Stolen Byrds: banda amplia leque de influências em bom trabalho
Resenha - Stolen Byrds - Stolen Byrds
Por Victor de Andrade Lopes
Postado em 16 de maio de 2016
Nota: 8 ![]()
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Após um bem recebido álbum de estreia, Gypsy Solution, o quinteto paranaense de Maringá Stolen Byrds voltam a acenar para o mundo com 13 faixas de fino rock cantadas em inglês, passando definitivamente pelo teste da continuidade, também conhecido como "tinha mais de onde veio o primeiro". A marca deste álbum autointitulado é a ousadia e a diversidade de influências. Se o primeiro lançamento era mais focado em hard rock, este rompe barreiras e abraça mais elementos, incluindo stoner, grunge, alternativo e heavy metal.
Há música para todos os gostos. "Come Undone", "Save Your Heart", "Face the Light", "Sons of Babylon" e "You Gotta Believe" integram o grupo mais predominante, com uma mistura dos elementos supracitados. "Artemis" e "Beggin' For You" ainda trazem uns temperos country, com direito a um longo solo de gaita por João Fortes na segunda. E o que dizer de "Move On"? Parece ter sido escrita por alguém numa garagem de classe média no subúrbio de Seattle no início dos anos 1990 em conexão sense8ística com um motoqueiro numa estrada do sudoeste estadunidense nos anos 1970.
"Shiva" é um trabalho primeiramente acústico, e depois marcado por um longo solo de guitarra, numa roupagem leve e madura digna de um Eagles. Outra canção com essa instrumentação mais leve é "Requiem", que sequer traz percussão.
A reta final do álbum é marcada por faixas mais peculiares, a começar pela campeã neste quesito: "Travelling to the Sun", a maior do disco. Começa progressiva, desemboca no grunge e sua segunda metade é marcada por um longo solo de saxofone à la Steve Mackay (por Claudio Caldeira) e um discurso do orador, escritor e humanista indiano Jiddu Krishnamurti, proferido em 1970 na Universidade Estadual de San Diego, nos EUA.
Em seguida, vêm as já citadas "Requiem" e "You Gotta Believe" e então "Rain Time", uma balada grunge com destaque para a performance do vocalista Edwardes Neto. E fechando de vez a lista de faixas, "Make Until the Day", um trabalho de tom mais alegre e esperançoso com vocais de apoio meio gospel ao fundo, providos por Patrícia Borges e Fernanda Persona.
Alguns poderiam considerar a mudança na sonoridade como "radical", mas os Stolen Byrds escolheram a hora certa para mudar. Antes mudar agora do que mais tarde, quando o som está cimentado e a comunidade de fãs já está com os ouvidos afiados para certo tipo de música. Se é que podemos falar em "mudança", é claro. Pode ser que os maringaenses simplesmente tenham objetivado abrir seu leque de influências e mostrar tudo com o que podem experimentar antes de possivelmente decidirem por um direcionamento final.
Rock sério, maduro, profissional e com a qualidade acima da média. Só o fato de terem um vocalista verdadeiramente bom e com um inglês não-macarrônico já os coloca à frente de muitas bandas novas brasileiras, mas é claro que isso não é tudo. Têm o mais importante, que é talento para compor e executar.
Abaixo, o álbum completo no canal oficial da banda:
Track-list:
1. "Come Undone"
2. "Son of Babylon"
3. "Move On"
4. "Shiva"
5. "Artemis"
6. "Beggin' for You"
7. "Save Your Heart"
8. "Face The Light"
9. "Travelling to the Sun"
10. "Requiem"
11. "You Gotta Believe"
12. "Rain Time"
13. "Make Until the Day"
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