AC/DC: Rock Or Bust é poderoso e traz referências de outras fases
Resenha - Rock Or Bust - AC/DC
Por Igor Miranda
Fonte: IgorMiranda.com.br
Postado em 29 de novembro de 2014
Nota: 9 ![]()
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"Rock Or Bust" é um dos discos mais aguardados do ano. Não só por carregar o peso da marca AC/DC, mas também pelo histórico que antecedeu o trabalho. Neste ano, o mundo soube de algo que já circulava como rumor pelos fã-clubes da banda: o guitarrista Malcolm Young estava sofrendo com problemas mentais e perdas de memória. Ele se aposentou para tratar do problema. Pouco tempo depois, outra baixa: o baterista Phil Rudd, que chegou a gravar o álbum, pode estar fora do grupo após se envolver em problemas com a lei. Chegou a ser preso e, agora, é julgado por supostamente ter contratado um assassino de aluguel para matar dois homens. "Dirty Deeds Done Dirt Cheap", icônica canção dos australianos, nunca fez tanto sentido.
Mesmo com todos os problemas, o AC/DC soa firme em "Rock Or Bust". Por um lado, não se deve esperar muitas mudanças na sonoridade da banda, que é conhecida justamente por alterar pouco o estilo de seus trabalhos. Por outro, ouvidos mais atentos podem perceber algumas nuances diferentes no novo álbum.
O antecessor "Black Ice" (2008) parece compilar o melhor feito pelo AC/DC em discos como "Back In Black" (1980) e "The Razors Edge" (1990). Por sua vez, "Rock Or Bust" aposta em estilos de riffs, bases e cozinhas presentes nos primeiros trabalhos da banda, aliados a uma produção e ao estilo de cantar por parte de Brian Johnson que remete aos álbuns lançados na segunda década de 1980. Talvez apenas guitarristas entendam, mas "Rock Or Bust" tem poucos riffs de acordes cheios, tradicionais nos plays do grupo na década de 1980: deram lugar a passagens que utilizam notas, cordas isoladas.
A mudança de afinação dos instrumentos de corda também trouxe uma oxigenação às melodias. As guitarras e o baixo estão um tom abaixo do padrão. Os riffs e as bases soam diferentes. A alteração também surtiu efeito na voz de Brian Johnson, que, aparentemente, se sentiu mais confortável para soltar o costumeiro vozeirão - xiitas devem me contestar, mas prefiro ele a Bon Scott, vocalista falecido em 1980 que Johnson teve a responsabilidade de substituir.
O saldo final de "Rock Or Bust" é satisfatório. Não consigo traçar muitas comparações subjetivas com o antecessor "Black Ice": gosto dos dois justamente por serem, ao mesmo tempo, parecidos e levemente diferentes. O trabalho mais atual tem, creio, a vantagem de ser mais curto. Por outro lado, faltou um clássico instantâneo do tamanho de "Rock N' Roll Train". Apesar de creditado nas composições do novo álbum, creio que Malcolm Young pouco tenha colaborado - e não dá para negar que faz falta.
Com a nova afinação, as linhas vocais ficaram mais afiadas e os riffs ganharam poder. Stevie Young não compromete em momento algum. A cozinha é "padrão AC/DC" ao longo de todo o trabalho e Angus Young, mesmo um pouco menos inspirado (provavelmente por carregar mais funções agora), ainda consegue mostrar porque é um dinossauro do rock. Dá para identificar sua palhetada de longe, até no inferno - ou na estrada para tal lugar. "Rock Or Bust" é uniforme, potente e maravilhoso. Não há faixa ruim aqui. Faz, ainda, completa justiça à discografia do grupo e pode acabar sendo a despedida deste.
Leia o faixa-a-faixa completo no link:
http://www.igormiranda.com.br/2014/11/nenhuma-turbulencia-atrapalha-o-acdc.html
Resenha | AC/DC: "Rock Or Bust"
Lançado em 28 de novembro de 2014
Brian Johnson (vocal)
Angus Young (guitarra solo, backing vocals em 5)
Stevie Young (guitarra base, backing vocals)
Cliff Williams (baixo, backing vocals)
Phil Rudd (bateria)
1. Rock or Bust
2. Play Ball
3. Rock the Blues Away
4. Miss Adventure
5. Dogs of War
6. Got Some Rock & Roll Thunder
7. Hard Times
8. Baptism by Fire
9. Rock the House
10. Sweet Candy
11. Emission Control
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