Autopsy: Provando que ainda pode entregar ótimas músicas
Resenha - Tourniquets, Hacksaws and Graves - Autopsy
Por Alisson Caetano
Postado em 01 de agosto de 2014
O retorno dos norte-americanos do AUTOPSY tem se mostrado muito prolífico, e acima de tudo, muito produtivo. Desde o seu retorno, no ano de 2009, já foram três álbuns, o bom Macabre Eternal (2011), o ótimo Headless Ritual (2013) e o mais recente disco, Tourniquets, Hacksaws and Graves, composto em um espaço de menos de um ano com relação ao seu antecessor.
Se formos levar em consideração que atualmente as bandas fazem uma média de um disco a cada dois anos e meio, as desconfianças com relação a esse novo trabalho podem ser um tanto quanto justas, mas elas logo passam ao se apertar o play e deixar a desgraceira rolar. Logo de cara, "Savagery" dá início com um andamento de death metal clássico, veloz e pesada, já começa saudando o ouvinte com um belo chute no estômago. "King of Flesh Ripped" se apresenta como uma música típica do AUTOPSY: arrastada, com riffs lentos e a bateria mais que primitiva de Chris Reifert. A faixa título logo se destaca das demais por apresentar um dos melhores riffs do trabalho, além de um andamento muito interessante desenvolvido por toda a banda.
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"The Howling Dead" quebra um pouco do clima intenso para apresentar uma típica faixa de death/doom, porém, é uma música que ficou mal aproveitada, muito devido a sua introdução, algo alguns cortes para deixar a música mais interessante resolveriam o problema. "After the Cutting" inicia com um riff discreto mas se transforma em mais um destaque devido ao solo muito bem desenvolvido no final da música. O disco segue com algumas faixas que não se destacam muito, demonstrando certo cansaço, como é caso de "Forever Hungry" e "Teeth of the Shadow Horde", onde é visível o uso de ideias pinceladas em músicas anteriores do próprio disco.
"All Shall Bleed" é uma marcha fúnebre em forma de Death Metal que dá início a parte final do disco. "Death Crimson Dreaming" dá sequência com um clima de mistério, com a bateria fazendo um ritmo sutil em cima dos riffs macabros de guitarra para, finalmente, descambar para uma dos destaques do trabalho, com ótimas linhas de guitarra e baixo, além da voz ameaçadora de Chris Reifert fechando o pacote. "Parasitic Eye" é outra faixa com andamento mais acelerado e acaba passando batida na audição.
Já com "Burial" a história é diferente, de longe uma das mais arrastadas músicas da história da banda, com riffs imundos e a voz cavernosa e doente de Chirs Reifert entregando mais uma excelente música e talvez a melhor do trabalho todo. O disco finaliza com "Autopsy", boa música com o selo AUTOPSY de qualidade.
O instrumental do disco conseguiu manter a mesma qualidade de seu antecessor. Mesmo apresentando uma proposta sonora levemente diferente, a banda soube bem como apresentar estruturas de qualidade, com destaque mais que imediato para a dupla Eric Cutler e Danny Coralles que despejam riffs pesadíssimos e inspirados por basicamente todo o disco. Com relação à cozinha, não há muito a ser dito: eficiente, hora servindo de base para as guitarras reinarem, hora assumindo a linha de frente, tudo isso creditado a Joe Allen no baixo e a lenda Chris Reifert na bateria e voz.
Para um trabalho que fora gravado e produzido em um intervalo de menos de um ano de seu antecessor, era de se supor que o resultado ficasse aquém do desejado, porém, é exatamente o oposto do que ocorre aqui e que, à exceção de duas ou três músicas que deram sinais de cansaço, apresentaram um saldo para lá de positivo para os fãs, demonstrando que o Autopsy ainda pode entregar ótimas músicas aos seus fãs.
Para ver a matéria original, além de outros artigos, acesse The Freak Zine:
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