O álbum que quase fez o Rush perder o contrato com a gravadora
Por Bruce William
Postado em 26 de abril de 2026
Hoje é fácil olhar para o Rush como uma banda que fez do excesso uma assinatura: suítes longas, letras de ficção, mudanças de andamento e um gosto evidente por levar o rock para lugares mais ambiciosos. Só que houve um momento em que essa aposta quase cobrou um preço alto demais. Em 1975, o trio lançou "Caress of Steel" e viu a reação esfriar a um ponto que colocou até o contrato com a gravadora em risco.
Rush - Mais Novidades
O Rush já vinha abrindo essa porta em "Fly By Night", primeiro disco com Neil Peart, mas ainda mantinha um pé mais firme no hard rock. Em "Caress of Steel", a banda foi bem mais longe. O álbum trazia músicas como "Bastille Day", que ainda segurava alguma ligação mais imediata com o lado pesado do grupo, mas ficava marcado mesmo por duas faixas longas e cheias de ambição: "The Necromancer" e "The Fountain of Lamneth".
Foi justamente aí que muita gente se perdeu. Em vez de insistir em canções mais diretas, o Rush mergulhou em narrativa fantástica, climas teatrais e estruturas mais espalhadas. Para quem esperava outro disco de hard rock musculoso, aquilo soou como um desvio brusco demais. A banda apostou em um tipo de progressivo que, para alguns ouvintes, parecia mais confuso do que fascinante.
Nem gente próxima embarcou logo de cara. Alex Lifeson lembrou que a reação foi gelada quando mostraram o material a conhecidos. "Tocamos uma vez para Paul Stanley, do Kiss, e ele não entendeu… muita gente não entendeu. Nós nos perguntamos se nós mesmos entendíamos", disse, em fala republicada na Far Out. Geddy Lee foi ainda mais direto ao revisitar o álbum: "Acho que estávamos bem chapados quando fizemos aquele disco. Para mim, ele soa assim."
O problema não ficou só na estranheza artística. Quando a banda caiu na estrada, a resposta do público murchou. Os fãs que tinham aparecido no disco anterior rarearam, e o grupo passou a tocar em casas meio vazias pelos Estados Unidos. O próprio Rush apelidou aquele período de "Down the Tubes Tour", algo como "turnê indo ralo abaixo", o que já diz bastante sobre o clima.
A situação apertou de vez quando a gravadora passou a pressionar a banda por algo mais acessível. A mensagem era clara: ou vinha um disco com mais apelo, ou o contrato poderia acabar. Neil Peart lembraria depois que esse momento serviu como combustível para a reação do grupo. "Eles estavam nos pressionando justamente quando estávamos mais frágeis", afirmou. A resposta do Rush não foi ceder, mas insistir ainda mais no próprio caminho.
Peart resumiu esse espírito de forma bem clara: "Então, quando entramos no álbum seguinte, decidimos manter nossos princípios. Gostávamos do que fazíamos, e, se fracassasse, tudo bem. Eu voltaria a cuidar dos negócios rurais da família. Era tudo um grande não. Não, não vamos entrar nessa. Não, vocês não podem nos dizer o que fazer. E não, nós não nos importamos."
Desse embate nasceu "2112", lançado em 1976. Em vez de recuar, o Rush abriu o disco com outra faixa longa, novamente passando dos 20 minutos. A diferença é que agora havia mais foco. A história do indivíduo enfrentando um regime opressor dava unidade ao lado mais ambicioso da banda, enquanto o restante do álbum equilibrava melhor peso, melodia e forma. O resultado foi muito mais forte do que em "Caress of Steel".
O que parecia decisão suicida virou a virada da carreira. "2112" construiu o público que o Rush precisava, deu novo fôlego comercial ao trio e mudou sua relação com a gravadora. Lifeson resumiu bem o efeito disso ao dizer que, depois daquele disco, ninguém mais enchia a paciência da banda do mesmo jeito. O álbum seguinte já não seria recebido com o mesmo tipo de desconfiança.
Visto de hoje, Caress of Steel parece menos um fracasso e mais um passo torto, porém necessário, de uma banda tentando descobrir até onde podia ir. Quase custou o contrato, quase afundou a trajetória do grupo e deixou até os próprios integrantes em dúvida sobre o que tinham feito. Mas também ajudou a empurrar o Rush até o ponto em que não dava mais para voltar atrás. Às vezes, o disco que quase mata uma carreira é o mesmo que ensina a banda a sobreviver.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Assista o primeiro show da Cretin Family (Ramones, Green Day, Rancid e Blink-182)
Billy Gibbons explica continuidade do ZZ Top tendo apenas sua presença dos membros clássicos
As únicas 11 músicas do Dream Theater que são boas, segundo Regis Tadeu
42 shows internacionais de rock e metal no Brasil até o final de setembro
O disco do Rush que baixista do Napalm Death considera perfeito
O disco que talvez seja a definição mais perfeita de "classic rock"
Gigantes do rock: 10 rockstars que beiram os 2 metros de altura
Por que Luís Mariutti foi barrado no show do Angra, segundo o próprio
Tuomas Holopainen diz que refaria apenas uma letra em 30 anos de Nightwish
A banda que Robert Plant definiu como "clinicamente morta" após ir a show deles
A música do Genesis que Phil Collins considera uma de suas melhores e nasceu quase por acaso
O riff do Black Sabbath que Eddie Van Halen vivia pedindo para Tony Iommi tocar
O maior cantor de rock de todos os tempos, segundo James Hetfield do Metallica
Corpo de Ozzy Osbourne ficou com a família até o enterro, revela filha
As 13 músicas favoritas de Morrissey, o vocalista do The Smiths

O hit que prova importância de John Paul Jones no Led Zeppelin, segundo Geddy Lee
12 bandas que já adiaram ou cancelaram shows por motivo de saúde em 2026
Geddy Lee explica onde foi superado por músico do Angine de Poitrine
Mike Portnoy foi assistir ao Rush e publicou suas impressões online
A banda dos anos 90 que Geddy Lee acredita que terá músicas lembradas para sempre
A banda que entregou a Neil Peart tudo o que ele queria encontrar na bateria
O clássico do progressivo que fez Geddy Lee querer levar o Rush a caminhos mais ambiciosos
A música do Rush que Neil Peart considerava um passo importante na história da banda
Após 40 anos, apareceu quem colocou o Rush na abertura do MacGyver no Brasil
O maior disco de todos os tempos, na opinião de Geddy Lee, baixista e vocalista do Rush
O clássico dos Mamonas Assassinas que apresenta referências de Rush e Dream Theater


