Spirit: Abrindo caminho na cena com advertência ecológica
Resenha - Spirit- Spirit
Por Elias Rodrigues Emídio
Fonte: psychedelicsight.com
Postado em 03 de fevereiro de 2015
A grande e criminosamente pouco apreciada banda de Los Angeles Spirit raramente integra listas de bandas psicodélicas dos anos 60.
Em nossos dias, o Spirit é mais lembrando por "Nature’s Way", um clássico das FM’s. Um apelo há meio tempo pela consciência ecológica que apareceu no quarto álbum da banda, ultimo com a formação original.
Dois anos antes de "Nature’s Way", em 1968 um Spirit mais pesado abria caminho na cena com outra advertência ecológica, dessa vez embebida em toques psicodélicos e uma guitarra pesada, a banda cantava:
"Look beneath your lid some morning
See those things you didn’t quite consume
The world’s a can
for your fresh garbage".
Esse severo aviso, uma breve réstia de luz de rock pesado era logo seguida pelo masterpiece psicodélico "Mechanical Word".
Como um verdadeiro golpe certeiro, essa faixas do lado 1 do álbum "Spirit" se conformam com qualquer criação psicodélica elaborada em 1967 ou 1968 por Cream, Hendrix ou as bandas de São Francisco.
Spirit nunca se ajustou a um único estilo, entretanto, este primeiro retrata os backgrounds dos membros da banda no Jazz, blues, música étnica, folk e Hard Rock. As guitarras distorcidas e os reverbs sobrepostos de "Fresh Garbage" apresentam no meio da canção um break instrumental de Jazz piano por John Locke, que havia tocado jazz em um combo com o baterista Ed Cassidy.
Você pode argumentar que de qualquer coisa tocada pelo guitarrista Randy Califórnia saltava uma semente de psicodelia por uma boa razão.
Aos 15 anos o guitarrista se envolveu com um ainda desconhecido Jimi Hendrix.
"Eu fiz uma visita ao Manny’s Music em Manhattan" – Califórnia escreveu no encarte do CD "Spirit" – "Eu estava lá nos fundos da loja improvisando com a minha Stratocraster. Nossos olhos se encontraram e o tempo pareceu parar".
Califórnia se juntou ao Jimi James And Blue Sparks, tocando no café Wha em Greenwich Village por três meses, quando Hendrix saiu para a Inglaterra, Amã do guitarrista adolescente disse que ele não poderia ir.
O quanto de Hendrix veio de Califórnia – ou vice versa – permanece um mistério esde que nenhum dos dois havia feito gravações sôo até aquele ponto. Uma pessoa que ouvisse o álbum "Spirit" poderia ser convencida de que Hendrix tocou guitarra.
Nos mais de cinco minutos de "Mechanical Word", Califórnia nos entrega dois solos de cair o queixo, o primeiro está os seus melhores Nesse ponto sua guitarra atinge níveis insuportáveis, para depois esfacelar-se num grandioso efeito dramático.
De fato, tudo em "Mechanical Word" é executado com máximo drama. Os vocais de Jay Ferguson soam como se ele tivesse levantado da cova. A bateria em estilo funeral casa com a letra da canção: "Death falls so heavy on my soul/Death falls so heavy, makes me moan".
Os arranjos de cordas de Martyn Paich criam uma verdadeira "dança de cemitério" com a guitarra de Califórnia, algumas vezes soando em uníssono. A canção acaba como trilha sonora de um filme, com cordas elegíacas apresentando-se para os ouvintes – até seu final com explosões de guitarra/bateria que põem um prego no caixão.
"Mechanical Word" é classificada na posição nº 34, na lista de melhores canções psicodélicas (na votação do site: WWW.psichedelicsight.com).
Em poucos termos, "Mechanical World" antecipa "Kashmir" do Led Zeppelin, o que nos leva para aproxima canção...
"Taurus", escrita por Califórnia, é um amável instrumental construída com arpejos de guitarra dedilhada. Ouvida no frescor dos dias atuais, o número pode ser percebido com um cover mais livre de "Stairway To Heaven".
Mas o Led Zeppelin gravou "Starway" três anos depois de "Taurus", a clássica balada é indiscutivelmente mais uma na longa de canções "emprestadas" do Zeppelin.
Califórnia escreveu no encarte do CD "Spirit", que os fãs sempre perguntam sobre a similaridade e ele responde, dizendo que as bandas excursionaram juntas em seus primeiros anos e o Led Zeppelin coverizou "Fresh Garbage" como parte de medley de Hard Rock.
"Girl In Your Eye" faz uso preciso da Sitar Indiana introduzida no rock uns anos antes. O produtor Lou Adler, que trabalhou com Mamas And The Papas, trouxe uma estética mais rígida para muita das canções. Mesmo os longos números psicodélicos têm seus "toques pessoais".
"Uncle Jack" um hard rock com pálidos acentos ingleses, soa como uma contribuição de Noel Redding ao Jimi Hendrix Experience (Redding mais tarde tocaria com Califórnia). Ela apresenta um grande solo dobrado de Califórnia.
"Straight Arrow" trata sobre o ator pai do baixista Mark Andes. "Topanga Windows" recria a experiência comunal da banda na área dos grandes cânions em L.A. "The Great Canyon Fire In General" apresenta mais pesados licks de guitarra colocados em meio a um inebriante redemoinho de batera e piano.
A instrumental de 11 minutos "Elijah" saúda o Free Jazz, e talvez Frank Zappa. Em sua parte central lembra o King Crimson. "East West" da Butterfield Blues Band certamente proveu inspiração.
Faixas inéditas no relançamento da Epic em 1996 do CD "Spirit" mostram mais das raízes jazz da banda com o explosivo rock progressivo "Veruska" e a frente do seu tempo "Free Spirit".
O Jazz estava apenas começando a aparecer no rock, com o Spirit ente os pioneiros do que veio a ser conhecido como Jazz Rock, junto como Donovan e o Blood, Sweat And Tears de Al Kooper.
FAIXAS
1. FRESH GARBAGE
2. UNCLE JACK
3. MECHANICAL WORLD
4. TAURUS
5. GIRL IN YOUR EYE
6. STRAIGHT ARROW
7. TOPANGA WINDOWS
8. GRAMOPHONE MAN
9. WATER WOMAN
10. THE GREAT CANYON FIRE IN GENERAL
11. ELIJAH
12. VERUSKA*
13. FREE SPIRIT*
14. IF A HAD A WOMAN*
15. ELIJAH (#2 TAKE ALTERNATIVE)*
* BONUS TRACKS NOS RELANÇAMENTOS EM CD'S
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