddy Lee e Alex Lifeson tocando enquanto ainda podem, em vez de colocar mais um nome clássico na lista dos que ficaram apenas no passado.
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