O clássico do prog que Neil Peart disse que era a trilha sonora de sua vida
Por Bruce William
Postado em 22 de abril de 2026
Neil Peart nunca foi o tipo de músico que parecia confortável com tudo o que vinha junto com a fama. No palco, ele era uma das figuras mais admiradas do rock, cercado por uma bateria gigantesca e observado por fãs que conheciam cada virada de sua mão. Fora dali, no entanto, o baterista do Rush preferia outro tipo de distância. Quando o show terminava, muitas vezes ele saía rapidamente, evitando encontros, fotos e aquela obrigação social que muita gente espera de artistas famosos.
Rush - Mais Novidades
Isso não significava desprezo pelo público. Peart apenas não parecia aceitar com naturalidade a ideia de que um estranho, por admirar sua música, pudesse ser tratado como alguém íntimo. Conforme destaca a Far Out, ele colocou isso de forma muito clara em "Limelight", do Rush, quando escreveu: "Não posso fingir que um estranho é um amigo há muito aguardado".
A frase acabou virando uma das melhores sínteses de sua relação com a exposição. Por isso, não chega a ser estranho que ele tenha se identificado tanto com "The Wall", lançado pelo Pink Floyd em 1979. O álbum nasceu, em boa parte, da relação conflituosa de Roger Waters com a fama, o público, o isolamento e a sensação de criar uma barreira entre si mesmo e o mundo. Para Peart, que também lidava com o desconforto de ser observado por milhares de pessoas, aquela obra pareceu falar de algo muito pessoal.
Ele chegou a escrever para Waters anos depois, quando soube da apresentação de "The Wall" em Berlim, realizada em 1990. Na mensagem, Peart explicou que o disco tinha funcionado como uma espécie de autobiografia paralela para ele. "Escrevi para ele anos atrás, quando soube da apresentação de 'The Wall' em Berlim, e apenas expressei o fato de que aquilo também tinha sido minha autobiografia", contou.
Peart, porém, também entendia que não dava para viver preso nesse tipo de sentimento. "Você não consegue sobreviver com esses sentimentos. Ele teve que mudar seus sentimentos; eu tive que mudar meu ambiente ao longo dos anos. Então, entre andar de bicicleta e de moto, isso me mantém fora daquela bolha e me mantém envolvido com a vida real", afirmou.
Essa busca por movimento não era detalhe menor em sua vida. Peart ficou conhecido por viajar de moto entre shows, atravessar longas distâncias e usar a estrada como uma forma de escapar da bolha da fama. Depois das mortes de sua filha e de sua esposa, ele também percorreu a América do Norte de moto, uma experiência que mais tarde apareceu em seus livros e ajudou a mostrar como a estrada tinha, para ele, uma função quase terapêutica.
A identificação com "The Wall" não quer dizer que Peart abraçasse cada elemento do disco de Waters, incluindo suas imagens mais pesadas e o caminho sombrio do personagem central. O que parecia tocar o baterista era a ideia de isolamento, de separação e de uma fama que cria uma parede entre o artista e as pessoas ao redor. Nesse ponto, a obra do Pink Floyd encontrou um eco direto na vida de alguém que se tornou gigante no rock, mas nunca quis viver como celebridade disponível em tempo integral.
Peart entregou ao Rush algumas das letras mais pessoais e reflexivas do rock progressivo, além de uma forma de tocar que virou referência para gerações de bateristas. Mas ele também soube proteger o próprio espaço. "The Wall" ajudou a colocar em música uma angústia que ele reconhecia, só que a resposta de Peart não foi morar atrás da parede. Foi pegar a estrada, manter alguma distância da bolha e seguir tentando ser, antes de qualquer mito do rock, uma pessoa real.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Twisted Sister faz primeiro show com Sebastian Bach nos vocais
A melhor cantora de metal de todos os tempos, segundo Emppu Vuorinen
Membros originais do Nightwish dão "sinal verde" para turnê com ex-membros
Os 50 melhores riffs de metal e rock de todos os tempos, segundo a Guitar World
A música do Metallica que fez James Hetfield perceber que a banda havia virado profissional
A música do AC/DC que Angus Young considera melhor que "Satisfaction"
Policial que matou assassino de Dimebag Darrell compartilha memórias da noite
O guitarrista que Brian May lamenta nunca ter conhecido e chamou de monstro elemental
5 músicas de metal em que os últimos segundos são a melhor parte
Jeff Scott Soto mantém esperanças de fazer as pazes com Yngwie Malmsteen
O músico que merece cada elogio que recebe, segundo David Gilmour
Guitarrista abandona o Bad Wolves após gravadora pressionar banda a lançar cover
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
Em depoimento emocionante, membro da equipe do Metallica lembra acidente que matou Cliff Burton
O baterista que Phil Collins considerava "tecnicamente muito superior a mim"

O hit que prova importância de John Paul Jones no Led Zeppelin, segundo Geddy Lee
12 bandas que já adiaram ou cancelaram shows por motivo de saúde em 2026
Geddy Lee explica onde foi superado por músico do Angine de Poitrine
Mike Portnoy foi assistir ao Rush e publicou suas impressões online
A banda dos anos 90 que Geddy Lee acredita que terá músicas lembradas para sempre
A banda que entregou a Neil Peart tudo o que ele queria encontrar na bateria
O clássico do progressivo que fez Geddy Lee querer levar o Rush a caminhos mais ambiciosos
A música do Rush que Neil Peart considerava um passo importante na história da banda
Após 40 anos, apareceu quem colocou o Rush na abertura do MacGyver no Brasil
Cinco trios que marcaram a história do rock
O álbum do Rush que Derrick Green mais gosta (e o que mais odeia)


