O álbum do Almah que ambição era bater de frente com Angra, segundo produtor
Por Gustavo Maiato
Postado em 03 de dezembro de 2025
A cena do metal brasileiro ganhou força na década de 2000 com bandas que buscavam expandir seus limites criativos e sonoros. Entre elas, o Almah - inicialmente idealizado por Edu Falaschi - se destacou com trabalhos que rapidamente se tornaram referência do gênero. E dois desses álbuns, "Fragile Equality" (2008) e "Motion" (2011), nasceram dentro do estúdio Norcal, sob a supervisão do produtor norte-americano Brendan Duffey, que recordou o processo em entrevista ao Ibagenscast.
Logo no início da conversa, Duffey lembrou que sua entrada no universo do Almah veio antes mesmo das gravações completas. "O Edu Falaschi foi a primeira pessoa a gravar no Norcal. Fizemos mixagens de duas faixas bônus do primeiro disco do Almah lá também. Essa foi o começo com Almah e com o Edu", afirmou. A partir dessa ponte, o relacionamento profissional evoluiu rapidamente e abriu caminho para o que viria a seguir.

Segundo Duffey, a banda chegou ao estúdio ainda em processo de se conhecer. Ele citou diretamente músicos como o saudoso Paulo Schroeber, além de Felipe Andreoli, hoje um de seus grandes amigos. "Cara, a banda era animal, todo mundo no talo de talento, e era uma gravação muito positiva. Todo mundo sabia que estava fazendo algo grande", disse o produtor, destacando a energia que marcou aquele período.
O clima interno, segundo ele, oscilava entre camaradagem e competição saudável - especialmente entre os guitarristas. "O clima da gravação entre os dois guitarristas, o Marceleo Barbosa e o Paul, era surreal. Um estava querendo tocar mais que o outro", relembrou com bom humor. O ambiente puxava todos a darem o máximo, e isso refletiu diretamente na sonoridade marcante de "Fragile Equality".
Duffey revela também que havia um objetivo ambicioso motivando o grupo. "Na época, o plano era tirar o Angra do palco. Essa era a missão da banda: fazer algo mais do que o Angra", comentou. Para ele, o Almah conseguiu atingir seu propósito. "Aquele disco foi muito bom. É um álbum que marcou minha carreira, mudou minha carreira, na verdade."
Depois de "Fragile Equality", a parceria se estendeu por diversos outros trabalhos - incluindo "Motion", além de produções com Andreoli e Falaschi em diferentes projetos. "Fizemos muita coisa juntos. Era uma época boa, muito boa", completou o produtor. Com o passar dos anos, os dois álbuns do Almah seguiram amadurecendo. Como o próprio entrevistador afirmou ao fim da conversa, "Fragile Equality e Motion continuam soando espetaculares", reforçando o legado dessa fase criativa.
Confira a entrevista completa abaixo.
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