O disco do Pink Floyd que foi a gota d'água para Roger Waters; "é simplesmente um lixo"
Por Bruce William
Postado em 14 de maio de 2026
A saída de Roger Waters do Pink Floyd não foi apenas uma separação artística. Depois de "The Final Cut", lançado em 1983, a relação entre ele, David Gilmour e Nick Mason já estava esgotada havia tempo, com Waters cada vez mais convencido de que a banda, como força criativa, havia chegado ao fim. O problema é que Gilmour e Mason não concordaram com essa leitura e decidiram seguir usando o nome Pink Floyd.
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Foi nesse clima que nasceu "A Momentary Lapse of Reason", lançado em 1987. O álbum marcou a primeira fase do Pink Floyd sem Waters e teve Gilmour no centro da condução musical, com Mason presente e Richard Wright voltando a participar, embora inicialmente em uma posição mais limitada. Para parte do público, o disco representou a sobrevivência da banda. Para Waters, era quase o oposto: uma prova de que o nome Pink Floyd estava sendo usado para algo que, na visão dele, não tinha mais a mesma verdade interna.
Waters não criticou apenas o fato de os ex-companheiros continuarem sem ele. O incômodo maior parecia estar na tentativa, segundo ele, de fabricar algo com cara de Pink Floyd. Em declaração resgatada pela Far Out, ele admitiu que havia boas ideias musicais ali, mas atacou o conceito e as letras do álbum.
"Com todo respeito às pessoas que saíram e compraram aqueles discos, eles são simplesmente lixo. 'A Momentary Lapse of Reason' tinha algumas músicas realmente boas que, se eu ainda estivesse na banda, aquelas sequências de acordes e melodias teriam entrado em um disco no qual eu estivesse envolvido. Mas conceitualmente e liricamente, é simplesmente um lixo, em parte porque não é verdadeiro. É tipo: 'Vamos tentar escrever músicas que soem como Pink Floyd e fazer discos que soem como discos do Pink Floyd'."
A declaração resume bem a disputa daquele período. Para Waters, Pink Floyd não era apenas um som, um clima ou uma marca reconhecível; era uma ideia conduzida por temas, conceitos e letras que ele havia centralizado desde os anos 1970. Para Gilmour, por outro lado, a banda nunca pertenceu exclusivamente a Waters. Havia também uma identidade musical construída por guitarra, atmosfera, produção, dinâmica de estúdio e pelo modo como aqueles músicos soavam juntos, mesmo em meio a brigas.
"A Momentary Lapse of Reason" acabou virando um disco que chama a atenção justamente por causa disso. Ele tem momentos que remetem ao Pink Floyd clássico, especialmente pelo peso da guitarra de Gilmour e pela produção grandiosa dos anos 1980, mas também carrega um certo ar de reconstrução. Não é uma banda começando do zero; é um grupo tentando provar que ainda podia existir depois da saída do homem que havia escrito boa parte de seus grandes conceitos.
A briga também teve um lado jurídico. Waters tentou impedir os antigos colegas de seguirem usando o nome Pink Floyd, mas a banda continuou, fez turnês enormes e mostrou que havia um público disposto a aceitar aquela nova fase. Isso não significava que a discussão artística estivesse resolvida. Para Waters, o sucesso comercial não apagava o que ele via como uma espécie de imitação sem alma. Para Gilmour, a resposta estava no palco, no público e no direito de continuar.
Com o tempo, "A Momentary Lapse of Reason" ficou como um retrato de uma ruptura, mais do que como um consenso dentro da obra do Pink Floyd. Não costuma aparecer entre os discos mais celebrados do grupo, mas tem importância histórica por mostrar que a banda sobreviveria sem Waters, mesmo sob ataque direto dele. A ironia é que, ao tentar provar quem carregava de fato a essência do Pink Floyd, os dois lados acabaram reforçando uma coisa: aquela banda nunca foi apenas música, conceito, ego ou marca. Era tudo isso junto - e, em 1987, tudo isso estava em guerra.
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