Sepultura: Combinando referências musicais dos fãs de todo o mundo
Resenha - Chaos A.D. - Sepultura
Por Ricardo Cunha
Postado em 11 de julho de 2019
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Banda que dispensa apresentações. De toda forma, para iniciar uma conversa, é preciso de mote e, neste caso, começo admitindo que este foi um dos discos que mais ouvi na minha vida inteira. Assim, para falar sobre "Chaos", preciso de um exercício, o de tentar deixar de lado os preconceitos adquiridos ao longo do tempo, depois de tantos desgastes envolvendo o grupo antes e depois da saída do seu líder e a principal figura por trás da "mudança" de som da banda.
Arise foi minha primeira experiência com a música extrema e, confesso, não sabia me situar em relação às guitarras ultra pesadas, à bateria agressiva e aos vocais guturais de Max. Mas em Chaos A.D., apenas um pouco mais experiente, já havia estabelecido identificação com o metal mais brutal e, musicalmente, me via representado no mundo pelo Sepultura.
Se até Arise, o grupo apenas copiava o som das bandas americanas, em Chaos A.D. bradava ao mundo que o metal poderia incorporar elementos musicais "nativos" de qualquer lugar do planeta. Parece que instintivamente se apropriaram de uma identidade, a partir da qual construíram a sua. E, ironicamente, esse olhar voltado para os sons da sua terra natal coincidiu com a mudança do Brasil para a cidade de Phoenix / Arizona (EUA).
Chaos A.D., apresenta um grupo homogênio, mas criativamente aguçado. Nele, há músicas para todos os gostos e estilos. Pode-se dizer que, em canções como Refuse / Resist e Territory, o sangue latino parece haver catalizado a agressividade sonora do grupo, que estava enfurecido com o sistema. Mas, no exemplo mais flagrante da nova atitude, a banda compõe uma peça instrumental que seria o ápice das performances ao vivo, a acústica Kaiowas, que se mostra através de violões quase medievais aliados a tambores pesados (um tributo ao povo Guarani-Kaiowá, que cometeu suicídio em massa como resposta à incursão do governo brasileiro em suas terras). "Chaos" é caracterizado por ritmos significativamente mais lentos, estruturas mais diretas e percussões que assinalam uma mudança drástica na parte instrumental. Da mesma forma, só que, pelo inverso, o disco também dedica espaço para momentos hardcore (Manifest), punk (Biotech Is Godzilla) e industrial (Propaganda) que marcam outra mudança, a de perspectiva lírica.
A escolha de Andy Wallace como produtor do disco provou-se certa. Ele optou por capturar a energia da banda tocando ao vivo no estúdio, ao invés do método tradicional em que as músicas são gravadas em camadas e depois submetidas a sucessivos overdubs. O resultado é o álbum mais cru e com maior senso de urgência feito pelo grupo até aquele momento.
Provavelmente, os caras pensaram em fazer algo que chamasse a atenção dos gringos, mas o fato é que acabaram por impressionar a muito mais gente fora da América do Norte e, não apenas por utilizar elementos da música brasileira, mas principalmente, pela forma como combinaram as referências musicais dos fãs de todos os lugares do mundo.
Outras resenhas de Chaos A.D. - Sepultura
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Rush é parado na fronteira dos Estados Unidos com o México e precisa adiar show
Capital Inicial cancela shows nos Estados Unidos após vistos negados
O que torna o Slayer diferente, na opinião de Dave Mustaine
20 bandas que nunca lançaram um disco ruim, de acordo com a Metal Hammer
A única banda de rock nacional que não virou peça de museu, segundo Regis Tadeu
Ripper Owens: "Há uma razão pro Iron Maiden tocar pra 20 mil e o Judas pra 5 mil"
Tommy Clufetos não ficou magoado com exclusão de álbum do Black Sabbath
Por que Iron Maiden nunca será grande como Metallica, segundo Bruce Dickinson
Rhapsody se despedirá com formação clássica ao lado do Epica na América do Sul
As únicas três canções dos Beatles que Frank Zappa curtia; "apenas um bom grupo comercial"
A banda que Lars Ulrich do Metallica adorava: "Ele caiu de joelhos e me abraçou"
O guitarrista que se sentiu ofendido ao ser convidado para entrar no Deep Purple
O melhor baterista de todos os tempos, segundo Edu Falaschi
A melhor música de rock progressivo de todos os tempos, segundo os leitores da Prog
A banda de thrash cujo baterista original foi contratado como assalariado, segundo Regis Tadeu
Serj Tankian, do System Of A Down, elege o maior álbum de Nu-Metal de todos os tempos
A única canção de Bob Dylan que o próprio Bob Dylan considera insuperável

Sepultura: em 1993, banda alcança o topo do mundo
A música do Anthrax que Andreas Kisser considera "quase prog"
Max Cavalera e Andreas Kisser usaram uma guitarra e uma palheta nas gravações de "Schizophrenia"
Assista o show completo do Sepultura no Hellfest 2026, na França
Max Cavalera explica o que fez o Sepultura mudar o som em "Chaos A.D."
Os 10 momentos mais impactantes e fundamentais do metal nacional
O disco do Sepultura que explodiu as "regras do metal", segundo a Classic Rock
O álbum do Sepultura que a Classic Rock não recomenda aos ouvintes
Andreas Kisser não compreende a maneira como Eloy Casagrande deixou o Sepultura
A banda que era a "versão brasileira do Iron Maiden", segundo Max Cavalera
O dia que Iggor Cavalera descobriu sobre Max e Gloria: "O que está acontecendo aqui?"
RHCP: O monstro saiu da jaula com um de seus melhores trabalhos



