Matérias Mais Lidas

imagemBill Hudson diz que tatuagem pode ter sido entrave para entrar no Megadeth

imagemTaylor Hawkins: Ele estava cansado e pronto pra abandonar o Foo Fighters

imagemEdgard Scandurra, do Ira!, explica atual sumiço do rock nas rádios brasileiras

imagemLuísa Sonza posta fotos com camiseta da banda de death metal Morbid Angel

imagemMarcello Pompeu, em busca de emprego, pede ajuda a seguidores

imagemDavid Gilmour surpreende ao responder se o Pink Floyd pode voltar a fazer shows

imagemPink Floyd: Em entrevista de 1984, David Gilmour falou sobre "The Final Cut"

imagemO que mudou no rock dos anos 90 pra cá segundo Jimmy Page

imagemIan Gillan conta como foi sua primeira saída do Deep Purple, em 1973

imagemOzzy Osbourne revela o único integrante de sua banda que saiu "do jeito certo"

imagemMark Knopfler e o peso da vida de um artista em turnê, por Regis Tadeu

imagemO erro geográfico na letra de "All Star", música que Nando Reis fez para Cássia Eller

imagemRegis Tadeu explica porque o vinil e o Spotify vão despencar e o CD vai bombar

imagemKirk Hammett posta foto com guitarra do Coringa Surfista e look tipo Agostinho Carrara

imagemBrian May revela o inesperado álbum do Queen que é o seu favorito


PRB

Somberland: Pest'Ology é um marco para o Black Metal nacional

Resenha - Pest'Ology - Somberland

Por Daniel Silva
Fonte: Rifferama
Em 02/06/18

por Pedro Bermond Valls

O Somberland é um quarteto de black metal de Criciúma, com trajetória recente, lançaram uma demo em 2016 e o LP em questão, "Pest’Ology", em novembro de 2017. Diavolus e Dmortest trabalham as guitarras, E. Nargoth o baixo e os vocais, na bateria seu amigo de longa data W.A.G. Estão atualmente assinados com o selo paulista Heavy Metal Rock.

Divulgue sua banda de Rock ou Heavy Metal

O álbum dá largada com a faixa-título, "Pest’Ology". Um trio de acordes menores tocados em tremolo ressoam ao fundo até que a bateria prepara sua entrada com blast beats. Define-se aqui o tom da obra, uma sonoridade bastante recorrente no black metal. A faixa é construída neste formato clássico do estilo, misturado com riffs técnicos, de notas em staccato e harmônicos artificiais, que remetem a um thrash dissonante e frenético, muito parecido com ideias presentes nos primeiros CDs do Slayer.

É possível captar também intenções mais melódicas, baseadas em escalas convencionais, uma pitada de melodeath. Essa tríade de influências vai estar presente durante todo o trabalho, que mesmo com o trânsito entre escolas do metal e com a produção limpa, não deixa de ter fidelidade à estética black metal – crua, desoladora e atmosférica. Os vocais, provavelmente a performance mais impressionante do disco, contribuem imensamente para a manutenção desses status "true" no álbum, algo que a comunidade do black costuma valorizar muito. Eles soam agonizantes e animalescos, repulsivos como um orc tolkiano ou um corvo engasgando com carcaça, além de intensos, não perdendo pressão e agressividade em nenhum momento. (Não deixo de ser fã de vocais inconstantes e sem técnica no estilo, acho um encaixe adequado, como no álbum "Panzerfaust" do Darkthrone)

Ademir Barbosa Silva | Alexandre Faria Abelleira | Andre Sugaroni | André Silva Eleutério | Antonio Fernando Klinke Filho | Bruno Franca Passamani | Caetano Nunes Almeida | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Eduardo Ramos | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cristofer Weber | César Augusto Camazzola | Dalmar Costa V. Soares | Daniel Rodrigo Landmann | Décio Demonti Rosa | Efrem Maranhao Filho | Eric Fernando Rodrigues | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Filipe Matzembacher | Gabriel Fenili | Helênio Prado | Henrique Haag Ribacki | Jesse Silva | José Patrick de Souza | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcelo H G Batista | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Reginaldo Tozatti | Ricardo Cunha | Ricardo Dornas Marins | Sergio Luis Anaga | Sergio Ricardo Correa dos Santos | Tales Dors Ciprandi | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Tom Paes | Vinicius Valter de Lemos | Wendel F. da Silva

A segunda música "Here Has No Place For God" segue uma fórmula parecida. Duas passagens parecidas com uma ponte e um refrão, cercadas de riffs diversos, caminhos e descaminhos instrumentais. Um elemento novo é adicionado ao pacote e ele agrega bastante ao conjunto: backing vocals guturais. Algo muito raro de se ouvir em um álbum de black metal, eles vêm junto aos shrieks, catalisando o peso sonoro e significativo das frases.

Apontamentos negativos que já podem ser feitos nesse ponta da trajetória incluem: erros de sintaxe e gramática nas letras e o som do bumbo, tímido e estalado, deixando de contribuir para a dimensão grave da equação sonora. A bateria é muito bem tocada e é composta de uma maneira que distribui com dinâmica e inteligência os elementos passíveis de uso, como o blast beat, o pedal duplo, o encaixe das viradas e das conduções. No entanto, ela segue um clichê do gênero que são viradas e acompanhamentos quase sem utilização de pausas e ausentes de balanço ou suingue. Nada comprometedor, apenas um comentário.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

"Fallen Angel" é a terceira faixa e certamente a minha favorita. O groove com hammer ons e a atmosfera de notas únicas da introdução é arrepiante, depois segue-se uma baixa de intensidade, com a linha de baixo exposta, só acompanhada de condução simples. Uma perfeita queda de pressão antes de um retorno brutal para o refrão e pós-refrão, que são absolutamente geniais. A maneira como a articulação vocal e as guitarras dançam entre si, juntas com "regurgitações" do pedal duplo, depois fluem placidamente para uma melodia de oitavas "epicamente triste" é hipnotizante. Elas crescem novamente, temperadas com os já mencionados backing vocals, sublimando-se juntas às declarações estridentes de "My Triumph". A música trata muito provavelmente do mais famoso entre os anjos caídos da história do imaginário humano, e principal inspiração lírica da história do black metal, Lúcifer – e é o ponto mais alto de todo o álbum. Nada de tecnicamente embasbacante, apenas composição inspirada. Uma das melhores músicas que já ouvi no estilo.

Siga Whiplash.Net pelo WhatsApp

"Forever Dark Wood" começa com talvez o andamento mais rápido do trabalaho até o momento, blast beats e acordes ao fundo, uma progressão bastante heroica e marchante. Os riffs dessa faixa são bons mas menos memoráveis que os anteriores. Destacam-se aqui a primeira passagem "calma" da listagem e a progressão harmônica principal. "Dark Silence of Death" tem como riff principal uma jogada de palhetada entre cordas que soa bastante inovadora no contexto black metal, soa interessante e encaixa bem, como uma espécie de "Don’t Fear The Reaper" brutal. É a primeira música também onde surge uma passagem de guitarra solo. Eu não sou fã de solos nesse estilo, acho que ele prospera muita na projeção de imagens e de sentimentos, as dive bombs e as notas voando são muito capazes de retirar o ouvinte do "transe" característico do black metal.

Como consegui viver de Rock e Heavy Metal

Um tema muito recorrente no gênero é o despotismo e a autocracia, "Wrath of the Tyrant", sexta na listagem, aparece completando essa casinha do bingo. A música começa com um ótimo riff, balançado, digno de se mexer o quadril, mas que não deixa de ser macabro. Seguimos então ao gancho, ponte e refrão, que seguem uma dinâmica bastante parecida com "Fallen Angel", vocais e guitarras fluindo paralelos mas juntos em um construto coeso, mas, embora também muito cativante, não atinge o mesmo nível de qualidade da terceira faixa. O resto da estrutura da música segue com segmentos instrumentais soltos entremeando cada um dos ganchos, achei esses encadeamentos um tanto fracos. O riff da introdução volta na saída, ele junto com o gancho são suficientes para fazer desse um dos ápices.

Divulgue sua banda de Rock ou Heavy Metal

Campos de batalha, mais uma casinha do bingo preenchida em "Into the Front". A música começa com um dedilhado, a guitarra usando efeito, um phaser, flanger ou talvez outro pedal, não estou certo – ao fundo barulhos de tiros e explosões. Entra então a distorção, a música é de andamento absolutamente frenético, composta principalmente de acordes. A maneira como cada troca é encaixada dentro do fluxo rítmico da música é muito interessante. O Outro é destaque na faixa, lamentações bélicas fazem fundo a um riff repetitivo mas desconcertante (no bom sentido, que provavelmente só existe no metal) e a bateria toca aqui talvez o primeiro groove sem condução, só com tambores, do álbum. O resultado é proveitoso. Uma das melhores do CD.

Divulgue sua banda de Rock ou Heavy Metal

"Sadistic Instincts Arise" é lenta e atmosférica, com vocais impositivos. Em termos de criatividade no uso dos interlúdios e mudanças repentinas de groove é um destaque do trabalho. "…When Future No Matter" fecha a obra com um quadro mais introspectivo e triste. Os arpejos introdutórios no baixo são destaque, abrem espaço para um riff arrastado e emocionante que se dilui novamente nos arpejos, dessa vez tocados pela guitarra. Voltamos para o primeiro riff, agora cantado, e a sonoridade é bastante melancólica, depois uma espécie de verso surge com slides sincopados de power chord, essa mesma ideia, resgatada do thrash, volta com uma intenção mais melódica um pouco mais a frente e a música termina com o riff principal e a volta do arpejo de baixo. Boa música, fraca para uma finaleira.

Ademir Barbosa Silva | Alexandre Faria Abelleira | Andre Sugaroni | André Silva Eleutério | Antonio Fernando Klinke Filho | Bruno Franca Passamani | Caetano Nunes Almeida | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Eduardo Ramos | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cristofer Weber | César Augusto Camazzola | Dalmar Costa V. Soares | Daniel Rodrigo Landmann | Décio Demonti Rosa | Efrem Maranhao Filho | Eric Fernando Rodrigues | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Filipe Matzembacher | Gabriel Fenili | Helênio Prado | Henrique Haag Ribacki | Jesse Silva | José Patrick de Souza | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcelo H G Batista | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Reginaldo Tozatti | Ricardo Cunha | Ricardo Dornas Marins | Sergio Luis Anaga | Sergio Ricardo Correa dos Santos | Tales Dors Ciprandi | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Tom Paes | Vinicius Valter de Lemos | Wendel F. da Silva

O álbum como um todo é bastante coerente e bem composto, mas acho que ficou com muito das suas melhores ideias concentradas na primeira metade. As letras são boas, as ideias e imagéticas provocadas pelas palavras são interessantes, no entanto, o Somberland peca na parte técnica da escrita, com erros gramaticais. Isso é algo bem comum no metal brasileiro, o melhor exemplo sendo as construções frasais toscas do Max Cavalera no Sepultura. Não é nada que diminua a grandeza dos gigantes do thrash ou do formidável Somberland.

Os finais abruptos em acordes não dissonantes, sem fade-out, diminuem um pouco a capacidade do álbum de gerar uma "aura" sonora, capacidade que, avaliando outros aspectos, é bem forte. As performances instrumentais são todas excelentes, o vocal é um dos melhores que já ouvi no black metal, quiçá o melhor. "Pest’Ology" é, ao meu ver, um dos melhores álbuns da história do metal catarinense.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Stamp
publicidade
Ademir Barbosa Silva | Alexandre Faria Abelleira | Andre Sugaroni | André Silva Eleutério | Antonio Fernando Klinke Filho | Bruno Franca Passamani | Caetano Nunes Almeida | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Eduardo Ramos | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cristofer Weber | César Augusto Camazzola | Dalmar Costa V. Soares | Daniel Rodrigo Landmann | Décio Demonti Rosa | Efrem Maranhao Filho | Eric Fernando Rodrigues | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Filipe Matzembacher | Gabriel Fenili | Helênio Prado | Henrique Haag Ribacki | Jesse Silva | José Patrick de Souza | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcelo H G Batista | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Reginaldo Tozatti | Ricardo Cunha | Ricardo Dornas Marins | Sergio Luis Anaga | Sergio Ricardo Correa dos Santos | Tales Dors Ciprandi | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Tom Paes | Vinicius Valter de Lemos | Wendel F. da Silva
Siga Whiplash.Net pelo WhatsApp


Sobre Daniel Silva

Jornalista, começou a ouvir música relativamente tarde (aos 14 anos), quando conheceu o Green Day. Depois de descobrir o Metallica e, principalmente, o Megadeth, a sua vida mudou. De um autêntico headbanger, passou a curtir todo o tipo de música quando realizou o seu TCC sobre bossa nova. Trabalha em um jornal de grande circulação em Santa Catarina.

Mais matérias de Daniel Silva.