Resenha - Em tudo o que eu faço, procuro ser muito Rock and Roll - Irapuã Peixoto Lima
Por Ricardo Cunha
Postado em 14 de agosto de 2017
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
O conteúdo deste livro é o resultado de um estudo realizado na cidade de Fortaleza/CE como requisito para a conclusão do doutorado do seu autor: Havia falado sobre esse livro há tempos. Hoje, depois de lido e relido, retorno com uma breve resenha que, do meu ponto de vista, poderia ajudar a reorientar muitas ações com vistas ao fortalecimento da cena do metal nacional.

Irapuã Peixoto Lima Filho é Doutor em Sociologia e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), membro do Laboratório de Pesquisas em Políticas e Cultura (LEPEC/UFC). Também é pesquisador associado do Núcleo de Pesquisas Sociais da Universidade Estadual do Ceará (NUPES/UECE) e do Núcleo de Estudos em Gestão Política e Desenvolvimento Urbano (GPDU/UECE). Além da temática da Juventude, mantém pesquisas sobre gestão urbana, mobilidade urbana e educação.
Neste livro, o autor realiza, através de uma pesquisa muito consistente, uma análise panorâmica do movimento roqueiro da cidade de Fortaleza, o qual chama de "rede roqueira". Contexto no qual, atribui ao termo retro mencionado o sentido de conjunto das relações entre bandas de rock, público, produtores de shows, lojas de produtos ligados ao rock e afins.

A leitura é de que tal rede passou a se constituir como um movimento capaz de sustentar economicamente, a partir de ações que fomentam eventos de rock e criam condições de consumo de produtos relacionados a este.
O estudo consiste de uma análise sócio-antropológica que busca compreender o modo de pertença dos roqueiros aos agrupamentos aos quais estão identificados. No qual "modo de pertença" significa a apropriação e incorporação dos símbolos e posturas do rock, ao comportamento e à vida prática dos fãs do gênero. Sendo que estes símbolos e posturas dizem respeito, na maioria das vezes, ao teor questionador e transgressor do rock, que estabelece uma espécie de diálogo profundo com a rebeldia típica da juventude.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Nesse sentido, o rock expressa, através de uma linguagem muito própria, um conjunto de símbolos contidos nas roupas, nas letras e na atitude musical, que favorece o encontro do jovem, com sua identidade dentro de um grupo em dado momentos de sua formação. Na qual, conforme o autor, são assimilados e adequados, - numa perspectiva mais pessoal, - de acordo com a realidade de cada um e, - numa mais geral, - com a realidade do país, região, cidade, etc.
Na cidade de Fortaleza/CE, a rede roqueira começou a se firmar a partir de um conjunto de ações que permitiu ao jovem, ter acesso aos eventos (shows) e aos produtos do rock (CDs, camisetas e assessórios), pelo surgimento dos coletivos (entidades independentes e/ou ONGs), que, normalmente são capitaneados por gente que incorpora de uma forma mais abrangente o estilo de vida roqueiro (criando música, produzindo shows e/ou trabalhando em lojas de rock). A abertura econômica também contribui para a firmação da rede, visto que, implica em aumento de poder aquisitivo, permitindo também ao público menos abastado, adquirirs produtos relativos ao rock como os CDs gravados pelas bandas e os ingressos para os shows.

O autor dividiu os agrupamentos mais atuantes na rede roqueira de Fortaleza em "Metaleiros", aqueles adeptos das vertentes mais pesadas do Metal, como o Heavy, o Thrash, o Death e o Black metal; em "Alternativos", aqueles adeptos das vertentes como grunge, indie, etc.; em "Punks", "Hardcores", "Skinheads" e "Emos". Sendo que, conforme diz o autor, "Cada um desses tem forte ligação com os movimentos surgidos no rock dos anos 1970 em diante, ou seja, do punk e seus desdobramentos."
Assim, a rede roqueira de Fortaleza/CE começou a se consolidar ou a existir de fato, quando passou a produzir e a escoar produtos de rock de todas as espécies. Isto é, quando desenvolveu uma cadeia produtiva capaz de prover um nicho de mercado, onde havia demanda e para a qual passou a existir produção de elementos de consumo.

Nesse sentido, a formação de público consumidor, os músicos (que são aqueles em função da qual, a cadeia forma relações), os produtores de shows e as lojas de produtos relacionados ao rock se 'associam' para fomentar e prover a todo tipo de demanda ensejado pelo estilo de vida roqueiro. Fazendo com que, dessa forma, o movimento exista como algo concreto dentro de um cenário econômico volátil cujas perspectivas se orientam para a possibilidade de se criar um mercado sustentável independentemente de conjunturas.
Dessa forma, resgatando elementos da introdução, conclui-se que a obra em questão pode ajudar a reorientar ações por parte de todos os atores (público, artistas, produtores, proprietários de lojas, etc.), operantes na cena em que se constitui a rede roqueira de Fortaleza/CE. Sendo estes atores, o público para o qual o livro se destina. Em tempo, as referidas pesquisas e análises estão validadas cientificamente, constituindo-se em si mesmas, instrumentos de grande valor acadêmico. Da mesma forma, resgata e revela hábitos e costumes do roqueiro cearense em sua forma mais pura de interagir com o caráter universal do estilo de vida roqueiro, destrinchando aspectos culturais intrínsecos ao nosso povo. O presente livro não apresenta soluções, apenas aponta fatos sobre como funciona a rede roqueira na cidade de Fortaleza, pelo que atribuo nota 9.

Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A melhor música da história dos anos 1990, segundo David Gilmour
Como "volta às origens" causou saída de Adrian Smith do Iron Maiden
Bangers Open Air tem datas confirmadas para 2027
Fabio Lione posta mensagem misteriosa no Instagram; "Não direi nem uma palavra"
Richie Faulkner não vê sentido em manter o Judas Priest sem os membros clássicos
Cranberries relembra música que aborda o desastre de Chernobyl, ocorrido há 40 anos
A conversa franca entre Angra e Fabio Lione que levou à saída do italiano, segundo Barbosa
O lendário compositor que Ritchie Blackmore só começou a apreciar agora aos 80 anos
O clássico do Sepultura que guitarrista do Limp Bizkit gostaria de ter gravado
Barão Vermelho celebra reencontro histórico em turnê que percorre o Brasil em 2026
15 bandas de rock e heavy metal que colocaram seus nomes em letras de músicas
Steve Harris não queria que o Iron Maiden tirasse "férias" em 2027
O curioso local em que Iron Maiden fez "Piece of Mind", "Powerslave" e "Somewhere in Time",
Slash escolhe o maior álbum ao vivo de todos os tempos; "Eu amo esse disco"
O álbum do AC/DC que tirou Malcolm Young do sério; "todo mundo estava de saco cheio"
O clássico da Legião que Renato disse ser "primeira com sensibilidade mais gay"
O dia em que Robert Plant chorou assistindo Jimmy Page tocando com outra banda
O solo de guitarra em música do Pink Floyd que David Gilmour nunca gostou

Heavy Metal: A História Completa - Ian Christe
How Black Was Our Sabbath: An Unauthorized View from the Crew

