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Sepultura: 21 anos do mais puro Caos do Terceiro Mundo

Resenha - Chaos A.D. - Sepultura

Por David Torres
Em 06/09/14

5 de setembro de 2014 é o aniversário de 25 anos de "Beneath the Remains", um dos melhores e mais importantes álbuns da carreira do Sepultura. No entanto, há três dias atrás, no dia 2 de setembro, "Chaos A.D.", outro grande trabalho da carreira dos brasileiros, completou o seu aniversário de 21 anos. O tempo realmente voa, não é mesmo?! Por conta da correria não pude fazer uma resenha sobre o "Chaos A.D." no dia de seu aniversário, então, aproveitei ainda hoje para escrever uma resenha tanto sobre o "Beneath" como para ele.

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Lançado em 1993 através da gravadora Roadrunner Records e produzido por Andy Wallace (que já produziu bandas e artistas como Prince, System Of A Down e Slayer), o álbum marca mais uma mudança na sonoridade do quarteto ainda encabeçado por Max Cavalera (vocal e guitarra rítmica), Andreas Kisser (guitarra solo), Paulo Jr. (baixo) e Igor Cavalera (bateria). Digo mais uma mudança, afinal, quem conhece bem os trabalhos gravados anteriormente pela banda sabe que eles mudaram a sua sonoridade disco após disco. O "Split" "Bestial Devastation", de 1985 e o "debut" "Morbid Vision", de 1986 tinham uma sonoridade calcada no Black/Death Metal, com algumas pitadas sujas de Thrash Metal. "Schizophrenia", de 1987, já apresentava um Death Metal melódico, ressaltando ainda mais influências "Thrash" nas composições devido a entrada do guitarrista Andreas Kisser na banda. "Beneath the Remains", de 1989, é um verdadeiro Death/Thrash e "Arise", de 1991 é uma evolução natural de seu antecessor, porém, ainda mais Thrash Metal. Já "Chaos A.D" marca uma desaceleração na sonoridade veloz e pesada da banda, acrescentando mais "groove" as composições e fazendo o som do álbum ser calcado em uma mescla de Groove e Thrash Metal, porém, mais Groove do que Thrash. Isso se deve as influências musicais do Sepultura na época, especialmente de uma certa banda que também estava no auge naqueles anos, o Pantera, cujos músicos são amigos da banda e chegaram excursionaram juntos na ocasião.

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Uma breve introdução sonora dá espaço para "riffs" nervosos e para a bateria percussiva de Igor Cavalera, abrindo assim a clássica faixa de abertura "Refuse/Resist". Não é necessário muito para descrever o que essa canção é. Reúna uma letra fantástica e altamente caótica como a temática do álbum já propõe ao ouvinte com "riffs" esmagadores, um andamento cadenciado que abre caminho para uma mudança rítmica frenética próximo ao "gritante" solo de guitarra da faixa, "cozinha" pulsante e percussiva de baixo e bateria e urros brutais. É exatamente isso o que essa música é, porém, ainda não é o suficiente para descrever o que ela representa. Além de possuir um videoclipe que foi muito veiculado na MTV Brasil na época e ser um dos "singles" gravados para o disco, "Refuse/Resist" é um dos maiores clássicos do Sepultura e um dos grandes hinos do Metal mundial. Aliás, a introdução de "Refuse/Resist" nada mais é do que uma gravação dos batimentos cardíacos do filho de Max Cavalera, Zyon, quando ele estava no útero de sua mãe.

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A faixa seguinte não deixa por menos, sendo nada mais, nada menos do que outro hino esmagador, "Territory". Sendo introduzida com linhas fantásticas de bateria e "riffs" explosivos de guitarra, a música possui um "groove" destruidor, uma letra igualmente excelente e um refrão simples e urrado que gruda na mente do ouvinte fazendo com que o mesmo urre junto ao disco e cante a música ininterruptamente. Outro eterno clássico da carreira dos brasileiros! Também é um dos "singles" e uma das músicas do álbum a possuir um videoclipe que chegou a ser premiado na categoria "melhor videoclipe do ano" pela MTV Brasil. As guitarras de Andreas Kisser e Max Cavalera iniciam a cadenciada e também ótima ""Slave New World", mais um "single" que também ganhou o seu videoclipe. Nessa faixa temos ótimos "riffs" e uma ótima levada de bateria, acompanhados por mais uma letra que faz total juz ao que o álbum aborda. "Amen" vem logo em seguida e novamente é uma ótima faixa. Apresentando um ritmo ainda mais arrastado e balanceado, temos novamente um bom desempenho de toda a banda, apresentando um eficiente trabalho de guitarras, uma "cozinha" vigorosa e urros sensacionais. Também há momentos bastante atmosféricos na metade da faixa, contando inclusive breves porém interessantes vocais líricos inseridos singelamente.

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Eis que a vez da banda mostrar o seu experimentalismo na clássica "Kaiowas", faixa completamente instrumental cujo nome foi extraído de uma tribo de indígenas brasileiros que cometiam suicídio em massa como protesto ao governo por tentarem tomar suas terras e suas crenças. A faixa já mostrava a mudança radical na sonoridade do grupo que aconteceria no controverso "Roots", de 1996, apresentando influências de percussões tribais cada vez mais latentes, mescladas com violões. É uma faixa muito interessante que transmite uma atmosfera realmente única. Pessoalmente gosto muito dela. Após um momento ameno, o som estridente da guitarra de Andreas Kisser abre a excelente e truculenta "Propaganda", que mais uma vez possui uma letra muito engajada, um "groove" devastador, uma "cozinha" impecável conduzida pelo baixista Paulo Jr. e pelo baterista Igor Cavalera e urros matadores de Max Cavalera. Outro grande clássico do álbum! Contando com uma letra genial escrita por Jello Biaffra (ex-Dead Kennedys), a violenta "Biotech Is Godzilla" é a faixa mais insana e veloz do álbum. "Riffs" destruidores, bateria frenética e urros avassaladores fazem dela um tremendo clássico e um dos grandes destaques do disco.

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Após uma porrada certeira, a banda retoma o ritmo arrastado das composições anteriores com a ótima "Nomad". Novamente temos um brilhante desempenho do quarteto que cumpre o seu propósito com exímio. "We Who Are Not As Others" é uma faixa praticamente instrumental, contando apenas com um belo coro executado pela banda repetindo o nome forte da canção, que em português, significa "Nós Que Não Somos Como Os Outros". Uma boa faixa que novamente conta com um andamento "grooveado" e riffs certeiros. Próximo ao fim da música, há algumas risadas histéricas que também podem ser ouvidas em reedições posteriores do álbum em faixas diferentes. A excelente "Manifest" vem logo a seguir, trazendo uma letra que aborda o massacre do Carandiru ocorrido na sexta-feira de 2 de outubro de 1992. Com uma letra praticamente narrada por Max Cavalera, exceto por curtas e marcantes passagens urradas de forma feroz, é um tremendo som repleto de palhetadas selvagens, um baixo pulsante e uma bateria debulhadora e insana como tem que ser.

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Logo após a banda retorna com um grande cover do New Model Army, "The Hunt". Como em todos os covers que a banda já gravou, a banda "Sepulturizou" a canção, agregando mais peso, velocidade e agressividade para ela, criando uma versão altamente empolgante e genial. Finalizando, temos "Clenched Fist", uma faixa que segue os moldes cadenciados e repletos de "groove" do disco. Não é das melhores gravadas para esse registro, mas é uma boa faixa, possuindo algumas variações interessantes de andamento e um final bastante atmosférico e apropriado, encerrando esse grande álbum de estúdio de forma coerente e aplausível. Vale lembrar que a versão nacional conta também com o popular cover do Titãs para "Polícia", que por sinal, é fenomenal! Sensacional desde a sua brilhante arte de capa concebida pelo talentosíssimo Michael R. Wheelan", artista que também já havia elaborado as artes de "Beneath the Remains" e "Arise", "Chaos A.D." pode não ser o melhor álbum do Sepultura, entretanto, isso pouco importa. Afinal, é um trabalho muito interessante e que merece ser ouvido sem qualquer preconceito. Independente do que aconteceu com a banda após esse lançamento, o fato é que é um ótimo disco e tem um valor muito grande para a história não apenas do Sepultura como do Metal.

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01. Refuse/Resist
02. Territory
03. Slave New World
04. Amen
05. Kaiowas
06. Propaganda
07. Biotech Is Godzilla
08. Nomad
09. We Who Are Not As Others
10. Manifest" - 4:46
11. The Hunt (cover do New Model Army)
12. Clenched Fist

Faixa exclusiva para o Brasil:
13. Polícia (cover do Titãs)

Max Cavalera (Vocal / Guitarra Rítmica / Percussão / Violão na faixa "Kaiowas")
Andreas Kisser (Guitarra Solo)
Paulo Jr.(Baixo e Percussão em "Kaiowas")
Igor Cavalera (Bateria e Percussão)


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Sobre David Torres

Formado em Propaganda & Marketing, se autodenomina "Fanfarrão" graças ao seu senso de humor e modo de enxergar o mundo à sua volta. Apaixonado por filmes de terror, quadrinhos e bandas como D.R.I., Faith No More e Napalm Death, escreve também para o blog Blasting Noise Fanzine. Possui muitos sonhos, dentre eles dar início a um projeto de grindcore.

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