Virgin Steele: A amaldiçoada Casa de Atreu
Resenha - House of Atreus Act II - Virgin Steele
Por Vitor Sobreira
Postado em 03 de fevereiro de 2019
Mais uma década estava ficando para trás, mas a criatividade de David DeFeis parecia não ter limites para com o seu Virgin Steele. Após uma sequencia arrasadora de álbuns em um curto período de tempo, a banda estadunidense se preparava para entrar no novo milênio, dando continuidade ao dramático trabalho anterior ‘The House of Atreus – Act I’, com o óbvio ‘Act II’, que foi lançado em 16 de outubro de 2000, pela T&T Records.
Se a partir de ‘Invictus’ (1998) o track list foi ficando cada vez mais extenso, as coisas aqui não foram diferentes. Se por um lado o ‘Act I’ teve 22 faixas, divididas em 01 hora e 14 minutos, o ato final foi um pouquinho além: sendo um álbum duplo, contou com um total de 23 faixas contabilizadas em quase 90 minutos, que dão continuidade à maldição da Casa de Atreu – uma verdadeira tragédia de Ésquilo. Mas, não se assuste, pois é uma primorosa e sensacional experiência de louvor à Arte, com o Heavy Metal se unindo à Cultura Clássica!
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Apostando mais em composições voltadas ao Power Metal e equilibrando mais as "vinhetas" e interlúdios instrumentais, tudo soa magnífico, não tem como negar. Além disso, o trio DeFeis, Ed Pursino e Frank Gilchriest já eram cúmplices há um bom tempo, então não poderiam soar mais entrosados, sem deixar de lado que cada um contribuiu significativamente com suas habilidades – basta prestar atenção nos teclados e vocais quase que únicos de David, na selvagem (e ao mesmo tempo, elegante, com solos impecáveis) guitarra de Pursino e em Frank "The Krakan" destruindo seu kit de bateria, com uma técnica absurda.
Como prova do que relatei acima, "Wings of Vengeance" já começa em alto pique, rápida, direta e empolgante, do jeito que uma faixa de abertura precisa ser. Pulamos para a épica "Fire of Ecstasy", que na verdade é uma versão para "Call For the Exorcist", do misterioso projeto Exorcist – que na verdade eram os músicos do Virgin Steele, apenas usando pseudônimos e fazendo um som diferente, em meados dos anos 80. A curta "The Oracle of Apollo" possui boas melodias, mas logo chega outra rápida e direta: "The Voice as Weapon" (no que seria uma pequena amostra a ser ouvido futuramente, em alguns momentos do espetacular ‘Visions of Eden’, de 2006). Com um clima mais dramático, "Moira" é um diálogo entre a rainha Clitemnestra e seu filho Orestes, que é seguida pela instrumental "Nemesis", não menos dramática e com DeFeis esbanjando suas notas de piano. Como um feixe de luz em um ambiente lúgubre, "Wine of Violence" é outro Power, que me remeteu brevemente aos dias de ‘Invictus’, porém sem o mesmo peso. Vamos finalizando o primeiro disco com a melodiosa e diversificada "A Token of my Hatred", que fez o favor de contar com uma inesperada e impressionante introdução de órgão e apresenta algumas pitadas mais progressivas aqui e ali, e a também variada e forte "Summoning the Powers", que apenas careceu de riffs mais pesados.
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Pulamos agora para o segundo disco, e novamente a abertura se mostrou uma escolha esperta com "Flames of Thy Power (From Blood They Rise)", com momentos melodiosos e levadas rápidas de bateria. "Arms of Mercury" é mais lenta e contida, e logo é engolida por "By the Gods" e as curtas – e demasiadamente interessantes e carregadas de sentimentos – "Areopagos", "The Judgment of the Son", "Hammer the Winds", "Guilt or Innocence" e a inesquecível "Fields of Asphodel", que acaba servindo de introdução para "When the Legend Dies", onde os elementos progressivos são mais evidenciados, além de conter um dos solos de guitarra mais espetaculares e inspirados que já tive o prazer de ouvir! Na breve (pra variar não é mesmo?!, já que este segundo disco compensou a falta de faixas curtas e instrumentais que o primeiro não teve) "Anemone (Withered Hopes… Forsaken)" é possível ouvir ecos da melodia principal do tema de "The Marriage of Heaven & Hell". E novamente vamos nos aproximando do fim, mas um fim definitivo, com as duas instrumentais "The Waters of Acheron" e "Fantasy and Fugue in D minor (The Death of Orestes)" (camarada esse, Orestes, que depois de muita peleja, no fim das contas morreu aos noventa anos, e pasmem, picado por uma cobra!) e a derradeira e longa "Ressurection Day (The Finale)", com seus dez minutos muito bem aproveitados de pura pompa, sessões velozes, refrão empolgante e até uma lembrança de Hard Rock em alguns momentos, sem contar a última menção da já citada melodia de "The Marriage of Heaven & Hell" – ou seja, um encerramento digno, para um magnum opus que merece ser aplaudido de pé!!
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