El Efecto: Resenha do álbum Memórias do Fogo
Resenha - Memórias do Fogo - El Efecto
Por Marcio Machado
Postado em 24 de março de 2018
Nota: 9 ![]()
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A banda El Efecto surgiu no início dos anos 2000, trazendo uma sonoridade bem particular, original, ou alguém arrisca a dizer que já ouviu algo como "O Encontro de Eike Batista e Lampião"? Com letras de cunho social e político, numa mistura de ritmos bem inusitadas as vezes, mas mostrando uma riqueza enorme nesses flertes que vão desde o funk até o hardcore e progressivo, misturado à um lirismo poético maravilhoso.
Com cinco álbuns de estúdio, em 2018 a banda lança mais um petardo na cena caótica em que se encontra a música brasileira.
Vindo da obra prima deles, "Pedras e Sonhos","Memórias do Fogo" já nasce sendo um dos melhores álbuns do ano, tratando exatamente de memórias, da História, sendo forte, duro nas críticas, fazendo reflexões que pesam no ouvinte que as compreende, que captam aquela mensagem.
"Café" abre o disco e já vem com dois pés na porta. Tratando do trabalho pesado da lavoura, numa letra densa, e usando influência de música flamenco, e passeando até o hardcore para contar a história de pessoas que davam suas vidas em um época de colônia, para que uma outra parcela aproveitasse o gosto da bebida numa mesa tranquila em Paris, a revolta dos trabalhadores contra o abuso, é lindo de se ouvir.
Trazendo uma pegada de samba na sua abertura, e logo pulando para uma vibe mais prog, "O Drama da Manada Humana" é daquelas músicas que nascem para ser destaque, e assim o faz, sendo a melhor faixa do disco. A letra exalta uma crítica violenta ao capitalismo, na luta diária do proletariado contra esse sistema, fazendo alusões até mesmo a Karl Marx. Com quase 9 minutos, é um passeio na complexidade de mistura de ritmos que o El Efecto já ficou conhecido, e é incrível como esses caras conseguem misturas tantas coisas distintas e soar de forma tão natural, competente, de forma que esses minutos passam voando. A faixa ganhou um vídeo com algumas cenas do filme "Tempos Modernos", de Charles Chaplin.
"Carlos e Tereza" lembra um samba de boteco, e até mesmo trechos vindos do axé, numa letra que traz datas de revolta, que foram marcadas por lutas, e "O Monge e o Executivo", que faz alusão ao nome de um livro de auto ajuda empreendedor, lembra um folk oriental em seu início, para entrar um ritmo mais reggae no meio, e brincar de novo com a música local de lá e até mesmo o rap da as caras por aqui, numa reflexão sobre o que é ser magnata e ter a visão de sociedade por esse ângulo.
"Chama Negra" lembra uma composição saída dos altos monte de Minas Gerais, faixa doce e cantada por Rachel Barros, exaltando a mulher negra, numa música linda, calma e faz viajar pra longe na suavidade que é entoada. "Trovoada" invoca as cantigas de terreiro para contar um pouco sobre a escravidão, numa das melhores letras já feitas pela banda, clamando aos oprimidos que se levantem e façam a revolta, que mudem a situação.
Com o caminho aberto, "Incêndios" traz a revolta causada na faixa anterior e descamba numa música rápida, pesada, com uma presença de baixo incrível, tempos quebrados e letra falando de todos aqueles que se cansaram de viver essa vida de situação mais ou menos, do sobreviver na selva de classes, é um final apoteótico e com gosto de quero mais, que foi pouco.
"Memórias do Fogo" é um disco extremamente necessário, seja ele na musicalidade, seja na sua forma de crítica poética, seja como a originalidade da banda. Obrigatório.
Formação:
. Bruno Danton (voz, violão e viola)
. Cristine Ariel (guitarra, cavaquinho e voz)
. Eduardo Baker (baixo)
. Gustavo Loureiro (bateria)
. Tomás Rosati (voz, cavaquinho e percussão)
. Tomás Tróia (guitarra e voz)
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