A morte de Chico Science e as dúvidas que ainda cercam o acidente, segundo Júlio Ettore
Por Gustavo Maiato
Postado em 17 de maio de 2026
Chico Science morreu em 2 de fevereiro de 1997, aos 30 anos, em um acidente de carro no Recife. Em vídeo publicado no canal de Júlio Ettore, a história é recontada a partir da biografia Criança de Domingo, escrita pelo jornalista José Teles, que revisitou a trajetória do líder do Chico Science & Nação Zumbi e trouxe detalhes sobre os últimos dias do músico.

Naquele momento, Chico vivia uma fase de expansão artística. Depois de ver o manguebeat ganhar atenção no exterior, ele voltou ao Brasil cheio de planos. Havia a ideia de gravar o terceiro disco em Nova York, passar mais tempo fora do país, aprender inglês, criar um selo e até montar uma homepage, como eram chamados os sites nos primeiros anos da internet. Em uma das últimas entrevistas, também falou sobre a Antromangue, uma espécie de fundação voltada para aulas de música e pesquisa de ritmos regionais.
Segundo o vídeo, Chico tinha dezenas de músicas novas, mas pouca coisa registrada. Quando perguntado sobre onde estavam as composições, respondeu que elas estavam "no computador", usando a palavra como metáfora para a própria cabeça. Pouco depois, todos esses planos foram interrompidos.
A morte de Chico Science
Na noite do acidente, Chico tinha três compromissos em locais distantes. O primeiro seria um encontro de maracatus em Olinda. Ele dirigia um Fiat Uno emprestado da irmã, porque seu Ford Landau era grande demais e seria difícil de estacionar em uma região movimentada, ainda mais em um domingo de pré-carnaval.
Ao descer o Complexo de Salgadinho, ligação importante entre Recife e Olinda, Chico freou bruscamente, derrapou na Avenida Agamenon Magalhães e bateu contra um poste. Ele não resistiu aos ferimentos. A morte teve grande repercussão no Brasil e fora do país, e o velório reuniu uma enorme fila de amigos, fãs e nomes importantes da cultura pernambucana.
O ponto central levantado no vídeo é que, até hoje, não se sabe com total clareza por que Chico freou de forma tão repentina. De acordo com José Teles, a hipótese de que ele teria sido fechado por outro carro não teria sido investigada com a profundidade necessária. Uma testemunha que não quis se identificar chegou a descrever o suposto veículo envolvido.
A família de Chico entrou com ação contra a Fiat alegando falha no cinto de segurança. Segundo a versão citada no vídeo, a lingueta de metal teria quebrado no momento da batida. Os advogados também teriam apontado um carro e um motorista que poderiam ter fechado e atingido Chico: um major da Polícia Militar.
Ainda segundo o relato, foi solicitada perícia no carro do major para verificar se a tinta correspondia à encontrada no veículo de Chico. O problema é que não se sabe se essa perícia foi realmente feita. O resultado nunca apareceu. Os advogados da família chegaram a afirmar que o militar teria sido protegido.
O processo teve vitória da família em primeira instância, mas a montadora recorreu e depois houve um acordo. Os valores não foram divulgados oficialmente, embora se especule que a indenização tenha ficado em torno de R$ 10 milhões, destinada à filha de Chico, então com 17 anos, e aos pais do músico.
A tragédia também mudou o rumo da Nação Zumbi. Por contrato, ainda haveria um terceiro disco. Em 1998, saiu CSNZ, com faixas ao vivo e participações de nomes como Marcelo D2 e Fred 04. Jorge Du Peixe assumiu os vocais da banda, que seguiu em atividade após a morte de seu principal símbolo.
Confira o vídeo abaixo.
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