As três bandas de prog que mudaram para sobreviver ao punk, segundo o Ultimate Guitar
Por Gustavo Maiato
Postado em 09 de abril de 2026
O punk surgiu para confrontar o excesso, a pompa e a complexidade que passaram a ser associados ao rock progressivo no fim dos anos 1970. Mas, em vez de simplesmente serem atropeladas pela mudança de clima, algumas bandas do prog reagiram de outro jeito. Em texto publicado pela Ultimate Guitar, três nomes aparecem como símbolos dessa adaptação: Rush, Genesis e King Crimson.

A tese do site é simples. Quando punk e new wave começaram a redefinir o que o rock moderno podia ser, grupos veteranos do progressivo perceberam que precisavam se mover. Isso significou músicas mais curtas, produção mais limpa, nova estética visual e maior abertura para tecnologia e formatos menos grandiosos.
No caso do Rush, a mudança é tratada como uma das mais claras. A publicação cita a sequência formada por Permanent Waves (1980), Moving Pictures (1981), Signals (1982) e Grace Under Pressure (1984) como prova de que a banda simplificou bastante sua abordagem sem abrir mão da sofisticação.
Punk e rock progressivo
A própria banda enxergava valor no que surgia na new wave. Em entrevista de 1979 resgatada pela matéria, Geddy Lee disse: "Certamente, algumas bandas voltaram ao básico, mas essas são as bandas que não conseguem fazer nada além do básico". Em seguida, ele diferenciou os grupos que realmente o interessavam: "Todas as bandas de new wave realmente interessantes parecem estar se desenvolvendo e progredindo para estilos mais interessantes".
Na mesma linha, o vocalista e baixista citou o Talking Heads como exemplo de complexidade menos óbvia. "Eu não diria que o Talking Heads, por exemplo, seja minimalista. Eles são sutilmente complexos", afirmou.
Neil Peart também via pontos de contato entre o novo cenário e o que o próprio prog havia buscado anos antes. Ao comentar o Boomtown Rats, disse: "A produção e a música são muito progressivas, com arranjos muito complicados e todo tipo de efeitos sutis. É a mesma coisa que estávamos fazendo alguns anos atrás. É apenas um período diferente". Geddy completou: "É definitivamente algo positivo. Realmente adicionando uma faísca ao que estava se tornando uma indústria complacente".
O King Crimson aparece na matéria como outro caso decisivo de reinvenção. Depois de mudanças importantes de formação, a banda encontrou nova identidade no começo dos anos 1980, especialmente em Discipline (1981). Para a Ultimate Guitar, a guinada passou diretamente pelo uso de novas tecnologias e por uma lógica musical mais próxima do nervosismo da new wave do que do velho prog sinfônico.
Adrian Belew resumiu esse momento em entrevista para a Loudersound. "Acho que nenhum de nós sabia que estávamos criando algo tão incomum", disse. Depois explicou o contexto: ele e Robert Fripp estavam usando sintetizadores de guitarra, Tony Levin tinha o Chapman Stick e Bill Bruford experimentava baterias eletrônicas. A conclusão virou imagem perfeita da fase: "Então, você tinha esses quatro macacos juntos numa jaula com brinquedos novos. Algo estava fadado a acontecer".
Já o Genesis seguiu uma transformação mais gradual, mas igualmente profunda. A Ultimate Guitar destaca que a banda já vinha encurtando as composições desde a saída de Steve Hackett, mas vê Abacab como o momento em que a ruptura ficou mais explícita. O tecladista Tony Banks admitiu isso de forma bastante clara em entrevista lembrada pelo site.
"Nosso álbum mais complicado em muitos aspectos foi provavelmente Wind & Wuthering, por volta de 1977", disse Banks. Em seguida, explicou a mudança: "Quando Steve Hackett deixou a banda, o álbum seguinte que fizemos, ...And Then There Were Three..., acabou tendo músicas mais curtas por algum motivo. Mas simplesmente decidimos que não as faríamos tão longas".
Sobre a virada definitiva, ele foi ainda mais direto: "Quando chegamos ao álbum Abacab, tomamos a decisão definitiva de tentar uma nova abordagem, ir para um lugar um pouco diferente". Banks acrescentou que a banda sempre gostou do formato mais compacto da canção pop. "Era como escrever sonetos em oposição a escrever poemas épicos", afirmou.
A reportagem da Ultimate Guitar também lembra que a chegada da MTV acelerou esse movimento. O novo canal valorizava imagem, clipes e impacto imediato, algo que favoreceu artistas capazes de se adaptar rapidamente. Nesse ambiente, bandas de prog que antes dependiam mais do álbum e da aura técnica tiveram de reaprender como se apresentar ao público.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O solo de guitarra mais difícil do Dire Straits, segundo Mark Knopfler
Amy Lee relembra a luta para retomar o controle do Evanescence; "Fui tratada como criança"
A frase que Ritchie Blackmore ouviu de Eddie Van Halen que mostra como ele era humilde
70 shows internacionais de rock e metal para ver no Brasil em maio
Dado Villa-Lobos lança single inspirado nos netos, anuncia álbum e celebra 40 anos de "Dois"
5 músicas do Dream Theater que merecem sua atenção
A banda que era boa e virou careta, repetitiva e burocrática, segundo Sérgio Martins
Solito e Casagrande, ex-jogadores do Corinthians, assistem show do Megadeth em São Paulo
Megadeth toca "The Conjuring" em show de São Paulo; confira o setlist
Márcio Canuto prestigia show do Megadeth em São Paulo
O cover gravado pelo Metallica que superou meio bilhão de plays no Spotify
O disco do Black Sabbath que causa sensação ruim em Geezer Butler
O nome do blues que continua atravessando gerações e influenciando o rock
Derrick Green prepara nova banda para o pós-Sepultura e promete mistura de peso e melodia
A banda com três cantores que representa o futuro do metal, segundo Ricardo Confessori
As 11 bandas de rock progressivo cujo primeiro álbum é o melhor, segundo a Loudwire
As três bandas de prog que mudaram para sobreviver ao punk, segundo o Ultimate Guitar
A clássica banda pioneira do punk que Rick Rubin achava "horrível"


