A canção de Jimi Hendrix que Brian May se recusou a regravar
Por Bruce William
Postado em 05 de maio de 2026
Todo grande guitarrista sabe que existe uma diferença entre admirar um mestre e querer mexer numa obra dele. No caso de Jimi Hendrix, essa distância parece ficar ainda maior. Sua guitarra não era apenas técnica, timbre ou invenção. Havia ali um senso de linguagem própria que fez muita gente da época - inclusive músicos já consagrados - parar para olhar. E, pelo visto, isso continuou valendo décadas depois, até para alguém do tamanho de Brian May.
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O guitarrista do Queen contou que certa vez foi convidado para participar de um tributo a Hendrix. A proposta incluía gravar "Burning of the Midnight Lamp", faixa lançada em 1968 e depois incluída em "Electric Ladyland". Só que a reação dele foi de recuo imediato. Em vez de enxergar ali uma oportunidade natural para prestar homenagem, May sentiu justamente o contrário: que estaria entrando num terreno onde não fazia sentido competir com o original.
Ao lembrar do episódio, ele foi bastante claro: "Alguém me pediu para fazer um tributo ao Hendrix, e acho que pediram para eu tocar algo como 'Burning of the Midnight Lamp' ou coisa assim." A resposta, segundo ele, foi não. "Pensei: 'Ah, por favor, como é que eu poderia fazer isso, se já foi feito de forma perfeita pelo mestre?'"
A fala vem de um guitarrista que nunca precisou pedir licença a ninguém quando o assunto é identidade. Brian May construiu um som próprio, influenciou gerações e tem técnica de sobra para revisitar quase qualquer repertório. Só que, no caso dessa música do Hendrix, o problema não parecia ser capacidade. Era outra coisa: a sensação de que a faixa já tinha atingido o ponto exato em que não sobra espaço para alguém chegar depois e "interpretar melhor".
Isso faz sentido quando se pensa em "Burning of the Midnight Lamp". Não é uma dessas gravações em que o artista apenas joga uma ideia no estúdio e deixa arestas por todos os lados. É uma música cheia de camadas, climas e detalhes, com aquele acabamento que passa a impressão de obra fechada, resolvida, pronta para existir daquele jeito e não de outro. Brian May, pelo visto, sentiu justamente isso.
Por causa desse incômodo, ele pediu para escolher outra faixa. E escolheu "One Rainy Wish", também de "Axis: Bold as Love". A justificativa é reveladora: para ele, essa música tinha um caráter mais espontâneo, mais rápido, quase como algo que Hendrix colocou no mundo com mais espaço para interpretação. May explicou: "Então eu disse: 'Posso escolher minha própria faixa?' e eles disseram que sim. Então escolhi 'One Rainy Wish', porque acho que foi feita muito rapidamente pelo Jimi Hendrix, algo que ele colocou de pé em dez minutos, e a letra, eu acho, é genuinamente um sonho."
No fundo, essa história diz bastante sobre a posição que Hendrix ocupa até entre guitarristas gigantes. Não é só uma atitude de respeito por si só, é intimidação mesmo, no melhor sentido. Brian May olhou para "Burning of the Midnight Lamp" e entendeu que ali havia um padrão alto demais para ser tratado como simples repertório de tributo. E isso talvez diga tanto sobre Hendrix quanto qualquer lista de elogios grandiosos: quando até alguém como Brian May prefere sair de lado, é porque o original continua alto demais no pedestal.
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