Timo Tolkki: "Sempre tive interesse por Hitler!"
Por João Renato Alves
Fonte: Blabbermouth
Postado em 15 de abril de 2007
O site OnTrackMagazine.com conduziu uma entrevista com o líder do Stratovarius, Timo Tolkki. Seguem algumas partes da conversa.
Como você está se sentindo agora?
Timo Tolkki: Muito bem. Novamente passei por uma grande depressão após a última turnê.
Verdade?
Timo Tolkki: Sim. Talvez por uns seis ou sete meses; algo muito ruim que não me deixa nem sair de casa. Talvez tenha acontecido umas quatro vezes, de fevereiro (de 2006) até o último verão (europeu), e nessa época eu devia estar escrevendo novas músicas. Para mim isso funciona assim: eu tomo as medicações e tenho feito terapia nos últimos sete anos. Acho que sou um artista atormentado. Simplesmente aceitei isso (risos).
Mas geralmente você escreve muito sobre suas angústias ou tenta focalizar no lado positivo das coisas, ou uma mistura dos dois?
Timo Tolkki: Tento não fazer nada muito direcionado quando escrevo, apenas deixo acontecer. Sei o momento certo, e quando começo a escrever as canções surgem naturalmente, é como se houvesse um espaço para onde vou. Para esse álbum aluguei um lugar. Caminhava três quilômetros ouvindo música clássica e normalmente aparecia uma canção em duas horas. Elas simplesmente aparecem. E se isso não acontece, não forço, não é a hora certa.
Sei que no último álbum uma grande explosão aconteceu...
Timo Tolkki: Verdade, foi uma verdadeira guerra.
Houve algumas brigas na banda, uma separação e a entrada de uma vocalista feminina que fez com que os fãs se dividissem - alguns apoiaram e outros se sentiram ofendidos. Você lembra de tudo que aconteceu, sendo que isso o levou a um colapso nervoso?
Timo Tolkki: Algumas coisas sim. Era a típica fase maníaca, onde você começa a fazer coisas estranhas. Tivemos uma negociação difícil com a Sanctuary Records e de repente tudo isso aconteceu. Até hoje muitas pessoas pensam que foi uma jogada de publicidade.
Sério?
Timo Tolkki: É, mas isso quase nos arruinou. Os fãs não sabiam o que pensar, e claro que houveram muitasa reações de raiva. Tínhamos uma vocalista. Imagine se uma garota substituísse Bruce Dickinson no Iron Maiden? Foi quando percebí que tinha ido longe demais, que precisava me tratar. Atualmente tomo Lítio, o que me mantém livre dos distúrbios bipolares. Mas há um lado ruim, que é lhe manter longe do lado maníaco, que me levava ao limite da criatividade. Muitas canções que escreví foi quando estava no auge da loucura. Mas para o novo álbum foi fácil escrever. Sinto que não fui ao limite, mas no fim, não tenho escolha.
Legal. Falando sobre o passado recente, o último álbum lançado, "Stratovarius", me parece um tanto obscuro e com um certo desespero em seu conteúdo.
Timo Tolkki: Hummm, é mesmo (risos)...
Isso era um reflexo do que acontecia naquele momento e da sua situação?
Timo Tolkki: Aquele álbum foi um verdadeiro catado de pedaços e retalhos. Não gosto dele. Não era o que deveria ter sido. O processo não foi o mesmo dos anteriores, pois quando estávamos no estúdio houve a nossa separação. Jörg (Michael, baterista) teve que fazer suas partes sozinho pois o baixista não queria aparecer. Foi uma época esquisita. Eu estava no hospital enquanto o baterista gravava sozinho no estúdio.
E isso tudo deixou os fãs confusos.
Timo Tolkki: Fomos até o inferno e voltamos juntos. Timo Kotipelto (vocalista) é um cara muito sensível e eu o levei ao limite. Aprendemos muito durante esse processo e temos uma boa amizade agora. Na verdade a banda inteira está assim, é um sentimento excelente.
É bom saber isso. Ouvi dizer que o novo álbum seguirá o estilo tradicional do Stratovarius.
Timo Tolkki: Sim, eu queria escrever músicas no estilo antigo, não tão obscuras. Mas não será totalmente como o 'Visions', por exemplo. Não se pode escrever o mesmo álbum duas vezes (risos). Quer dizer, até pode mas eu não quero. Diria que apenas quero escrever boas músicas de Heavy Rock Melódico. Chamo de Heavy Rock porque Heavy Metal seria como dizer que somos igual ao Manowar ou algo assim. Não acho que sejamos Heavy Metal. Também há essa história de Power Metal. Nem sei o que é isso. São categorias que as pessoas inventam.
A maneira mais fácil de descrever é ouvindo e interpretando.
Timo Tolkki: Entendo a garotada, eles querem saber e ter suas preferências, mas quando tinha 16 anos ouvia Iron Maiden e não pensava nesse tipo de coisa, apenas gostava muito. Mesma coisa com o Rainbow, não ficava pensando "isso é rock?" ou fosse o que fosse. Haviam tantas músicas boas, apenas gostava.
Mudando de assunto, havia uma música que era para sair no último álbum que falaria sobre Hitler.
Timo Tolkki: Escreví uma música chamada "Hitler" pois sou muito interessado nele. Estive estudando ele e suas características. Apenas queria escrever uma música e naturalmente chamá-la de "Hitler". Então o inferno caiu sobre mim quando a gravadora soube. Nossa gravadora é alemã e seu escritório é em Berlim.
Oh não (risos)...
Timo Tolkki: Disse a eles que uma das músicas se chamava "Hitler". Enlouqueceram, e isso resultou em eventos bizarros. Tive que enviar a letra para um ministro alemão, que se encarregaria de analisar se não haviam referências ao nazismo. Nesse meio tempo a gravadora me pressionava para mudar o nome da música, dizendo que isso ia promover o nazismo. Na Finlândia os tablóides noticiaram isso. Colocaram fotos nossas do lado de fotos do Hitler (risos).
Meu Deus!
Timo Tolkki: Então o escritório da gravadora em Berlim soube o que estava acontecendo na Finlândia. De repente Jörg me avisa que estava fora da banda. Estava no estúdio mixando essa música e de repente ele aparece gritando comigo durante 50 minutos. Parecia o próprio Hitler. Na verdade essa canção é anti-Hitler, totalmente contra o nazismo. Havia um discurso dele no início, e isso foi outra coisa que disseram que eu não poderia fazer. Para mim isso é como proibir a arte. Fiz uma música e me disseram que eu não poderia lançá-la, odiei isso. Mas então comecei a pensar que talvez devesse repensar algumas coisas, pois é um assunto delicado de se tocar. Estava muito bravo e pensei em chamar a música de "Why" (por quê). Depois pensei em "Zenith of Power", Gotterdammerung. É uma palavra alemã, que significa crepúsculo dos deuses. E há o discursos nos últimos 30 segundos. Está bem baixinho mas você pode ouvir. Queria fazer essa música porque pra mim Hitler e os nazistas representam o mal definitivo na humanidade. Apenas uma pessoa planejou e quase destruiu toda uma cultura. E isso deve ser estudado e abordado. Por que? Para que não aconteça de novo.
A entrevista inteira pode ser lida aqui.
Surto de Timo Tolkki
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