Dead by Sunrise: um bom trabalho na carreira de Chester Bennington

Resenha - Out of Ashes - Dead by Sunrise

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Por Marcio Machado
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Chester Bennington era o grande nome do Linkin Park, um dos melhores cantores de sua geração, e que infelizmente, poucos meses após sua passagem pelo Brasil, nos deixou em julho deste ano. Chester sempre esteve envolvido em projetos paralelos ao LP, estando mesmo a frente de uma das maiores bandas dos 90's, o Stone Temple Pilots, e dentre esses projetos, um se destaca bastante, o Dead by Sunrise, que traz um distanciamento de suas outras bandas, sendo um projeto mais intimista e mais a cara do vocalista.

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Nascida em meados de 2005, quando Bennington escrevia canções para o álbum "Minutes to Midnight", compôs uma série delas que não se adequaram ao sim de sua banda principal, então após alguns pockets shows esporádicos, a banda lançou seu único disco em 2009, "Out of Ashes", traz uma carga de energias pesadas, letras densas e obscuras, mostrando uma outra vertente do vocalista, flertando com o industrial/gótico dos anos 80 e o grunge, que particularmente, me agradou mais do que os lançamentos pós "Meteora", do Linkin Park.

"Fire" abre o disco já mostrando do que vai ser encontrado pela frente. Uma música contida, mas pesada, com uma letra falando sobre um alguém que vive um amor distante, e como Chester sabia falar sobre amor. A letra é quase um poema, se declarando para alguém, e tem um dos melhores refrões já gravados pelo vocalista. E toda sua carga emocional é sentida em cada nota que exalta, inclusive quando usa, de forma bem modesta, seus característicos gritos na segunda parte.

Trazendo uma pegada mais no estilo do Orgy, banda que os guitarristas, Amir Derakh e Ryan Shuck fizeram parte nos anos 90,"Crawl Back In", vem mais animadinha. Faixa que ganhou um vídeo bem legal, e tem um clima até meio destoado do restante do disco, não prende tanto quanto as demais, ainda sendo uma boa música.

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Com ares de 80, com introdução de sintetizadores e alguns barulhos eletrônicos, na pegada do Depeche Mode, "Too Late" traz o clima pra baixo de novo, com um trabalho de detalhes bem legais do baterista Elias Andra e de novo um ótimo refrão.

"Inside of Me", já numa pegada mais rápida, muda o clima mais uma vez, trazendo um solo bem Stone Temple Pilots, faixa que se aproxima bastante do trabalho feito por Chester com a banda. Talvez uma canção com uma pequena parcela de pop em suas veias, o que não é crime algum, já que a proposta da banda não é soar como algo inacessível.

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Voltando aos sintetizadores, e de novo vindo a mente Depeche Mode, "Let Down", faixa principal do álbum, como o próprio nome sugere, nos faz compartilhar da dor de um indivíduo que grita sem ser ouvido, que grita por não querer seguir na mesma vida ou na mesma estrada, mas se vê cada vez mais empurrado para aquilo. Um retrato do que era a vida de Chester, e como ele dialogava com vários jovens que o tinham como ícone maior. Faixa muito bonita, para se ouvir várias e várias vezes seguidas, cantar seu refrão junto e adentrar naquele feeling.

"Give Me Your Name" ainda continua na pegada down, com um leve toque de country, mas um ar bastante denso e pesado. Chester aqui, modula sua voz num tom bem brando, que soa um tanto cristalina, principalmente em seu refrão onde usa um tom suave, e nos leva diretamente ao que a letra diz, "dentro de um oceano". O solo da música também nos leva a fechar os olhos e parecemos poder tocar a atmosfera com as próprias mãos. Mérito enorme ao poder da voz do cantor.

"My Suffering" é a faixa que talvez se aproxime do que é feito pelo Linkin Park, mesmo assim de forma bem contida. A faixa é rápida, pesada, tem uma passagem com bumbos duplos, e Chester gastando seus gritos, que aqui resolveu deixar guardados. Causaria bastante euforia nos shows, e ainda mantendo esse pique mais agitado, "Condemned" traz um refrão cheio, com sintetizadores preenchendo o fundo, mais berros e um solo que apesar de nada virtuoso ou mirabolante, se encaixa perfeitamente e faz ponte perfeita para a volta do refrão!

Trazendo um estilo mais moderno, "Into You" vem acalmar um pouco as coisas. Apesar de se assemelhar com composições de algumas bandas que em nada me agradam, ainda rende um bom trabalho, meio apática as demais, mas ainda assim, interessante, com uma ponte em tons bem altos, mostrando como Chester sabia cantar e não só gritar, contraponto as duas faixas anteriores.

"End of the World" ainda continua em clima meio morno, com um solo de sintetizador interessante, sendo um diferencial das demais, mas não fazendo muito barulho por uma ou outra passagem. "Walking in the Circles" já traz aquele processo mais intimista, com vozes melancólicas, num estilo meio acústico, e quando a parte elétrica chega, de novo nos vemos presos em viagens que a canção nos leva e mostra bastante variações na voz de Chester, suas versatilidades são de matar e vemos como ele fará falta daqui em diante.

A faixa "In the Darkness", que fecha o disco, é minha favorita e não a toa. Temos algo próximo de uma canção do Alice in Chains, com crescendo e trazendo uma atmosfera pesada até nós, quando o refrão da música chega, já estamos inertes e entregues aquela angústia toda destilada pela letra. Quando refrão é esse, feito para se cantar à plenos pulmões junto. Como já dito, disparado a melhor faixa do trabalho.

Como bônus, ainda existe uma versão repaginada de "Morning After", faixa que Chester já havia gravado anos antes para a trilha sonora do filme Anjos da Noite, e ganha uma versão mais rock agora, muito boa por sinal, mantendo o refrão chiclete que logo gruda e nos faz sair cantarolando diversas vezes de forma automática.

Um bom trabalho na carreira de Chester, alguns desacertos em algumas faixas, mas nada grave, continua sendo mais interessante que vários trabalhos do LP, e deveria ter tido continuidade, renderia bons frutos.




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Sobre Marcio Machado

Estudante de história, apaixonado por cinema e o bom rock, fã de Korn, Dream Theater e Alice in Chains. Metido a escritor e crítico.

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