Dream Theater: Sensação dúbia de apreço e frustração

Resenha - Breaking The Fourth Wall - Dream Theater

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Por André Prado, Fonte: descafeinadoblog
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Inevitavelmente acabo caindo na mesmice de dividir o Dream Theater em duas épocas: a era Mike Portnoy e pós Mike Portnoy. Como fundador da banda, ele tem importância direta na moldagem do que o Dream Theater é agora, e se eles são como são, devem isso a ele. Obviamente ele não era o único cabeça do grupo, John Petrucci é junto a ele era a principal mente criativa e voz ativa. Guitarra e bateria são o básico de uma banda de metal. Mas rolou toda a confusão da qual todo mundo já tá cansado de saber, e Petrucci assumiu e dividiu a liderança entre todos os membros fazendo até John Myung (baixista) falar externamente, quem diria.
7 acessosDream Theater: basta convidar Mike Portnoy que ele vai5000 acessosFrontman: quando o original não é a melhor opção

Acredito que desde o excelente "Six Degrees Of Inner Turbulence" o Dream Theater não entrega um álbum à altura a sua história. Temos álbuns muito bons na sequência, mas que na minha concepção não atingiram a qualidade deste. Black Clouds & Silver Linings foi o último álbum com Portnoy e o mais sombrio e irregular, uma consequência de que a banda precisava de novas ideias.

A relação era estremecida e o som por consequência também se perdeu, aí a treta rolou e blá blá blá, cada um seguiu seu caminho e a banda escolheu por Mike Mangini. Após dois álbuns lançados com sua presença nas baquetas - sendo o auto intitulado "Dream Theater" com sua participação ativa na composição - a banda modificou seu som. Para melhor nem pior, apenas diferente; o que era natural de acontecer.

Ano passado a banda lançou seu primeiro ao vivo "Live At Luna Park", o que tradicionalmente serve para apresentar "a nova fase para os fãs" e documentar isso em vídeo. Confesso que nem me interessei em escutá-lo por ser um álbum com um setlist que não me chamava a atenção e por ser um compilado meio que lançado somente para "tapar buraco", fora do nível de qualidade que o Dream Theater sedimentou com seus ao vivos. Entretanto com "Breaking The Fourth Wall" a treta é diferente. Esse ao vivo lançado em CD triplo juntamente com o Blu-Ray, DVD duplo e em formato digital, foi gravado no Boston Opera House no mês de março desse ano e conta com a participação da orquestra da Berklee em algumas músicas, além de apresentar toda uma produção mais cuidadosa e um conceito por trás que é a quebra da quarta parede, vulgo, a relação com o público. Pra quem sabe quem é o Deadpool, sabe muito bem a relação da qual estou falando.

O álbum abre com a pesada "The Enemy Inside" que é o single do último álbum lançado pela banda. Sinceramente o álbum me agradou e a música até funciona ao vivo, mas para os fãs mais antigos a música acaba não funcionando e sendo meio chata, E o peso segue com a "The Shattered Fortress" do último álbum com Portnoy nas baquetas e a melhor do BC&SL. Demasiadamente longa pra sua qualidade.

O primeiro CD contém além das duas músicas, "On The Backs of Angels", "The Looking Glass", Trial of Tears", a ótima e mais recente instrumental "Enigma Machine", e as baladas "Along For The Ride" e "Breaking All Ilusions. Parte que dá uma boa compilada na era Mangini nas baquetas e que tem a "The Looknig Glass" como destaque. Á exceção da "Trial Of Tears" do controverso e ótimo "Falling Ino Infinity" do distante ano de 1997, todas as outras músicas são de álbuns recentes da banda. Talvez a ideia era fazer isso propositalmente separando essa nova fase da antiga, afinal no segundo CD temos "The Mirror", o hit "Lie", "Lifting Shadows Off a Dream" e "Space Dye Vest dando um bom apanhado no clássico "Awake" de 1993 e apresentando músicas que não vinham sendo executadas ao vivo. Entendeu porque escolhi resenhar esse ao vivo? A épica "Illumination Theory" fecha o segundo CD.

Já o terceiro CD é um apanhado do clássico "Scenes From a Memory" de 2001 que conta com a instrumental "Overture 1928" que abre a "Strange Deja-Vu", a também instrumental "The Dance Of Eternity" e fechando a tocante "Finaly Free", que também fecha o álbum da qual pertence.

Ficou evidente a transformação lenta que o som do Dream Theater sofreu dando muito mais atenção a guitarra de Petrucci - algo que se acentuou depois da saída de Portnoy. Portanto, a sensação que o álbum trouxe em mim é dúbia, tanto de apreço quanto de frustração. Com a compilação ao vivo que apresentou músicas que não abrangeram todas as épocas da banda, apenas álbuns específicos, ficou evidente a diferença da qualidade das músicas mais recentes para as antigas. Essa é uma opinião que cabe a cada um, mas é inegável que o Dream Theater perdeu um pouco daquela essência que tinha a anos atrás, e olha que não forço muito, é apenas desde 2002 pra cá, tem aqueles que voltam a 1993 - o que acho exagero. Outro ponto que causou certas estranheza a primeira audição foram os timbres de guitarra e principalmente bateria usados na mixagem, bem diferente da época com Portnoy por trás, da qual podia se ouvir os instrumentos de forma mais cristalina, e aqui é a pegada é mais "bagunçada". São escolhas. O resultado é apenas uma questão de costume e cá entre nós o resultado é bem mais satisfatório do que o pobre "Chaos In Motion", mas não adianta, acabei sentindo falta daquela qualidade que vi no épico "Score" por exemplo.

Falar da performance dos músicos é chover no molhado, tecnicamente eles são muito bons e fizeram uma apresentação mais visceral das músicas, o que a mixagem quis também nos passar (?). A achei pobre. E Mike Mangini? Bom, dado a sua técnica nunca duvidei de como ele poderia dar conta do recado, é um músico tarimbado e com uma técnica impressionante, claro, que com seu jeito de tocar que não se compara a Mike Portnoy que era mais mirabolante e mais direto (quando queria).

Bom, gostando ou não, perdendo fãs ou não, o Dream Theater seguiu seu caminho. Acertadamente, já que Portnoy é um genial cabeça-dura. Eu pessoalmente gostei do "Dream Theater" lançado ano passado, é uma nova visão, uma nova banda, um novo som. Um recomeço. A mentes fechadas ele soa péssimo, mas a mentes mais abertas ele é excelente. Prefiro ficar no meio termo, sempre esperando que a capacidade desses músicos me surpreenda, e apesar de ter gostado de "Dream Theater", acredito que ficou aquém do que eles já realizaram. Álbuns ao vivo trazem momentos passados das bandas, e ele meio que trouxe o sentimento ruim da qual senti com o último trabalho de estúdio: personalidade.

Tracklist:

CD 1

1. "The Enemy Inside" 6:18
2. "The Shattered Fortress" 12:45
3. "On the Backs of Angels" 8:48
4. "The Looking Glass" 4:46
5. "Trial of Tears" 15:23
6. "Enigma Machine" 8:21
7. "Along for the Ride" 4:53
8. "Breaking All Illusions" 12:29

CD 2

9. "The Mirror" 6:47
10. "Lie" 7:56
11. "Lifting Shadows Off a Dream" 6:27
12. "Scarred" 11:41
13. "Space-Dye Vest" 7:48
14. "Illumination Theory" 19:25

CD 3

15. "Scene Two: I. Overture 1928" 3:41
16. "Scene Two: II. Strange Déjà Vu" 5:09
17. "Scene Seven: I. The Dance of Eternity" 6:16
18. "Scene Nine: Finally Free" 9:56

5000 acessosQuer ficar atualizado? Siga no Facebook, Twitter, G+, Newsletter, etc

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Dream TheaterDream Theater
Basta convidar Mike Portnoy que ele vai

469 acessosAllan Holdsworth: Jordan Rudess em tributo musical ao guitarrista819 acessosDream Theater: Os pais do Djent?2065 acessosTop 5: Músicas Instrumentais2382 acessosPortnoy: Bumblefoot e Derek Sherinian podem estar em supergrupo0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Dream Theater"

Mike ManginiMike Mangini
"Tenho um enorme respeito pelo Portnoy!"

Dream TheaterDream Theater
As pessoas não ouvem mais discos completos, diz Petrucci

Mike PortnoyMike Portnoy
A reação ao ouvir garoto de 8 anos tocando cover do Dream Theater

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Dream Theater"

FrontmenFrontmen
Quando os originais não eram as melhores opções

SlipknotSlipknot
Demônio avistado em fogo durante show?

Iron Maiden em SPIron Maiden em SP
"Épico", diz a banda, em nota curta

5000 acessosTradução - Piece Of Mind - Iron Maiden5000 acessosAngra e Detonator: "Sem nenhuma dúvida, esse cara comprou a mídia!"5000 acessosHugo Mariutti: indignado com piada sobre a realidade da cena metal no Brasil5000 acessosCorey Taylor: Não podíamos trabalhar junto com Jordison5000 acessosSlipknot: "Nunca ganhei um dólar com vendas de disco!"5000 acessosNirvana: Pat Smear fala sobre as Fenders que quebrava com Kurt!

Sobre André Prado

Autor sem foto e/ou descrição cadastrados. Caso seja o autor e tenha dez ou mais matérias publicadas no Whiplash.Net, entre em contato enviando sua descrição e link de uma foto.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online