Dave Mustaine explica por que não vai convidar Kiko Loureiro para show com Megadeth
Por Gustavo Maiato
Postado em 04 de maio de 2026
Dave Mustaine disse que não pretende convidar Kiko Loureiro para uma participação especial em shows do Megadeth. Em entrevista ao Ibagenscast, o líder da banda afirmou que esse tipo de encontro simplesmente não faz parte da rotina do grupo. "Sobre ele tocar conosco no palco, nós simplesmente não fazemos isso", declarou.
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Mustaine citou Marty Friedman tocando com eles no Budokan (Japão) como uma exceção. Segundo ele, o Megadeth chamou o ex-guitarrista porque havia uma dívida antiga. O vocalista contou que deveria ter tocado no Budokan com Friedman quando ele ainda estava na banda, mas ficou doente, a turnê foi cancelada e o guitarrista se chateou com a situação. "Então eu precisava compensá-lo", explicou.
Kiko Loureiro e Megadeth
Kiko integrou o Megadeth entre 2015 e 2023. No período, gravou os álbuns "Dystopia", de 2016, e "The Sick, The Dying… and The Dead!", de 2022. Também participou da fase em que a banda venceu o Grammy. Para Mustaine, o brasileiro tem peso importante na história do grupo. "Kiko é tão importante quanto qualquer outro guitarrista que veio antes dele", afirmou.
O líder do Megadeth disse que escolheu Kiko porque ele era um grande guitarrista. Com o tempo, a relação profissional virou amizade. Por isso, Mustaine afirmou que decidiu apoiar a saída do músico quando ele disse que precisava parar de fazer turnês e ficar mais perto da família.
"Quando ele disse que precisava fazer uma mudança, eu quis apoiá-lo", contou. "Nós não éramos amigos quando nos conhecemos. Eu o contratei porque ele era um grande guitarrista. Nós nos tornamos amigos."
Mustaine disse ter entendido a justificativa de Kiko. "Você precisa estar presente para sua esposa e seus filhos", afirmou. Ainda assim, contou que ficou surpreso ao ver o guitarrista tocando novamente depois da saída. O vocalista disse ter encarado isso de forma positiva, porque o público continuaria tendo acesso ao talento musical do brasileiro.
A decisão de Kiko também foi explicada pelo próprio guitarrista em entrevista recente a Niels Guns, do Sixty Scales And The Truth. Ele afirmou que vários fatores contribuíram para deixar o Megadeth, mas que a família foi o motivo mais forte. O músico disse que passava cinco ou seis meses por ano em turnê, o que se tornou pesado após o nascimento dos filhos gêmeos.
Kiko contou que os filhos nasceram no ano de "Dystopia", justamente o álbum vencedor do Grammy. Segundo ele, conciliar viagens longas, gravações e crianças pequenas em casa mudou sua forma de pensar. Depois da pandemia e de outro ciclo de disco, o guitarrista concluiu que oito ou nove anos na banda já eram suficientes.
Antes de sair, Kiko ajudou na transição. Ele treinou o finlandês Teemu Mäntysaari, que assumiu a guitarra e permanece no Megadeth. Mustaine disse que já havia ouvido Kiko tocar antes de contratá-lo, mas queria conhecê-lo melhor como pessoa. "Eu só queria ver que tipo de homem ele era", afirmou, ao lembrar o encontro que tiveram antes da entrada do brasileiro na banda.
Para Mustaine, a convivência em turnê exige mais do que habilidade. "Quando você está em turnê, vocês vão ficar juntos, e vai ser difícil", disse. Ele afirmou que não sabia, no início, que a quantidade de shows acabaria se tornando um problema para Kiko. Mesmo sem planos de chamá-lo ao palco, Mustaine encerrou o assunto em tom respeitoso. "Ele é uma pessoa muito talentosa. Desejo tudo de bom a ele", declarou.
Confira a entrevista completa abaixo.
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