As demissões mais esquisitas da história do rock, de Pink Floyd a Beatles
Por Bruce William
Postado em 17 de maio de 2026
Sair de uma banda raramente é algo simples. Mesmo quando o comunicado oficial fala em "diferenças criativas", quase sempre existe uma mistura menos elegante por trás: ego, dinheiro, ciúme, desgaste, drogas, controle, disputa por espaço ou simplesmente gente que não se aguenta mais dentro da mesma sala. No rock, algumas demissões acabaram ficando famosas justamente porque as explicações pareciam estranhas demais para caber em uma nota de assessoria.
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A Far Out reuniu alguns desses casos, misturando episódios confirmados, versões repetidas ao longo dos anos e histórias que entraram para o folclore das bandas. O caso mais sombrio envolve Dave Glover, que passou pelo Slade em uma fase posterior da carreira do grupo. Em 2003, veio à tona que ele pretendia se casar com Rosemary West, condenada por uma série de assassinatos no Reino Unido. A situação foi pesada o bastante para tornar a permanência dele na banda praticamente impossível.
Outro caso curioso é o de Kim Shattuck, que entrou no Pixies depois da saída de Kim Deal e ficou pouco tempo no grupo. Segundo a própria baixista, sua demissão teria ligação com um stage dive feito durante uma apresentação, algo que não combinava muito com o perfil mais contido da banda. O Pixies nunca transformou esse motivo em uma explicação oficial detalhada, mas a história ficou como símbolo de uma incompatibilidade curiosa: em muitas bandas, o problema é falta de energia; ali, pelo relato dela, energia demais pode ter pesado.
Glen Matlock, dos Sex Pistols, viveu uma das demissões mais famosas do punk britânico. Durante muito tempo, repetiu-se a versão de que ele teria sido expulso por gostar dos Beatles, algo quase criminoso dentro da caricatura punk de rejeição ao passado. O próprio Matlock já tratou a história de forma mais ampla, citando vários atritos internos. Entre as provocações, havia até zombaria por ele lavar os pés com frequência, como se higiene pessoal fosse uma concessão ao sistema. No caso dos Pistols, a realidade e a autoparódia sempre andaram muito próximas.
No Pink Floyd, a saída de Richard Wright teve menos graça e muito mais amargura. Durante a gravação de "The Wall", Roger Waters já exercia enorme controle sobre a direção da banda, e a relação com Wright estava deteriorada. A explicação simplificada de que ele teria sido afastado por ser "feliz demais" soa mais como deboche retrospectivo do que como motivo real, mas ajuda a ilustrar o clima: Wright parecia cada vez mais deslocado em uma banda dominada por tensão, cobrança e ressentimento. Ele acabou saindo como integrante efetivo, embora tenha participado da turnê como músico contratado.
O caso de Pete Best, nos Beatles, talvez seja o mais conhecido da lista justamente por ter acontecido pouco antes da explosão mundial da banda. Best era o baterista do grupo antes da entrada de Ringo Starr e foi dispensado em 1962, pouco depois de Brian Epstein assumir o gerenciamento. Ao longo dos anos, surgiram várias versões: sua forma de tocar, a avaliação de George Martin, a química com os outros integrantes e até a ideia de que ele chamava atenção demais entre as fãs. A história do "bonito demais" é ótima para manchete, mas provavelmente explica menos do que a soma de fatores musicais e pessoais daquele momento.
Essas histórias mostram como uma demissão de banda quase nunca é apenas uma demissão. Em alguns casos, há um motivo objetivo e incontornável. Em outros, a explicação oficial vira lenda, e a lenda passa a soar melhor do que a realidade. O rock sempre gostou desse tipo de bastidor torto: gente brilhante fazendo música importante, mas tropeçando em vaidade, hábitos estranhos, decisões ruins e convivências impossíveis.
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