Paradise Lost: em 2002, a tentativa de reconciliação
Resenha - Symbol Of Life - Paradise Lost
Por Mateus Ribeiro
Postado em 21 de junho de 2019
No ano de 1995, o Paradise Lost lançou aquele que é seu maior trabalho, "Draconian Times". Apesar de ser aclamado, o disco fez com que alguns fãs mais radicais da banda virassem as costas para o Paradise, por conta do som mais acessível. Os lançamentos posteriores, "One Second" (1997), "Host" (1999) e "Believe In Nothing" (2001), igualmente inovadores, só deixaram seguidores mais antigos e banda mais longe um do outro. Por outro lado, a mistura de heavy metal com batidas eletrônicas e pitadas de bandas góticas oitentistas fez com que a popularidade do Paradise aumentasse entre outro tipo de público.
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Com o lançamento de "Symbol Of Life", em 2002, as coisas ficaram um pouco mais tranquilas, e os fãs mais antigos sentiram no disco uma espécie de "volta para casa". Porém, as influências modernas continuavam presentes, e de forma alguma o Paradise permaneceu parado no tempo.
Desde "Isolate", a grudenta, marcante e pesada faixa de abertura, é notável o talento que o Paradise tem em juntar melodia com peso, além da facilidade extrema em unir elementos do passado e do presente. De fato, uma grande maneira de se abrir o trabalho, e de fixar na cabeça do ouvinte, já que é quase automático repetir a faixa por vezes seguidas.
Outro grande sucesso do disco vem na sequência, a primorosa "Erased". Os vocais femininos caíram como uma luva, vale ressaltar.
"Two Worlds" é um dos momentos mais pesados do álbum, e sintetiza muito bem a mistura entre o peso e as influências modernas que o Paradise adotou. Com o perdão do trocadilho, é uma bela mostra dos dois mundos que a banda conhece como poucas.
Uma das músicas mais apoteóticas do disco, "No Celebration", ironicamente, é um dos temas para ser celebrados no disco. Grande música, que poderia figurar facilmente em "Draconian Times", como uma irmã mais nova de "Forever Failure".
A faixa título, "Mistify", "Pray Nightfall", "Channel For The Pain" (que tem passagens próximas do punk rock), "Self Obsessed" e "Perfect Mask merecem destaque, e seguem a linha moderna e competente do disco.
A grande "Smalltown Boy", originalmente escrita pelo Bronski Beat, mostra o tamanho da influência que o synthpop tinha no som do Paradise Lost. Um dos covers mais legais e inusitados já gravados por uma banda de metal, além de ser um dos pontos altos do disco, já seria suficiente para fazer valer o investimento.
O Paradise está longe de ser uma banda acomodada, e 'Symbol Of Life" mostra muito bem isso. Um disco pesado, moderno, mas acima de tudo, honesto, uma vez que a banda misturou todas as suas influências, e não tentou apenas "jogar para a torcida" para conseguir recuperar o respeito dos fãs antigos.
Um grande trabalho, que figura entre os mais respeitáveis e representativos de toda carreira do grupo inglês.
Ano de lançamento: 2002
Faixas:
"Isolate"
"Erased"
"Two Worlds"
"Pray Nightfall"
"Primal"
"Perfect Mask"
"Mystify"
"No Celebration"
"Self-Obsessed"
"Symbol of Life"
"Channel for the Pain"
Formação:
Nick Holmes – vocal
Gregor Mackintosh – guitarra
Aaron Aedy – guitarra
Steve Edmondson – baixo
Lee Morris – bateria
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