Scorpions: A biografia do ex-baterista Herman Rarebell
Por Roberta Forster
Fonte: Scorpions Brazil
Postado em 22 de setembro de 2012
Há muito tempo não lia um livro que me absorvesse tão integralmente. "SCORPIONS: Minha história em uma das maiores bandas de todos os tempos", do ex-baterista do grupo, Herman ‘Ze German’ Rarebell, é uma deliciosa leitura e, como o próprio autor define, com o intuito apenas de divertir e descontrair. Entretanto, o que é pode ser um ponto extremamente positivo para alguns, pode ser decepcionante para outros. A autobiografia de Herman – com a co-autoria de Michael Krikorian – não é, de forma alguma, do ponto de vista da narrativa, uma biografia convencional.
Ao entrar na história, é como se o baterista estivesse sentado à sua frente, contando histórias conforme vêm à memória; não há, portanto, uma linearidade cronológica muito exata, com datas e sequências de acontecimentos como se espera de um texto do gênero biográfico. O autor conversa com o leitor, estabelece uma relação de proximidade e faz com que nos sintamos dentro das histórias que ele conta com uma boa dose de humor e sarcasmo.
O livro começa dentro do contexto do mundo bipolarizado pela guerra fria, quando a banda visitou o Leningrado (atual São Petesburgo) e atravessou a "cortina de ferro" que envolvia os países da ex-URSS. Sobre isso, Herman fala sobre sua impressão ao chegar no território desconhecido, o receio de que uma banda da Alemanha Ocidental não fosse bem aceita pelos russos. "A música não era um elemento divisor, mas unificador. Eles podiam trancar as pessoas, mas não podiam trancar as ondas do rádio.", afirma Herman, em uma das passagens do capítulo, além de contar o episódio em que eles foram recebidos por Mikhail Gorbachev e as impressões que ele teve do ex presidente da então União Soviética.
Já no segundo capítulo, ele faz uma retrospectiva de sua história como baterista, relata sua vida e como começou a se interessar por bateria, o apoio que teve dos pais, os caminhos que o levou a Inglaterra e, por fim, como acabou conhecendo Michael Schenker e entrando no Scorpions. É a partir desse ponto que a leitura se torna ainda mais divertida e deslancha. Os capítulos, em sua maioria, seguem com títulos alusivos aos álbuns dos quais ele participou, as turnês que se seguiram e histórias que envolviam outros artistas, como no caso em que o Bon Jovi queria ser a estrela máxima do Moscow Music Peace Festival. O ex batera ainda faz indiretas (mais que diretas!) ao ex-baixista da banda, Francis Buchholz, deixando a imaginação livre, porém direcionada, para o leitor pensar o que quiser sobre a controversa saída deste.
Durante toda a narrativa, Herman provoca com ironias o leitor ávido por cenas picantes, aventuras com groupies e todo aquele clichê de uma biografia rock’n’roll, porque esse realmente não é o foco do livro. Ele prossegue contando histórias, relembrando fatos passados, quebrando a linearidade, retornando ao assunto corrente, até que ele chega ao fim de sua jornada com o Scorpions, expondo seus pontos de vista, suas insatisfações e decepções, deixando claro que nada disso afetou seu carinho e respeito pelos seus ex-companheiros de banda, os quais ele considera como irmãos.
Em resumo, essa é uma leitura descontraída e indispensável a todos os fãs da lendária banda alemã, mas também recomendadíssima àqueles interessados em viajar e se deliciar dentro do mundo do rock’n’roll.
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