Discos pouco falados no mundo do rock: No Mean City

Resenha - No Mean City - Nazareth

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Por Zé Elias
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Imagine um moleque de 13 anos que adora desenhar e tem uma relação amadora com rock. Que já ouviu Secos e Molhados, Deep Purple e Santana, mas em fitas cassetes sem nenhuma informação; portanto, não sabe de quem se trata. O único nome de banda familiar é Beatles, e só por aquela coletânea dupla vermelha. Distinguir instrumentos, saber o que é baixo, teclado? Nem pensar. E então esse moleque é chamado por um amigo de escola para ouvir um disco com esta capa e contracapa.

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Pronto. Perdi a virgindade. A partir da pancada hard que é "Just to get into it", da voz surreal de Dan McCafferty, do trabalho artístico maravilhoso dessa capa tenebrosa, eu passei mesmo a get into it, a viver rock de outra forma. Ler sobre bandas e músicos, colecionar LPs e gravar fitas cassete, aprender a tocar um instrumento - tudo isso virou esse vício que você, leitor desta matéria, também deve ter ou já teve.

Minha percepção de música não me deixa entender porque o Nazareth nunca esteve no patamar de fama de nomes como Stones e Kiss. "No Mean City" é um entre pelo menos cinco discos que não deixam nada a dever, em termos de competência, à concorrência desses seus contemporâneos. Talvez seja a falta de adereços não musicais como as caras e bocas de Jagger ou as máscaras do Kiss... Acho que seria justo que eles "claim to fame", como diz o título de uma das faixas. Enfim, isso é só a minha mortal opinião. Os deuses do rock têm lá suas razões.

O álbum tem um trabalho de guitarras bem ao meu gosto: solos daqueles que a gente depois assovia nota por nota, como uma melodia extra das faixas; pouca distorção; alguma coisa acústica; sobreposições; e diálogos com o vocal. Pete Agnew não é um mero tocador de cabeças de nota no baixo, suas linhas são trabalhadas. Preste atenção, por exemplo, na balada "Star". Darrell Sweet é um baterista discreto, mas atende a necessidade do estilo. E Dan McCafferty leva a voz do céu ("Star") ao inferno (faixa-título) com muita propriedade.

Para você que é jovem e gosta de metal, vale ouvir. No mínimo para imaginar porque o Nazareth está na preferência de caras como James Hetfield e Axl Rose.

Faixas:
Just to Get into It - 4:24
May the Sunshine - 4:55
Simple Solution, Part 1 & 2 - 4:59
Star - 4:55
Claim to Fame - 4:30
Whatever You Want Babe - 3:42
What's in It for Me - 4:20
No Mean City, Part 1 & 2 - 6:32

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Sobre Zé Elias

José Elias da Silva Neto é paulista de Santo André, nasceu em 1965. Mora em Poços de Caldas, MG. É designer gráfico, baixista e palmeirense. O primeiro rock ouviu com 2 anos de idade, "Wooly Booly", de Sam the Sham and the Pharaos. Em 1972, foi apresentado ao "Machine Head" do Deep Purple e ao "Santana 3". Uns anos depois vieram a coletânea "1962-1966" dos Beatles e "No Mean City", do Nazareth. Aí virou mania. Quem tá sempre no player: Jethro Tull, Queen, Led Zeppelin, Genesis, Gentle Giant, Dixie Dregs, Emerson Lake & Palmer, Rush, Focus. E alguma coisa de jazz anos 30-40, música erudita, MPB. O que não lhe faz a cabeça: rock farofa, solos muito longos e metal muito zoeira.

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