Megadeth, Pepeu Gomes e a mania do internauta achar que sabe de tudo
Por Mateus Ribeiro
Postado em 17 de maio de 2026
De alguns dias pra cá, uma história relativamente antiga voltou a rondar o movimentado noticiário da música pesada. Baseado em um rumor, o episódio envolve o músico brasileiro Pepeu Gomes e o Megadeth, um dos maiores nomes da história do thrash metal.
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Segundo o relato de Pepeu, o Megadeth teria feito um convite para que ele integrasse a banda como guitarrista. Abaixo, a declaração publicada pelo artista em seu perfil no Instagram:
"Na verdade eles fizeram uma proposta indecente. E eu não topei, porque... eu estava em outra. Sou um cara muito nacionalista e achei que o Brasil precisava mais de mim naquele momento do que participar do Megadeth."
O suposto convite, que teria acontecido após o grupo assistir à performance de Pepeu no Rock in Rio II, realizado em 1991, foi tema de uma entrevista concedida por Dave Mustaine (guitarrista, vocalista e fundador do Megadeth) ao canal Ibagenscast. Manoel Santos, apresentador do programa, questionou o músico norte-americano, que negou a história de forma categórica.
"Mentiras! Mentiras! Cem por cento! Mentira (...). Por que eu chamaria ele para a banda, se o Marty estava na banda? É uma mentira. Eu nem conheço ele. Eu nunca vi ele. Não poderia reconhecê-lo em uma fila (de suspeitos) em uma delegacia. É uma mentira. Triste quando alguém mente assim, mas não me importo."
"Eu teria sido a pessoa a convidar ele e eu não o convidaria, de forma alguma. O 'Countdown to Extinction' estava sendo gravado em 1991 e nós o lançamos em 92. Foi o nosso maior álbum até então. Quase ganhou platina tripla. Por que eu convidaria esse cara?"
A fala de Mustaine seria suficiente para encerrar a discussão, certo? Em tese, sim. No entanto, não foi isso que aconteceu.
A declaração do líder do Megadeth foi repercutida pelo Whiplash.Net e por outros veículos de comunicação. Como era de se imaginar, parte dos internautas decidiu contestar a versão de Mustaine, amparada por teorias que nem sempre fazem muito sentido - e pelo sempre encorajador acesso à internet.
Até onde sei, não existe ninguém com mais conhecimento sobre o Megadeth - e sobre sua estrutura interna - do que o próprio Mustaine. Aliás, arrisco dizer que, ao lado de Steve Harris, do Iron Maiden, ele é um dos maiores "chefões" da história da música pesada. Dito isso, parece difícil imaginar que um hipotético convite tenha sido feito sem seu conhecimento ou aval.
Além da credibilidade de Mustaine para falar sobre sua própria banda, existe outro ponto importante. No início dos anos 1990, a formação começava a alcançar certa estabilidade, permanecendo intacta até 1998 (uma eternidade para os padrões do grupo). Trocar Marty Friedman por qualquer outro guitarrista naquele contexto simplesmente não faria muito sentido.
Há de se considerar também o fator geográfico. Quando se apresentou na segunda edição do Rock in Rio, o Megadeth não era exatamente o gigante que é nos dias atuais e contava apenas com integrantes norte-americanos. Embora o baterista Nick Menza tenha nascido na Alemanha, toda sua carreira foi construída nos Estados Unidos. Os primeiros músicos estrangeiros que se juntaram ao quarteto foram os irmãos canadenses Glen Drover (guitarra) e Shawn Drover (bateria), que entraram para a banda em 2004.
Grande nome da guitarra, o brasileiro Kiko Loureiro integrou o Megadeth entre 2015 e 2023. A nacionalidade, ao menos nos últimos tempos, não parece ser um problema para Mustaine, já que a configuração atual do conjunto reúne o baterista belga Dirk Verbeuren e o guitarrista finlandês Teemu Mäntysaari. Contudo, esse cenário parecia improvável há 35 anos - especialmente levando-se em consideração que Pepeu não era exatamente um expoente do heavy metal.
Ainda sobre o Rock in Rio II e o início da década de 1990, existe um depoimento interessante de Mustaine presente na página 151 do livro "Rust in Peace - A História da Obra-Prima do Megadeth", publicado no Brasil pela Belas Letras. Segundo o frontman, o grupo vivia um momento extremamente positivo naquela época.
"Eu sentia que tínhamos alcançado não só o Anthrax e o Slayer, mas também o Metallica. E não apenas alcançado essas três bandas, provavelmente tínhamos ultrapassado algumas delas levando em consideração a posição hierárquica que ocupamos no Big Four. Esse negócio era super importante na época. Estávamos todos competindo por posição. Eu achava que aquele disco era extremamente importante pra nossa história e a nossa posição em relação às outras três bandas que compunham o Big Four."
Naturalmente, não é possível cravar nada com base apenas nas declarações de Mustaine. Ainda assim, o contexto da época não parece indicar que a banda estivesse disposta a promover mais uma mudança em sua formação justamente quando começava a alcançar estabilidade artística e comercial.
Sim, eu sei que Dave Mustaine está longe de ser uma pessoa fácil de lidar, algo refletido na enorme rotatividade de músicos que passaram pelo Megadeth ao longo de sua carreira. Mas existe uma distância considerável entre isso e a possibilidade de alguém da equipe cogitar a contratação de um artista que, por mais talentoso que fosse, não combinava tanto assim com a proposta do grupo.
No fim das contas, talvez a parte mais cansativa dessa história nem seja o suposto convite do Megadeth para Pepeu Gomes, mas sim a eterna mania do internauta achar que sabe de tudo, inclusive mais sobre a banda do que o próprio Dave Mustaine.
Megadeth - Pepeu Gomes foi convidado para fazer parte da banda?
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