Dream Theater: "integridade, a chave do sucesso"
Por Filipe Cardoso Lana
Fonte: Blabbermouth
Postado em 07 de junho de 2007
Andrew Saltmarsh, do site OzProg.com, recentemente conduziu uma entrevista com o vocalista do DREAM THEATYER, James Labrie. Seguem alguns trechos da conversa:
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OzProg.com: "Systematic Chaos" é o décimo CD de estúdio do Dream Theater em vinte anos... com uma carreira tão longa como a de vocês, e estando em uma cena que não tem tanta exposição como outras, o que você credita como um dos fatores principais para o sucesso do grupo?
LaBrie: "Olha, eu acho que é a música. Creio que o que nos trouxe o sucesso é o fato da natureza da nossa música não seguir a moda do momento, e por sempre termos mantido nossa integridade os fãs, sejam de Progressivo ou de Metal, tendem a gostar do caminho que tomamos. Acho que a partir do momento que alguém entra em contato com o nosso trabalho, se inicia uma relação parecida com a que mantive com o Rush quando tomei conhecimento [de sua obra], pois daí em diante passei a querer ouvir todo e qualquer álbum [que lançavam], na expectativa das mudanças e aguardando por coisas novas, experimentais e excitantes, e eu acho que é isto que conquistou nosso público e o mantém, ao mesmo tempo que em cada disco temos ampliada a nossa base de fãs".
OzProg.com: O som da banda mudou e progrediu no transcorrer dos anos, mas os últimos álbuns trouxeram poucas novidades... "Train Of Thought" trazia um som mais pesado enquanto "Octavarium" retomou um pouco mais de progressivo. Como você acha que o "Systematic Chaos" se encaixa na progressão do som do Dream Theater?
LaBrie: "Penso que uma das coisas mais importantes para nós pessoalmente é estar antenado com o que acontece na músca. Cada membro da banda obviamente escuta coisas que são parecidas com as dos outros, mas também ouvimos bandas que nenhum dos outros escuta, e eu acho que isso nos ajuda a extrair algo destas diferentes fontes e trazê-las para nosso material e nosso estilo. 'Train Of Thought' foi concebido com o pensamento que 'este será um álbum bem pesado'. E assim foi. Foi bombástico, persistente, agressivo em toda sua extensão, e a diferença dele para o 'Systematic Chaos' é que tem mais balanço e há mais controle em como são apresentados os elementos pesados. Nós demos às composições tons mais atmosféricos, eu acho que estão mais dinâmicas e há um bom equilibrio entre a complexidade e o aspecto técnico. Então penso que por causa disso ainda estamos aptos a mostrar alguns dos elementos pesados que estiveram conosco e talvez tenham florescido de forma mais evidente nos últimos anos. Mas eu acho que algo extremamente positivo nisto é que conseguimos fazer um bom balanço entre os dois mundos, o Progressivo e o Heavy Metal. Existem também outros estilos que nós gostaríamos de explorar... como por exemplo na faixa 'Repentance', que me soa como algo tipo 'Tool encontra Pink Floyd', e vocês podem achar que estamos tocando algo um pouco mais popular quando falamos em uma música como 'Forsaken', que por outro lado traz uma sonoridade um pouco mais contemporânea. Mas para mim, há um tanto mais de equilíbrio e muito mais profundidade nela, e eu acho que nós estamos extraindo mais do nosso envolvimento com música com este álbum que nos anteriores".
OzProg.com: Você acha que às vezes se sente um tanto quanto limitado quando está em uma banda de Metal Progressivo e algo muda, como uma influência ou a maneira que vocês escrevem, tornando complicado delimitar até que ponto pode-se tentar uma mudança de direcionamento?
Labrie: "Eu acho que é difícil manter o equilíbrio. Quando escrevemos algo e sentimos que completamos a idéia ou nos sentimos bem com o que fizemos, então isto é gravado. Mas o que acontece é que às vezes os fãs têm dificuldade em entender os conceitos, o fato que em primeiro lugar as pessoas farão sempre fazem comparações por quererem de alguma maneira estabelecer uma conexão, daí automaticamente dizem 'oh, alí tem um Metallica, aqui eles estão fazendo um Muse', e eu digo que nós escutamos tudo isso. E você sabe que é engraçado pois mesmo quando estamos compondo comentamos 'oh, já estou ouvindo as comparações', sabia? Eu penso que sempre que nos sentirmos confortáveis com o que estamos fazendo, se não sentirmos que não estamos copiando alguém ou há algum plágio na música, estaremos sendo verdadeiros conosco e mantendo a integridade, apenas tentando experimentar coisas novas. O que gostaria de deixar claro é que gostamos de experimentar dentro daqueles estilos de músicas, e esta é nossa apresentação ou esta é nossa maneira de expressar esta particular direção da música. Quem concedeu a eles o direito de serem os detentores destes estilos, quando querem dizer que soamos como Metallica ou o Muse... dá um tempo! Sim, pode ser que estejamos seguindo naquela direção, mas esta é nossa maneira de escrever algo que pode ser interpretado como bem queiram".
Leia a entrevista inteira (em inglês) no ozprog.com.
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